{"id":248584,"date":"2022-10-24T14:09:25","date_gmt":"2022-10-24T13:09:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=248584"},"modified":"2022-10-24T14:09:25","modified_gmt":"2022-10-24T13:09:25","slug":"opiniao-consumo-corrente-marcas-brancas-e-as-preferencias-que-ora-concitam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-consumo-corrente-marcas-brancas-e-as-preferencias-que-ora-concitam\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Consumo corrente: \u2018marcas brancas\u2019 e as prefer\u00eancias que ora concitam"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/mario-frota-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-248583 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/mario-frota-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>O \u201dLe Figaro\u201d, de s\u00e1bado \u00faltimo, editado na Cidade Luz, oferecia aos seus leitores dados com efectiva express\u00e3o a prop\u00f3sito do actual momento em que a carestia atinge os produtos das fileiras do agro-alimentar nos distintos segmentos do mercado de consumo.<br \/>\nE a\u00ed se dizia:<br \/>\n\u201cOs consumidores preferem estes r\u00f3tulos 24% a pre\u00e7os mais moderados do que os das grandes marcas.\u201d<br \/>\n\u201cMarque rep\u00e8re\u201d (Leclerc), \u201cReflets de France\u201d (Carrefour) e \u201cP\u00e2turages\u201d (Intermarch\u00e9) s\u00e3o quase t\u00e3o conhecidos pelos clientes destas marcas como Danone, Lu ou Nestl\u00e9.<br \/>\nAp\u00f3s um per\u00edodo de desinteresse, a popularidade das marcas privadas aumentou acentuadamente. Durante a crise sanit\u00e1ria, os consumidores tinham procurado conforto e tranquilidade junto das suas marcas nacionais favoritas. Nutella, Pr\u00e9sident e Caprices des Dieux&#8230; raramente se tinham sa\u00eddo t\u00e3o bem.<br \/>\nMas as prioridades dos consumidores mudaram. Com o aumento dos pre\u00e7os nos supermercados, o pre\u00e7o tornou-se mais uma vez o principal crit\u00e9rio de compra. No entanto, as marcas privadas s\u00e3o 24% mais baratas do que a m\u00e9dia dos produtos vendidos nos supermercados.\u201d<br \/>\nO facto \u00e9 que \u00e9 surpreendente o que ocorre com os pre\u00e7os dos produtos do cabaz elementar e os inesperados lucros das empresas da grande distribui\u00e7\u00e3o alimentar, os tais \u201clucros ca\u00eddos dos c\u00e9us\u201d, que os governos e, em particular, o que remanesce entre n\u00f3s, relutam em \u201ctaxar\u201d.<br \/>\nRelutam em taxar e, perante os efeitos da beliger\u00e2ncia ocorrente que tudo condiciona, mostram-se indiferentes e relapsos no que tange \u00e0 limita\u00e7\u00e3o das margens de lucro num cabaz alimentar que importaria se aferisse em fun\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas de cada um e todos e de uma dieta nacional desenhada em fun\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de base cient\u00edfica que f\u00e1cil seria decerto descortinar e definir\u2026<br \/>\nSe a t\u00e3o decantada \u201cresponsabilidade social\u201d tivesse conte\u00fado, decerto que as ins\u00edgnias de renome (que partilham quase que de modo concertado, entre si, o mercado) n\u00e3o apresentariam pre\u00e7os t\u00e3o especulativos que n\u00e3o escolhem o universo alvo a que se dirigem: paga por uma lata de atum tanto o pobre como o rico. E o atum, para al\u00e9m dos lucros que proporciona e da redufla\u00e7\u00e3o que eventualmente tende a envolv\u00ea-lo, encarece mais ainda porque em raz\u00e3o dos desvios a que se exp\u00f5e, por ser produto popular que pode ser confeccionado de mil maneiras, tem de vir com um alarme anti-furto para que a mole imensa dos que \u00e0 m\u00edngua de meios intentam dessa forma iludir a fome sejam barrados \u00e0 sa\u00edda das caixas para que apresentem contas \u00e0 Justi\u00e7a\u2026<br \/>\nAo menos se os detivessem por longo tempo, poderiam as v\u00edtimas da fome comer, nesse \u00ednterim, \u00e0 conta das sopas do pres\u00eddio, mas libertam-nos de seguida, a aguardar julgamento, para que a \u201cfamina\u201d os devore\u2026 E nem sequer as escusas do Chefe de Estado [\u00e0 semelhan\u00e7a de um seu predecessor que jurava a p\u00e9s juntos que os portugueses n\u00e3o s\u00e3o nem corruptos nem tratam por tu a corrup\u00e7\u00e3o\u2026] \u2013 com o fundamento de que somos todos honestos e bem comportados &#8211; colhem porque, afinal, n\u00e3o se \u201cfaz m\u00e3o baixa\u201d a produtos sumptu\u00e1rios, mas a coisas t\u00e3o elementares como a uma carca\u00e7a ou uma lata de atum.