{"id":249882,"date":"2022-11-11T11:43:40","date_gmt":"2022-11-11T10:43:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=249882"},"modified":"2022-11-11T11:43:40","modified_gmt":"2022-11-11T10:43:40","slug":"bagagem-descrita-uma-ponte-sobre-o-rio-kwai-tailandia-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/bagagem-descrita-uma-ponte-sobre-o-rio-kwai-tailandia-2016\/","title":{"rendered":"bagagem d\u2019escrita &#8211; Uma ponte sobre o rio Kwai (Tail\u00e2ndia &#8211; 2016)"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_249883\" style=\"width: 955px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2022\/11\/bagagem-descrita-uma-ponte-sobre-o-rio-kwai-tailandia-2016\/14-bagagem-descrita\/\" rel=\"attachment wp-att-249883\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-249883\" class=\"wp-image-249883 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/14-Bagagem-descrita.jpg\" alt=\"\" width=\"945\" height=\"630\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-249883\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Jos\u00e9 Lu\u00eds Santos<\/p><\/div>\n<p>O barulho ensurdecedor do tuk tuk que me leva ainda de <strong>madrugada<\/strong> para a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Noi, em <strong>Banguecoque<\/strong>, ser\u00e1 o meu segundo <strong>despertador<\/strong> para eu acordar de vez. Reparo, em menos de um \u00fanico quil\u00f3metro percorrido, que o verdadeiro acordar surge com a inje\u00e7\u00e3o de <strong>adrenalina<\/strong> que vou apanhando enquanto vou ziguezagueando por esse tr\u00e2nsito infernal sempre a crer que a pr\u00f3xima ultrapassagem ou o virar da esquina ser\u00e3o fatais. O cora\u00e7\u00e3o bate forte, os nervos quase me levam ao descontrolo, mas tudo acaba bem, no destino pretendido.<br \/>\nFa\u00e7o tempo enquanto o comboio n\u00e3o parte. Passeio pelo mercado que se encontra numa zona atarracada que bordeja a esta\u00e7\u00e3o, mas que vale a pena dar uma vista de olhos, nem que seja pelo odor perfumado da fruta fresca que ali se vende e que nos abre o apetite. E \u00e9 assim que, do nada, se d\u00e1 forma e sabor a um pequeno almo\u00e7o improvisado \u00e0 \u00faltima da hora, mas que fica no top 10 dos melhores que me souberam neste pa\u00eds.<br \/>\nNuma das janelas do comboio, um monge budista fitava a paisagem com um sorriso sereno que lhe faz sobressair as rugas que atestam a sua idade avan\u00e7ada. Todo esse cen\u00e1rio me chamou a aten\u00e7\u00e3o, e arrisquei em aproximar-me e a meter conversa. N\u00e3o houve grande comunica\u00e7\u00e3o verbal, mas ficou subentendida a sua simpatia e simplicidade no modo como nos abord\u00e1mos. Muitas vezes, numa viagem comunicamos com desconhecidos sem falar, mas os olhares, os gestos ou um sorriso s\u00e3o muito mais do que suficientes para dois seres humanos se conhecerem e entenderem. Tamb\u00e9m ele ia para o mesmo destino que eu, Kanchanaburi, a cidade que se tornou famosa pela constru\u00e7\u00e3o da ponte sobre o rio Kwai, imortalizada no cinema por David Lean em 1957.<br \/>\nOuve-se finalmente o apito do chefe de esta\u00e7\u00e3o a indicar a partida. Lentamente, os passageiros que estavam c\u00e1 fora para tentar apanhar uma brisa de ar que n\u00e3o fosse t\u00e3o quente e h\u00famida v\u00e3o entrando para as carruagens e o comboio come\u00e7a a mover-se muito lentamente, como que a espregui\u00e7ar-se. Ainda nos primeiros quil\u00f3metros, sinto-me a fazer uma viagem ao passado. A locomotiva apita estrondosamente e avan\u00e7a em plena for\u00e7a ferrovia fora enquanto crian\u00e7as e adultos v\u00e3o acenando efusivamente ao cavalo de ferro e aos seus passageiros.<br \/>\nA alegria de ir \u00e0 janela \u00e9 contagiante, mas pode ser fatal. \u00c0 medida que se vai abandonando o centro da cidade, o n\u00edvel de vida das popula\u00e7\u00f5es vai descendo. As casas, ora parecem cogumelos que brotam no meio da selva pantanosa como s\u00e3o tamb\u00e9m a regra nos terrenos junto \u00e0 linha, com telhas de zinco que quase raspam no comboio, junto \u00e0s janelas, o que nos faz temer pela pr\u00f3pria vida. Nestas quatro horas de viagem veem-se campos de v\u00e1rios tons de terra, junto do habitual fundo verde da selva.<br \/>\nN\u00e3o perdi tempo \u00e0 chegada. Aluguei uma velha bicicleta e pedalei rumo \u00e0 Ponte do rio Kwai, um colosso de a\u00e7o que se estende por v\u00e1rias centenas de metros ao longo de um rio que mudou de nome por causa do filme. Consta que o nome original era Mae Klong, mas os t\u00e9cnicos de Hollywood enganaram-se nesse detalhe e foi assim apresentado. Quando se tornou mundialmente conhecido, o governo tailand\u00eas decidiu ent\u00e3o mudar o seu nome para assim esta ponte estar, de facto, no que a tornou popular. A sua estrutura j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a original, tendo em conta que foi reconstru\u00edda ap\u00f3s os bombardeamentos aliados em 1945, mas parte ainda \u00e9 a de origem. O comboio ainda l\u00e1 passa, experi\u00eancia que viveria dias depois, mas nesse momento a minha satisfa\u00e7\u00e3o foi mesmo contemplar aquela majestosidade, coroada com a beleza natural de todo o espa\u00e7o em redor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Santos<br \/>\nProfessor de Hist\u00f3ria e fot\u00f3grafo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":249883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8483,450,100],"class_list":["post-249882","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-bagagemdeescrita","tag-jose-luis-santos","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249882"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249882\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}