{"id":248759,"date":"2022-10-26T11:23:18","date_gmt":"2022-10-26T10:23:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=248759"},"modified":"2022-10-26T11:23:18","modified_gmt":"2022-10-26T10:23:18","slug":"opiniao-estacao-velha-desta-vez-nao-e-sarcasmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-estacao-velha-desta-vez-nao-e-sarcasmo\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Esta\u00e7\u00e3o Velha. Desta vez n\u00e3o \u00e9 sarcasmo."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-248761 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Agosto de 2015 escrevi n\u2019As Beiras uma nota sarc\u00e1stica de agradecimento \u00e0 IP, Infraestruturas de Portugal, por ter feito um press release a informar que se preparava para reabilitar o piso superior da Esta\u00e7\u00e3o de Coimbra B, arranjar o telhado, pintar e substituir as caixilharias.<br \/>\nEm Outubro de 2022, no final da passada semana, fui agradavelmente surpreendido pela not\u00edcia, difundida pela Lusa, da visita do Arquitecto Juan Busquets a Coimbra para lan\u00e7ar as premissas essenciais da revis\u00e3o do plano de 2010, que previa a liga\u00e7\u00e3o do centro da cidade \u00e0 nova Esta\u00e7\u00e3o Velha. Mesmo cingindo-me \u00e0quilo que foi difundido, um conjunto de generalidades como \u00e9 natural nesta fase, gostaria de comentar o que, no meu entender, se pode depreender nas entrelinhas.<br \/>\nEm primeiro lugar, estamos em face de uma figura de plano que se vem afirmando um pouco por todo o mundo e que a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa ainda n\u00e3o codificou. Algo que se pode designar como projecto urbano e que, se quisermos confrontar com a estrutura normativa portuguesa, diremos que responde a um conjunto de des\u00edgnios que nem a obsolesc\u00eancia tosca do loteamento nem a complexa e abstracta vacuidade do plano de pormenor conseguir\u00e3o alguma vez dar resposta. N\u00e3o caber\u00e1 aqui detalhar esses des\u00edgnios, darei nota de dois dos mais significativos:<br \/>\n\u2014 A resposta integrada a uma multiplicidade de investimentos, privados, p\u00fablicos, centrais, regionais ou locais, e n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s inten\u00e7\u00f5es de um investidor ou de um conjunto de investidores associados. Esta caracter\u00edstica permite p\u00f4r a cidade acima de todas essas inten\u00e7\u00f5es de investimento sem deixar de lhes dar uma resposta satisfat\u00f3ria. Torna-os mais \u00fateis \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da cidade, sem deixar que, como tantas vezes acontece, os investimentos isolados se assumam como predadores das caracter\u00edsticas urbanas mais nobres.<br \/>\n\u2014 A arquitectura urbana est\u00e1 presente desde os primeiros momentos, afirma a sua concretude em simult\u00e2neo com os tra\u00e7ados reguladores, n\u00e3o aparece s\u00f3 no final, a ornamentar e conferir volume \u00e0s linhas abstractas e \u00e0s normas algor\u00edtmicas definidas no plano previamente aprovado. Isto permite, para al\u00e9m do mais, que as\/os cidad\u00e3s\/\u00e3os mais interessadas\/os possam ser confrontadas\/os desde o in\u00edcio com esta previs\u00e3o mais concreta do futuro.<br \/>\nEm segundo lugar, e voltando \u00e0 nota de imprensa divulgada, h\u00e1 alguns pressupostos que, n\u00e3o sendo a\u00ed explicitamente proclamados, eu gostaria de salientar:<br \/>\n\u2014 A necessidade de conferir dignidade urbana ao n\u00f3 da Casa do Sal e \u00e0 entrada na Mata Nacional do Choupal, pode ser que este des\u00edgnio leve a tutela do parque a trat\u00e1-lo melhor e a reabilit\u00e1-lo de forma mais condigna do que o tem feito at\u00e9 aqui.<br \/>\n\u2014 A inten\u00e7\u00e3o de levar o centro da cidade at\u00e9 \u00e0 nova central intermodal pressup\u00f5e necessariamente a articula\u00e7\u00e3o entre os espa\u00e7os constru\u00eddos e os espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o. Ora, se os espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o s\u00e3o eminentemente urbanos, dedicando-se prioritariamente a transportes em comum, pe\u00f5es e ciclistas, os espa\u00e7os edificados, mesmo os privados, dever\u00e3o de igual modo submeter-se \u00e0 exig\u00eancia de arquitecturas eminentemente urbanas, qualificadas tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o desse des\u00edgnio primordial de expandir o centro da cidade para norte. Quase todas as oportunidades de expandir o centro da cidade t\u00eam falhado essa possibilidade, dado o \u00edndice construtivo e o tipo de arquitectura eminentemente suburbana que preenche os lotes resultantes (Av. da Guarda Inglesa, Rua do Padr\u00e3o\/ Monte Formoso, etc.). Neste plano, isso \u00e9 coisa que jamais poder\u00e1 acontecer.<br \/>\nMas independentemente de tudo o que subjaz a esta not\u00edcia, e por ser justo que aqui o fa\u00e7a, n\u00e3o quero deixar de afirmar a diferen\u00e7a abissal entre a atitude de 2015, em que o que se pedia era \u201cobras na Esta\u00e7\u00e3o Velha\u201d e o que se obtinha era a promessa de pintura e reabilita\u00e7\u00e3o das caixilharias e do telhado. N\u00e3o quero deixar de dizer, agora sem qualquer ponta de sarcasmo, que a cidade deve estar grata \u00e0 Infraestruturas de Portugal por ter entendido a grandeza e a import\u00e2ncia deste plano para o futuro de Coimbra e para a dignifica\u00e7\u00e3o da ferrovia, como meio de transporte futurante e competitivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":248761,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2951,100],"class_list":["post-248759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-antonio-bandeirinha","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248759"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248759\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}