{"id":250341,"date":"2022-11-17T13:24:52","date_gmt":"2022-11-17T12:24:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=250341"},"modified":"2022-11-17T13:24:52","modified_gmt":"2022-11-17T12:24:52","slug":"opiniao-uma-odisseia-de-duas-decadas-a-orbitar-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-uma-odisseia-de-duas-decadas-a-orbitar-marte\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Uma odisseia de duas d\u00e9cadas a orbitar Marte"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/PEDRO-LACERDA-CRUZ.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-250338 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/PEDRO-LACERDA-CRUZ.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mars Odyssey, baptizada em honra do livro \u201c2001: A Space Odyssey\u201d de Arthur C. Clarke, completou a 24 de Outubro 21 anos em \u00f3rbita do planeta Marte. A sonda det\u00e9m o recorde da sonda h\u00e1 mais tempo em \u00f3rbita de um planeta do sistema solar que n\u00e3o a Terra. Lan\u00e7ada a 7 de Abril de 2001, a Odyssey tem tido um papel fundamental no estudo do planeta vermelho, das suas luas, e at\u00e9 do universo mais distante. A \u00f3rbita da Odyssey, chamada helios\u00edncrona, \u00e9 semelhante \u00e0s dos sat\u00e9lites da ESA de observa\u00e7\u00e3o da Terra. Trata-se de uma traject\u00f3ria \u201cnorte-sul\u201d, que passa pelos p\u00f3los do planeta e cruza o equador na perpendicular. Um aspecto importante da \u00f3rbita \u00e9 que a mesma assenta num plano que gira, mantendo alinhamento com o Sol \u00e0 medida que Marte avan\u00e7a. Isto garante que cada regi\u00e3o \u00e9 observada \u00e1 mesma hora solar, o que permite comparar directamente imagens tiradas ao longo do tempo.<br \/>\nAo longo de mais de duas d\u00e9cadas, a sonda recordista teve v\u00e1rias contribui\u00e7\u00f5es valiosas, incluindo um dos primeiros mapas globais de Marte, a descoberta que o planeta ret\u00e9m muita \u00e1gua sob a forma de gelo no subsolo, o aux\u00edlio a outras miss\u00f5es, e o estudo das duas luas, Phobos e Deimos.<br \/>\nO mapa produzido pelo detector de radia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica THEMIS, que inclui mais de um milh\u00e3o de imagens, permitiu determinar locais seguros para a aterragem de sondas e rovers que evitam, por exemplo, zonas de declive elevado ou com rochas de grande dimens\u00e3o. O mesmo instrumento tamb\u00e9m mediu a taxa de aquecimento e arrefecimento do planeta que permite distinguir diferentes tamanhos de part\u00edculas \u00e0 superf\u00edcie, desde poeira fina a rochas de dimens\u00e3o consider\u00e1vel.<br \/>\nDe grande interesse foi a descoberta em 2004 de grandes quantidades de gelo de \u00e1gua no subsolo de Marte, principalmente em latitudes acima dos 50\u00ba. O detector de raios gama GRS \u00e9 sens\u00edvel \u00e0 presen\u00e7a de hidrog\u00e9nio, cuja abund\u00e2ncia pode ser traduzida em quantidade de . Considerando apenas o subsolo pr\u00f3ximo (at\u00e9 um metro de profundidade), existe gelo suficiente para cobrir o planeta com um oceano com cerca de 14 cm de profundidade. Est\u00e1s infer\u00eancias foram confirmadas em 2008 por medi\u00e7\u00f5es \u00e0 superf\u00edcie da sonda Phoenix.<br \/>\nA Odyssey teve ainda um papel importante no sucesso de outras miss\u00f5es da NASA, \u201cpreparando terreno\u201d e auxiliando nas telecomunica\u00e7\u00f5es Marte-Terra.<br \/>\nCerca de 85% dos dados recolhidos desde 2005 pelos rovers Spirit e Opportunity foram retransmitidos para a Terra pela Odyssey, que tamb\u00e9m efectuou medi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas em antecipa\u00e7\u00e3o da chegada em 2006 da Mars Reconnaissance Orbiter, e contribuiu para a escolha do local de aterragem da sonda Phoenix em 2008.<br \/>\nMais recentemente, a sonda multi-facetada recolheu imagens de Phobos (em 2017 ) e Deimos (em 2018 ),<br \/>\nas duas pequenas luas de Marte. Mais do que interesse cient\u00edfico, estas observa\u00e7\u00f5es permitiram testar manobras para as quais a Odyssey n\u00e3o foi preparada, e que s\u00f3 foram poss\u00edveis gra\u00e7as a novos algoritmos enviados para a sonda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Lacerda Cruz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":250338,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,10908],"class_list":["post-250341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-pedro-lacerda-cruz"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250341\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}