{"id":248767,"date":"2022-10-26T11:24:48","date_gmt":"2022-10-26T10:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=248767"},"modified":"2022-10-26T11:24:48","modified_gmt":"2022-10-26T10:24:48","slug":"opiniao-a-relevancia-da-futura-estacao-intermodal-de-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-relevancia-da-futura-estacao-intermodal-de-coimbra\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A relev\u00e2ncia da futura esta\u00e7\u00e3o intermodal de Coimbra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Joao-Bigotte-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-248763 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Joao-Bigotte-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>No final da semana passada, o arquiteto Joan Busquets veio a Coimbra apresentar a sua vis\u00e3o preliminar para o plano de urbaniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea envolvente \u00e0 futura esta\u00e7\u00e3o intermodal de Coimbra, que ser\u00e1 uma revis\u00e3o do plano de 2010, tamb\u00e9m da sua autoria. Em rela\u00e7\u00e3o ao enquadramento do projeto, salientou que apesar de a Esta\u00e7\u00e3o de Coimbra-B possuir uma posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica central no munic\u00edpio, aparenta estar \u201cafastada\u201d de tudo, em particular, da cidade de Coimbra, devido \u00e0s atuais defici\u00eancias na liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Baixa e \u00e0 fraca utiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico sob o viaduto do IC2. Estes ser\u00e3o, portanto, dos principais desafios a resolver. Joan Busquets perspetiva a regenera\u00e7\u00e3o desta entrada norte de Coimbra com base em dois princ\u00edpios fundamentais: uma renovada hierarquiza\u00e7\u00e3o dos modos de mobilidade, passando a dar maior prioridade \u00e0 mobilidade suave (a p\u00e9, de bicicleta ou trotinete) e aos transportes p\u00fablicos (SMTUC, MetroBUS, etc.) do que ao autom\u00f3vel, e o estabelecimento de novos \u201ccorredores verdes\u201d.<br \/>\nEstes princ\u00edpios ser\u00e3o materializados em, pelo menos, tr\u00eas a\u00e7\u00f5es principais. A \u201caproxima\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0 Baixa passar\u00e1 pela consolida\u00e7\u00e3o de um eixo de grande qualidade urban\u00edstica entre a Av. Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es e a Esta\u00e7\u00e3o, com refor\u00e7o da liga\u00e7\u00e3o pedonal e em modos suaves, acompanhado da cria\u00e7\u00e3o de uma \u201ccortina verde\u201d ao longo do viaduto. Para al\u00e9m da arboriza\u00e7\u00e3o deste eixo urbano, prev\u00ea um outro corredor verde, para efetuar uma conex\u00e3o cont\u00ednua, entre o Choupal e o Vale de Coselhas. No que diz respeito \u00e0 esta\u00e7\u00e3o propriamente dita, Joan Busquets defende que dever\u00e1 ser um edif\u00edcio arquitetonicamente \u201cexcecional\u201d.<br \/>\nPor que raz\u00e3o \u00e9 que a esta\u00e7\u00e3o intermodal e o plano de urbaniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios?<br \/>\nA seguir a Lisboa e Porto, Coimbra \u00e9 o mais importante hub de transportes nacional, pois articula a liga\u00e7\u00e3o entre o Litoral e Interior da Regi\u00e3o Centro e desta com as restantes regi\u00f5es nacionais, com destaque para as \u00e1reas metropolitanas de Lisboa e Porto. Note-se que, de todas as regi\u00f5es portuguesas, a Regi\u00e3o Centro \u00e9 a que possui o Interior mais desenvolvido e inclui a principal porta de entrada do pa\u00eds por via terrestre, em Vilar Formoso. A relev\u00e2ncia do hub de Coimbra torna-se evidente atrav\u00e9s da an\u00e1lise das infraestruturas e dos servi\u00e7os de transporte nele oferecidos. Em termos rodovi\u00e1rios, efetua a conex\u00e3o entre o principal eixo nacional Norte-Sul (a autoestrada A1 ) e um dos mais relevantes itiner\u00e1rios principais Litoral-Interior (IP3, que h\u00e1 muito deveria ter sido transformado em autoestrada!). Na ferrovia, permite a liga\u00e7\u00e3o