{"id":246769,"date":"2022-09-28T11:42:24","date_gmt":"2022-09-28T10:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=246769"},"modified":"2022-09-28T11:42:24","modified_gmt":"2022-09-28T10:42:24","slug":"opiniao-coimbra-e-o-metrobus-5-questoes-essenciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-coimbra-e-o-metrobus-5-questoes-essenciais\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Coimbra e o MetroBUS: 5 quest\u00f5es essenciais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-205680 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na semana passada, na celebra\u00e7\u00e3o da Semana Europeia da Mobilidade, foi assinada a consigna\u00e7\u00e3o da empreitada de constru\u00e7\u00e3o do tro\u00e7o do MetroBUS entre a zona da Portagem e a esta\u00e7\u00e3o de Coimbra-B. Idealmente, a Metro Mondego \u2013 sociedade an\u00f3nima detida 53% pelo Estado central \u2013 j\u00e1 teria implementado um sistema de metro ligeiro de superf\u00edcie, em carris, entre Serpins (Lous\u00e3) e Coimbra, passando pelo munic\u00edpio de Miranda do Corvo, no in\u00edcio dos anos 2000.<br \/>\nForam precisos mais de vinte anos e uma altera\u00e7\u00e3o profunda ao projeto para que este sistema de mobilidade se comece a tornar palp\u00e1vel. A vers\u00e3o atual, apresentada pelo Governo Central em 2017 (uns poucos meses antes das elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas), trocou a solu\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria por um sistema rodovi\u00e1rio, renomeado como MetroBUS, e efetuou breves \u201ccortes\u201d no tra\u00e7ado\/cobertura do servi\u00e7o, o que resultou numa diminui\u00e7\u00e3o significativa do investimento.<br \/>\nAntes de mais, note-se que as obras s\u00e3o lan\u00e7adas, n\u00e3o pela Metro Mondego nem pelos Munic\u00edpios envolvidos, mas sim pela Infraestruturas de Portugal (IP) \u2013 uma empresa do Estado, tutelada pelos Minist\u00e9rios das Infraestruturas e das Finan\u00e7as. \u00c9 tamb\u00e9m fundamental ter em mente que este projeto procura servir a popula\u00e7\u00e3o com o melhor sistema de transportes poss\u00edvel (um objetivo operacional) mas tem tamb\u00e9m objetivos estrat\u00e9gicos, de promo\u00e7\u00e3o do ordenamento do territ\u00f3rio, da regenera\u00e7\u00e3o urbana e da competitividade territorial. Para al\u00e9m disso, projetos deste tipo t\u00eam de ser analisados \u00e0 luz de v\u00e1rios crit\u00e9rios, como a melhoria da acessibilidade, a responsabilidade ambiental, o desenvolvimento s\u00f3cio-econ\u00f3mico, entre outros. N\u00e3o h\u00e1, portanto, uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica e perfeita; mas sim v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es de compromisso.<br \/>\nAtualmente em fase de plena execu\u00e7\u00e3o, as obras s\u00e3o cada vez mais vis\u00edveis. As perturba\u00e7\u00f5es come\u00e7am tamb\u00e9m a ser sentidas de forma mais direta. E, com elas, surgem novas quest\u00f5es e contesta\u00e7\u00e3o. De seguida, analiso o projeto segundo cinco quest\u00f5es essenciais.<br \/>\n1. N\u00e3o se deveria manter a solu\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria? O sistema MetroBUS baseia-se em ve\u00edculos rodovi\u00e1rios, articulados, el\u00e9tricos, e com guiamento \u00f3tico. N\u00e3o s\u00e3o meros autocarros, \u00e9 todo um novo sistema, avan\u00e7ado e moderno. Trata-se de uma solu\u00e7\u00e3o semelhante a um metro ligeiro no que diz respeito ao sistema de energia, de comunica\u00e7\u00f5es, e de seguran\u00e7a. No entanto, nos tro\u00e7os interurbanos, dever\u00e1 ter uma velocidade de circula\u00e7\u00e3o um pouco inferior \u00e0 solu\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. Nesta fase do projeto, j\u00e1 com obras em execu\u00e7\u00e3o, seria vi\u00e1vel tentar for\u00e7ar uma solu\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria?