{"id":250425,"date":"2022-11-18T19:15:10","date_gmt":"2022-11-18T18:15:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=250425"},"modified":"2022-11-18T19:15:10","modified_gmt":"2022-11-18T18:15:10","slug":"opiniao-em-goa-ainda-se-canta-o-fado-india-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-em-goa-ainda-se-canta-o-fado-india-2017\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Em Goa, ainda se canta o fado \u00cdndia &#8211; 2017"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_250426\" style=\"width: 1250px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-250426\" class=\"wp-image-250426 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto.jpg\" alt=\"\" width=\"1240\" height=\"945\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-250426\" class=\"wp-caption-text\">DR<\/p><\/div>\n<p>A \u00cdndia \u00e9 um mundo \u00e0 parte, um planeta long\u00ednquo a que cheg\u00e1mos h\u00e1 mais de quinhentos anos e por onde fic\u00e1mos outro meio mil\u00e9nio. Foi por isso que ao viajar para este pa\u00eds tenha optado por desembarcar no aeroporto de Goa. Como cidade, Goa j\u00e1 desapareceu h\u00e1 muito, no s\u00e9culo XIX, flagelada por uma peste que obrigou as autoridades do nosso reino a arrasarem a urbe, poupando unicamente as principais igrejas, como a S\u00e9 Catedral ou a igreja do Bom Jesus de Goa, a que alberga os restos mortais de S\u00e3o Francisco Xavier. O resto, foi varrido da face da terra e a capital foi transferida para Pangim. Hoje, este nome n\u00e3o indica a cidade que tanto lemos nos livros de Hist\u00f3ria, mas uma regi\u00e3o que engloba outros centros urbanos como \u00e9 o caso de Vasco da Gama ou de Marg\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 uma experi\u00eancia \u00fanica vaguear pelas ruas de Pangim, escritas na l\u00edngua de Cam\u00f5es, e encontrar goeses que n\u00e3o s\u00f3 falam a mesma l\u00edngua que eu como t\u00eam um sentimento de carinho para comigo muito pouco usual, como se resultasse da perten\u00e7a a uma mesma matriz. Aqui conheci o senhor Francisco Fonseca, que canta o fado, tendo sido at\u00e9 convidado para atuar na visita do nosso Primeiro Ministro, Ant\u00f3nio Costa, que tamb\u00e9m aqui tem as suas origens. O \u201cChico\u201d, como os seus amigos lhe chamam, partilha da sua paix\u00e3o pela minha, ou melhor, a nossa cultura, ou nacionalidade. Junto \u00e0 sua casa, na rua de Our\u00e9m, ap\u00f3s uma conversa muito apaixonada sobre aquilo que nos une, n\u00e3o se conteve e fez quest\u00e3o de cantar a viva voz um fado de Coimbra. Nesse momento, encantou-me estar ali, vidrado, a ouvir esta m\u00fasica t\u00e3o minha, mas no outro lado do mundo, sa\u00edda de uma voz que a cantava com um sentimento t\u00e3o portugu\u00eas.<br \/>\nNa igreja da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, a principal de Pangim, h\u00e1 missa em portugu\u00eas aos domingos, pelas 10:30. No seu interior, repousam os t\u00famulos seculares de individualidades nacionais que escolheram este solo sagrado para sua morada eterna. As lojas mant\u00eam nomes que nos s\u00e3o t\u00e3o caracter\u00edsticos, bem como alguns pratos que se comem por c\u00e1, como a feijoada ou alguma do\u00e7aria, que facilmente se encontra em alguns restaurantes. A arquitetura colonial \u00e9 soberba, elevando o bairro das Fonta\u00ednhas a uma das p\u00e9rolas do patrim\u00f3nio lusitano al\u00e9m ares hoje sobrevoados por aqueles que aqui procuram praias paradis\u00edacas ou restos da nossa Hist\u00f3ria.<br \/>\nA Velha Goa, vista do alto da Igreja da nossa Senhora do Monte, \u00e9 uma aut\u00eantica selva, onde o verde se imp\u00f5e implacavelmente. N\u00e3o ficamos indiferentes quando entramos no seu museu arqueol\u00f3gico e nos deparamos com uma enorme est\u00e1tua de Afonso de Albuquerque e outra, ainda maior, de Cam\u00f5es. H\u00e1 sentimentos dif\u00edceis de explicar, e n\u00e3o me refiro ao saudosismo. Na Biblioteca Municipal, subi ao sexto piso, dedicado aos livros portugueses. Em v\u00e1rias prateleiras, tive livre acesso a s\u00e9culos de literatura que ali fomos depositando, pegando, com muito cuidado, em manuscritos do s\u00e9culo XVI que estavam mesmo \u00e0 m\u00e3o de semear. A\u00ed, falei com todos os funcion\u00e1rios na minha l\u00edngua. Sinto-me bem-vindo. O mesmo senti ao entrar numa igreja, dizer que era portugu\u00eas, e fazerem-me aquela express\u00e3o de congratula\u00e7\u00e3o por vir do pa\u00eds que trouxe tanta coisa para ali.<br \/>\nAceitei um convite que aqui me foi feito e dei uma aula de Hist\u00f3ria da Expans\u00e3o Portuguesa na Universidade de Goa para uma turma de indianos que aqui querem aprender a nossa l\u00edngua, hist\u00f3ria e cultura, gente muito curiosa do meu pa\u00eds. Ap\u00f3s v\u00e1rios dias de viv\u00eancias intensas, sa\u00ed daqui consumido por um forte sentimento, um anseio de querer regressar a uma terra onde me senti como numa casa pr\u00f3xima da minha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Santos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":250426,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[450,100],"class_list":["post-250425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-luis-santos","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250425\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}