{"id":246707,"date":"2022-09-27T17:12:25","date_gmt":"2022-09-27T16:12:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=246707"},"modified":"2022-09-27T17:12:25","modified_gmt":"2022-09-27T16:12:25","slug":"a-escola-da-noite-de-coimbra-estreia-peca-sobre-as-migracoes-forcadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/a-escola-da-noite-de-coimbra-estreia-peca-sobre-as-migracoes-forcadas\/","title":{"rendered":"A Escola da Noite de Coimbra estreia pe\u00e7a sobre as migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_246711\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Escola-da-Noite.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-246711\" class=\"wp-image-246711 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Escola-da-Noite.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-246711\" class=\"wp-caption-text\">DR<\/p><\/div>\n<p>A Escola da Noite estreia na quinta-feira, em Coimbra, \u201cAqui, onde acaba a estrada\u201d, uma pe\u00e7a do ator da companhia Igor Lebreaud, que fala das migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, do conceito do outro e de fronteiras.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Uma fam\u00edlia foge da guerra h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es \u2013 h\u00e1 tanto tempo que j\u00e1 nem se lembra da terra de onde era &#8211; e finalmente encontra um port\u00e3o com a promessa de que, do outro lado, h\u00e1 um mundo melhor.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No entanto, para passarem o port\u00e3o ter\u00e3o de renunciar \u00e0 sua cultura e \u00e0 sua l\u00edngua e mesmo isso poder\u00e1 n\u00e3o ser suficiente para passarem para l\u00e1 do s\u00edtio onde acaba a estrada.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u00c9 este o mote de \u201cAqui, onde acaba a estrada\u201d, pe\u00e7a escrita e encenada por Igor Lebreaud, que fala da viol\u00eancia das fronteiras, da ideia do outro, do que \u00e9 ou n\u00e3o \u201ccivilizado\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No palco, o port\u00e3o assume-se como um dos poucos elementos de cenografia do espet\u00e1culo, uma sexta personagem, para al\u00e9m dos tr\u00eas refugiados, do guarda do port\u00e3o e do \u201cProfessor\u201d, que assume a chefia da fronteira e determina quem pode ou n\u00e3o entrar &#8211; ali\u00e1s, quem \u00e9 ou n\u00e3o civilizado.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO port\u00e3o \u00e9 a sexta personagem. Tem uma identidade muito forte no texto e no espet\u00e1culo. O port\u00e3o \u00e9 o sistema, \u00e9 a mega-estrutura\u201d, disse \u00e0 ag\u00eancia Lusa Igor Lebreaud, apontando para o port\u00e3o tamb\u00e9m como elemento artificial que determina uma fronteira, uma divis\u00e3o artificial entre territ\u00f3rios.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Diante do port\u00e3o, a fam\u00edlia de tr\u00eas refugiados \u00e9 obrigada a um processo de ren\u00fancia da sua cultura e l\u00edngua, para tentarem passar.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cQueria abordar esta ideia de que mesmo atingindo a dita civiliza\u00e7\u00e3o continuam a ser estrangeiros. T\u00eam de deixar tudo para tr\u00e1s e, mesmo que passem, mesmo que entrem, mesmo que os aceitemos, nunca ser\u00e3o iguais a n\u00f3s\u201d, notou o encenador.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O ator que est\u00e1 na companhia desde 2009 tem nesta pe\u00e7a a sua primeira \u201caventura\u201d como dramaturgo, um texto que surgiu em 2018, \u201cdurante uma certa ressaca pessoal da crise dos refugiados da S\u00edria\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cH\u00e1 esta coisa de querer afastar o outro, de apontar o dedo ao outro &#8211; at\u00e9 de criar o conceito do outro para legitimar quem sou e tudo isso j\u00e1 andava na minha cabe\u00e7a h\u00e1 muito tempo. Simplesmente isto foi a maneira de poder falar sobre isso, partindo do que estava a dar diariamente na televis\u00e3o\u201d, referiu.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No entanto, a pe\u00e7a situa-se num local e tempo indeterminado e os refugiados falam uma l\u00edngua \u201cinventada\u201d \u2013 um cruzamento de v\u00e1rias l\u00ednguas propositadamente europeias, como o italiano, o alem\u00e3o ou o latim.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para a cria\u00e7\u00e3o do texto, o ator s\u00f3 tinha a imagem de uma fam\u00edlia que chega a um port\u00e3o, no meio de um deserto, a arrastar uma caixa, e o t\u00edtulo da pe\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em tr\u00eas dias, saiu o primeiro rascunho, que foi alvo de sucessivas revis\u00f5es, referiu.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Depois de partilhar a pe\u00e7a com os colegas, o diretor da companhia, Ant\u00f3nio Augusto Barros, acabou por desafiar Igor Lebreaud a encenar o texto.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Entretanto, o ator j\u00e1 est\u00e1 a rever outros dois textos e admite ter \u201cmais algumas coisas que ainda est\u00e3o a crescer\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Sobre se poder\u00e3o tamb\u00e9m esses ser encenados na companhia onde est\u00e1 h\u00e1 14 anos, Igor Lebreaud recusa criar grandes expectativas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cTalvez\u2026 se n\u00e3o me tiver portado muito mal\u201d, brinca.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A pe\u00e7a \u00e9 interpretada por Ana Teresa Santos, Hugo In\u00e1cio, Margarida Dias, Miguel Magalh\u00e3es e Ricardo Kalash.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cAqui, onde acaba a estrada\u201d estar\u00e1 em cena no Teatro da Cerca de S\u00e3o Bernardo, em Coimbra, at\u00e9 16 de outubro, todas as semanas, entre quinta-feira e domingo.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Os bilhetes custam entre cinco e dez euros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Escola da Noite estreia na quinta-feira, em Coimbra, \u201cAqui, onde acaba a estrada\u201d, uma pe\u00e7a do ator da companhia Igor Lebreaud, que fala das migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, do conceito do outro e de fronteiras.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":246711,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39,31],"tags":[40,2468,8158,2614,1994],"class_list":["post-246707","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coimbra-2","category-geral","tag-coimbra","tag-escola-da-noite","tag-migracoes","tag-peca","tag-teatro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246707\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}