{"id":247390,"date":"2022-10-07T15:28:18","date_gmt":"2022-10-07T14:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=247390"},"modified":"2022-10-07T15:28:18","modified_gmt":"2022-10-07T14:28:18","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-trendy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-trendy\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 Mesa com Portugal \u2013 Trendy"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Olga-Cavaleiro-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-244330\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Olga-Cavaleiro-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\"\/><\/a><\/p>\n<p>Adoro o lado divertido da cozinha, irrita-me o lado fancy, trendy e outras tantas coisas em que o erudito se mistura com o popular e fica kitsch, apalermado, entre o maravilhoso e o parolo. A cozinha est\u00e1 se a transformar numa ind\u00fastria e parece que \u00e9 pior que a tv. P\u00e9ssimo!<\/p>\n<p>A forma como a sociedade rejubila perante o poder da comida \u00e9, por vezes, enternecedor, contudo irrita quando percebemos que \u00e9 como na pol\u00edtica, n\u00e3o interessa quem faz, interessa quem comenta e sabe usar a pose. Sinto que a gastronomia que vem a lume, deixou de ser, para passar a parecer. \u00c9 como se, cada vez mais, estivesse presa num ret\u00e2ngulozinho onde imagens e palavras passam com discurso encomendado.<\/p>\n<p>Eu sei que sim, que faz parte da necessidade de gerar dinheiro, de associar patrocinadores de peso, de conseguir direito de antena, at\u00e9 de gerar respeito pelas profiss\u00f5es associadas. Mas no meio de tudo isto, sinto um ambiente parasit\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o a algo que deveria, antes de mais, ser genu\u00edno, alimentar-nos o f\u00edsico ao mesmo tempo que nos preenche a alma.<\/p>\n<p>\u00c9 como as ag\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o. Estudam as tend\u00eancias, analisam a onda e depois constroem o cen\u00e1rio e o discurso, mas n\u00e3o devia ser assim. No tanto que h\u00e1 para fazer pela gastronomia portuguesa \u00e9 uma perda de tempo, irmos atr\u00e1s da tend\u00eancia esquecendo a ess\u00eancia. Sim, porque a tend\u00eancia cumpre des\u00edgnios pessoas e promove personalidades. J\u00e1 a ess\u00eancia, o n\u00facleo, o \u00e2mago, faz crescer regi\u00f5es, ajuda a preservar paisagens, pode dar felicidade \u00e0s pessoas e renovar comunidades.<\/p>\n<p>At\u00e9 d\u00f3i perceber como as tend\u00eancias arrastam multid\u00f5es sem ningu\u00e9m questionar o que temos \u00e0 frente. Como dizia uma amiga minha, agora, estamos na era do pote. Quanto mais negro pelo fumo, melhor, e at\u00e9 se fala de como a capa de gordura que se cria no seu interior faz com que a comida saiba diferente. Mas, j\u00e1 tivemos a era da cataplana. E j\u00e1 saltitamos pela era da telha. Daqui a nada, estamos na era da sert\u00e3 e l\u00e1 vamos ouvir o regurgitar das mem\u00f3rias da m\u00e3e, da av\u00f3, da tia e da prima e da dita sert\u00e3. Sim, porque a era do pote est\u00e1 a acabar e deixar de render.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, sinto que andamos \u00e0 procura do Santo Graal da Cozinha desbaratando o que ela tem de bonito e de genu\u00edno, extenuando o fil\u00e3o. E, tal como nos programas de tv, deixamos que os que conduzem as tend\u00eancias peguem na realidade e fa\u00e7am dela uma pe\u00e7a de teatro. Os adere\u00e7os que importam, as palavras necess\u00e1rias, as mem\u00f3rias de fazer chorar as pedras da cal\u00e7ada, a roupa, o estilo e a pose carregada de interven\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Sinceramente? J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 paci\u00eancia para tanta tend\u00eancia. A cozinha e a gastronomia devem estar no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olga Cavaleiro, Investigadora em Hist\u00f3ria e Cultura gastron\u00f3mica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":244330,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[894,100],"class_list":["post-247390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-olga-cavaleiro","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=247390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247390\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=247390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=247390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=247390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}