<br \/>\nAli\u00e1s, at\u00e9 talvez tenha raz\u00e3o o primeiro magistrado da na\u00e7\u00e3o. Se quem tem fome se juntasse aos magotes e hordas indefinidas fizessem \u2018arrast\u00f5es\u2019 aos bancos ou aos hipermercados, esvaziando-lhes cofres fortes e g\u00f4ndolas para depois se locupletarem com os proveitos dos roubos e das vendas, talvez o fen\u00f3meno pudesse ser perspectivado de modo diferente\u2026<br \/>\nS\u00e3o t\u00e3o in\u00e1beis os pobres que se limitam, com efeito, a fazer \u2018m\u00e3o baixa\u2019 a coisas insignificantes, mas que exigem, afinal, redobrados cuidados de seguran\u00e7a: n\u00e3o a seguran\u00e7a intr\u00ednseca do produto analisada pela sua composi\u00e7\u00e3o (em momento em que a deprecia\u00e7\u00e3o qualitativa dos produtos, como o proclama a Comiss\u00e3o Europeia, se acha em voga e urge combater veementemente\u2026), mas a seguran\u00e7a f\u00edsica do produto, n\u00e3o v\u00e1 algu\u00e9m subtra\u00ed-lo para matar a barriga da fome!<br \/>\nQuantas latas de atum cabem nos t\u00e3o decantados 125 \u20ac de \u201cb\u00f3nus\u201d, como todos lhes chamam, que os meios se habituaram a fazer coro com o Governo, que mais n\u00e3o s\u00e3o, repartidos pelos 12 meses do ano, que meros 10,40\u20ac \/m\u00eas?<br \/>\nSim, 10,40 \u20ac, que os fazedores da imagem do Governo convertem em valor de \u201cencher o olho\u201d, como se fora creditado em conta m\u00eas a m\u00eas o montante global ora atribu\u00eddo\u2026<br \/>\nOs c\u00e1lculos ser\u00e3o, com efeito, simples de fazer:<br \/>\nUma lata de atum (posta) de 250 gr, peso l\u00edquido (tamanho familiar?), custa cerca de 4,70 \u20ac; logo, o famigerado \u201cb\u00f3nus\u201d mensal d\u00e1 para 2, 2 latas\u2026<br \/>\nSe for de uma das marcas tradicionais, em lim\u00e3o e jindungo, por exemplo, ao pre\u00e7o por unidade de 2,90 \u20ac, sempre se leva para casa quase 3 latas e meia\u2026 para o consumo do m\u00eas!<br \/>\nSe em vez de atum se apontar para o bacalhau (o eterno mito do alimento dos pobres, dadas as mil e uma maneiras de o confeccionar, poupando-o na mistura com outros ingredientes), os 10,40\u20ac j\u00e1 n\u00e3o chegam para um quilo do gra\u00fado (de 12,00 a 13,00 \u20ac\/ Kg) \u2026 antes para o escamudo\u2026 que \u00e9 uma esp\u00e9cie \u2018degenerativa\u2019 que esp\u00edritos menos despertos e atreitos \u00e0s sugest\u00f5es e embustes confundem com a original!<br \/>\nOs poderes tendem a dissimular o clima envolvente, fazendo crer que o mercado funciona normalmente [e n\u00e3o se pode afrontar o sistema de economia de mercado, qual dogma irremov\u00edvel\u2026] quando os condicionamentos s\u00e3o de monta e se reflectem designadamente nos pre\u00e7os, como a ningu\u00e9m escapa!<br \/>\nCondicionar as margens no com\u00e9rcio por grosso e no retalho, como se faz em circunst\u00e2ncias an\u00e1logas, n\u00e3o \u00e9 crime contra o mercado em linha concorr\u00eancia.<br \/>\nCrime \u00e9 ignorar o momento, as circunst\u00e2ncias, e remeter os pobres para os furtos envergonhados da carca\u00e7a e da lata de atum!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de M\u00e1rio Frota<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":248583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[976,100],"class_list":["post-248584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-mario-frota","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248584\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}