<br \/>\n2. Como fazer a liga\u00e7\u00e3o entre Coimbra-B e o centro da cidade? A solu\u00e7\u00e3o MetroBUS prev\u00ea uma liga\u00e7\u00e3o ao centro, com duas paragens nas imedia\u00e7\u00f5es da esta\u00e7\u00e3o de Coimbra-A. As paragens Aeminium e Loja do Cidad\u00e3o ir\u00e3o funcionar em complementaridade, neste local em que o tra\u00e7ado faz um T, devido ao entroncamento da Linha do Hospital na Linha da Lous\u00e3. Dos v\u00e1rios argumentos de quem defende a manuten\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio, o mais pertinente \u00e9 que o comboio atual tem maior capacidade ( 250 lugares) que o futuro sistema MetroBUS ( 150 lugares). Este facto tem de ser lido em conjunto com outras vertentes. Quantos dos passageiros que chegam a Coimbra-B t\u00eam o seu destino final na Baixa e quantos se deslocam (ou poder\u00e3o vir a deslocar-se) para outros locais da cidade? A atual linha ferrovi\u00e1ria termina em Coimbra-A, servindo bem quem se desloca para a Baixa mas obrigando todos os restantes passageiros a um transbordo. O MetroBUS permitir\u00e1 ligar diretamente Coimbra-B \u00e0 zona da Universidade e ao Hospital, sem transbordos, com uma frequ\u00eancia de 5 minutos na hora de ponta da manh\u00e3. O que ser\u00e1 prefer\u00edvel: um transbordo em Coimbra-A ou uma viagem direta de Coimbra-B at\u00e9 ao CHUC? Para al\u00e9m disso, enquanto a linha ferrovi\u00e1ria \u00e9 uma barreira intranspon\u00edvel, o canal de circula\u00e7\u00e3o do MetroBUS poder\u00e1 ser facilmente atravessado, a p\u00e9, abrindo definitivamente a Baixinha \u00e0 conviv\u00eancia com o Rio Mondego. Que op\u00e7\u00e3o ter\u00e1 mais potencial de alavancar a regenera\u00e7\u00e3o urbana da Baixa?<br \/>\n3. A esta\u00e7\u00e3o de Coimbra-B conseguir\u00e1 albergar comboios, MetroBUS, alta velocidade (quando e se a houver) e outros modos? A reformula\u00e7\u00e3o prevista para Coimbra-B permite acomodar o MetroBUS e inclui a constru\u00e7\u00e3o de uma passagem inferior para acesso \u00e0s linhas ferrovi\u00e1rias; n\u00e3o \u00e9 uma verdadeira esta\u00e7\u00e3o intermodal e poder\u00e1 n\u00e3o permitir receber a alta velocidade. Por \u201cpress\u00e3o\u201d da C\u00e2mara Municipal de Coimbra (CMC), a IP promoveu a revis\u00e3o do plano de urbaniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea envolvente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de Coimbra-B, com o objetivo de ali implantar uma verdadeira esta\u00e7\u00e3o intermodal e de efetuar um arranjo urban\u00edstico nesta \u201cporta de entrada\u201d da cidade. Ser\u00e1 que Coimbra necessita mesmo de uma esta\u00e7\u00e3o intermodal ou poder\u00e1 ficar a ver os comboios passar?<br \/>\n4. E o MetroBUS n\u00e3o serve a Universidade? O projeto inicial previa uma paragem um pouco abaixo das escadas monumentais, seguindo depois pela \u201crotunda do Papa\u201d e atravessando o Jardim da Sereia at\u00e9 Celas. O projeto atual procura servir a Universidade com uma paragem junto ao TAGV, circundando depois a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, e subindo a Rua Louren\u00e7o de Almeida Azevedo em dire\u00e7\u00e3o a Celas. Assim, foi eliminado um \u201cla\u00e7o\u201d do tra\u00e7ado, que apresentava alguma complexidade de implementa\u00e7\u00e3o, e reduzidos custos. Por outro, a zona da Alta e da Universidade ficar\u00e1 menos bem servida. Qual a melhor op\u00e7\u00e3o?<br \/>\n5. O MetroBUS vai destruir o patrim\u00f3nio arb\u00f3reo de Coimbra? Por v\u00e1rias raz\u00f5es, sendo a principal uma quest\u00e3o de (falta de) espa\u00e7o, o tra\u00e7ado do MetroBUS implica mudan\u00e7as nos arruamentos e o abate de \u00e1rvores. Note-se que o MetroBUS tem duas vias, uma em cada sentido, enquanto que o antigo canal ferrovi\u00e1rio corresponde a apenas uma via pois a automotora circulava para a frente e para tr\u00e1s. O abate recente dos derradeiros pl\u00e1tanos da Av. Em\u00eddio Navarro causou uma compreens\u00edvel e significativa agita\u00e7\u00e3o social. O projeto sempre previu a substitui\u00e7\u00e3o de cada \u00e1rvore abatida por outra. Mas uma \u00e1rvore jovem n\u00e3o substitui pl\u00e1tanos maduros e volumosos. Por este motivo, a Metro Mondego desenvolveu, em conjunto com a CMC, um Plano de Refor\u00e7o da Estrutura Arb\u00f3rea que prev\u00ea ent\u00e3o a planta\u00e7\u00e3o de 3 \u00e1rvores por cada uma abatida. Qual a melhor alternativa?<br \/>\nTermino, lan\u00e7ando um desafio ao leitor: se tivesse poder de decis\u00e3o e pudesse resolver uma, mas apenas uma, das quest\u00f5es acima, qual escolheria?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jo\u00e3o Bigotte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":205680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1091,100],"class_list":["post-246769","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-joao-bigotte","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246769\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}