{"id":249938,"date":"2022-11-12T12:43:37","date_gmt":"2022-11-12T11:43:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=249938"},"modified":"2022-11-12T12:43:37","modified_gmt":"2022-11-12T11:43:37","slug":"os-rs-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/os-rs-da-saude\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Os Rs da sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/DIOGO-CABRITA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-205994 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/DIOGO-CABRITA.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\"\/><\/a><\/p>\n<p>O prefixo \u201cre-\u201c causa muitas d\u00favidas referentes ao h\u00edfen. O \u201cre-\u201c pode usar-se com tr\u00eas signific\u00e2ncias: 1- Repetir e por ex. \u201creler\u201d, 2- Refor\u00e7ar como em \u201crebuscar\u201d, 3- Retrocesso como em \u201creverter\u201d e este lembra-nos uma transportadora a\u00e9rea e as PPS. Na gram\u00e1tica n\u00e3o se usa o hifen, mas realmente h\u00e1 regras para o uso do prefixo dependendo das letras que come\u00e7am a palavra prefixada. N\u00e3o viemos a isso.<\/p>\n<p>Os Rs da Sa\u00fade come\u00e7am por ser os de sempre \u2013 Reciclar, Reduzir e Reutilizar. No mundo do neg\u00f3cio da sa\u00fade obstaculizamos estes rs com o s de seguran\u00e7a e o a de assepsia. Hoje o SNS produz incont\u00e1veis toneladas de pl\u00e1sticos e papel num contraciclo com as ideias do planeta sustent\u00e1vel. Deve haver maneira de reduzir o lixo assustador da cirurgia laparosc\u00f3pica. Aos primeiros rs acrescentam-se Repensar e Recusar. Para mim o r ideol\u00f3gico \u00e9 o da recusa, aquele que nos define como um campo de batalha pela cren\u00e7a, pelo engajamento, pela convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recuso gastar tanto papel, recuso imprimir sem necessidade, recuso usar materiais comprados a pa\u00edses de trabalho infantil. A revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 eficaz se for individual, n\u00e3o precisa de solidariedade nem de aplauso. O SNS tem de reduzir os res\u00edduos, tem de construir-se repensando as rotinas, questionando o consumo exagerado e atacando o desperd\u00edcio. O que fazemos do lixo hospitalar? Os hospitais s\u00e3o f\u00e1bricas de sujidade e de lixo. Entram toneladas de alimentos, roupa lavada, \u201cinsumos\u201d como se nomeia no Brasil a utilidades v\u00e1rias, e tudo sai para lavandarias, carros de lixo, vazadouros. O SNS tem de idealizar consumos racionais, reduzir a percentagem de exames que se fazem apenas por teimosia, para desresponsabilizar. Li algures que 85% dos m\u00e9todos complementares de diagn\u00f3stico, realizados no SNS, s\u00e3o normais.<\/p>\n<p>Produtos melhores, que duram mais, que s\u00e3o mais resistentes reduzem o consumo a mais longo prazo. Repensar o empacotamento insano que se processa nos hospitais. Podemos reutilizar as embalagens? Podemos fazer manuten\u00e7\u00e3o do que se desgasta? Podemos substituir os MCDT mais antigos pelas t\u00e9cnicas mais modernas saltando anos de sequ\u00eancias passo a passo que encarecem? Reparar \u00e9 uma importante fun\u00e7\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o pode ser um enorme neg\u00f3cio para l\u00e1 das compras. Os consum\u00edveis s\u00e3o outro lote de gastos no SNS que nos deve focar num consumo consciente. Consertar e produzir autonomamente \u00e9 outro dos caminhos para o SNS emagrecer a despesa. Juntemos a estes rs os de respeito e responsabiliza\u00e7\u00e3o. Responsabilizar os atos e remunerar o trabalho passa exactamente por contabilizar o que se assume, o que se decide, o que se produz. Decidir responsabiliza e tem de ser incentivado. Uma caracter\u00edstica que devia ser remunerada para est\u00edmulo \u00e9 a de reagir. Reagir bem ao imprevisto, satisfazer os clientes ou utentes, com qualidade, com brio.<\/p>\n<p>O SNS devia empenhar-se num a de antecipa\u00e7\u00e3o. Prevenir a doen\u00e7a poderia ser no PRR (plano de recupera\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia) um dos itens favoritos, mas infelizmente s\u00f3 contar\u00e1 com dez milh\u00f5es. Deixamos a obesidade sem pol\u00edticas de evic\u00e7\u00e3o, sem a reforma dos produtos conservantes, corantes e outros indutores. Vamos para os erros de sempre: institucionalizar, investir no tratamento. Os cuidados continuados (mais de 200 milh\u00f5es) deviam ser substitu\u00eddos por cuidados ambulatorizados, para manter as pessoas nas suas casas. Mas aqui o neg\u00f3cio comanda sempre. O Estado ganhava dinheiro em lhes arranjar as comodidades m\u00ednimas em trazer ao processo, os familiares do doente incluindo os que est\u00e3o desempregados.<\/p>\n<p>Pagar e reintegrar no mercado. Reorganizar a estrutura dos encaminhamentos e das referencia\u00e7\u00f5es seria uma forma de minimizar recursos e alcan\u00e7ar mais resultados. Um centro de transplanta\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica seria suficiente. Um centro de tratamento do p\u00e9 diab\u00e9tico seria reabilitador de muitos cidad\u00e3os. A reforma do servi\u00e7o nacional de sa\u00fade \u00e9 uma oportunidade que deveria ser bem delineada<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diogo Cabrita &#8211; m\u00e9dico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":205994,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[548,35,10784,10785],"class_list":["post-249938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-diogo-cabrita","tag-saudedb","tag-sns-reutilizar","tag-transplantacao-hepatica"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}