da Linha do Norte \u00e0 Linha da Beira Alta (na Pampilhosa do Bot\u00e3o, Mealhada). No que diz respeito aos servi\u00e7os de transporte e tomando a Rede Nacional de Expressos como exemplo, Coimbra possui mais liga\u00e7\u00f5es di\u00e1rias a Lisboa e Porto que as restantes capitais de distrito do Litoral juntas (Coimbra tem 62, enquanto Leiria tem 32, e Aveiro 21 ). Coimbra possui tamb\u00e9m muitos mais servi\u00e7os di\u00e1rios ( 14 ) para Viseu (que, da\u00ed, seguem para a Guarda e a Covilh\u00e3). Assim, a discrep\u00e2ncia de valores face a Aveiro e Leiria deve-se, em grande parte, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que Coimbra estabelece com a Beira Alta e a Serra da Estrela, e \u00e0 necessidade de conex\u00e3o destas com o Litoral e as \u00e1reas metropolitanas de Lisboa e Porto. Acresce que Coimbra e a Beira Interior possuem uma rela\u00e7\u00e3o umbilical e hist\u00f3rica, nas mais variadas dimens\u00f5es (social, econ\u00f3mica, etc.), muito para al\u00e9m dos transportes. Rela\u00e7\u00e3o essa que se mant\u00e9m bem presente e que dever\u00e1 ser refor\u00e7ada no futuro.<br \/>\nPor estas raz\u00f5es se percebe que a relev\u00e2ncia da futura esta\u00e7\u00e3o intermodal em Coimbra-B ultrapassa em muito as fronteiras e o \u00e2mbito conimbricenses e se afigura como uma importante obra nacional na \u00e1rea dos transportes e mobilidade.<br \/>\nEsta nova esta\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 servida pela futura linha ferrovi\u00e1ria de alta velocidade, ser\u00e1 fundamental para a Regi\u00e3o Centro e para as popula\u00e7\u00f5es do Interior, por vezes t\u00e3o esquecidas. Dever\u00e1 ser, portanto, um des\u00edgnio da Regi\u00e3o Centro, que esta esta\u00e7\u00e3o permita uma melhor mobilidade, mais sustent\u00e1vel, mais integrada, e mais eficiente. T\u00e3o bom seria que pudesse receber tamb\u00e9m a central rodovi\u00e1ria (atualmente na Av. Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es).<br \/>\nA nova esta\u00e7\u00e3o e o plano de urbaniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m important\u00edssimos para Coimbra. O plano de urbaniza\u00e7\u00e3o vai permitir a reformula\u00e7\u00e3o da estrutura urbana e da rede de transportes desta entrada Norte \u2013 provavelmente, a mais complexa, a mais congestionada e a mais feia entrada em Coimbra \u2013 que \u00e9 fundamental para a cidade. Os princ\u00edpios de planeamento apresentados por Joan Busquets, de privilegiar a mobilidade ativa e sustent\u00e1vel e a cria\u00e7\u00e3o de novos corredores verdes, est\u00e3o alinhados com as boas pr\u00e1ticas das melhores cidades europeias.<br \/>\nNo que diz respeito \u00e0 esta\u00e7\u00e3o propriamente dita, para al\u00e9m de ser um edif\u00edcio funcional que permita a boa integra\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios modos de transporte e a boa circula\u00e7\u00e3o interna de pessoas, dever\u00e1 ser tamb\u00e9m um edif\u00edcio de grande qualidade arquitet\u00f3nica. Tal como a Esta\u00e7\u00e3o do Oriente (em Lisboa), a casa da M\u00fasica (no Porto), ou o Museu Guggenheim (em Bilbau), este novo edif\u00edcio dever\u00e1 afirmar-se como um novo \u00edcone da cidade de Coimbra. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a Ponte Pedro e In\u00eas ter\u00e1 sido a \u00fanica grande obra a conseguir alcan\u00e7ar este estatuto e a marcar positivamente a imagem da cidade \u2013 muito pouco para uma cidade da cultura, do conhecimento e da inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 boa altura de Coimbra se promover pela qualidade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jo\u00e3o Bigotte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":248763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1091,100],"class_list":["post-248767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-joao-bigotte","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248767\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}