{"id":250446,"date":"2022-11-20T15:47:32","date_gmt":"2022-11-20T14:47:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=250446"},"modified":"2022-11-20T15:47:32","modified_gmt":"2022-11-20T14:47:32","slug":"realizador-frances-jean-marie-straub-morre-aos-89-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/realizador-frances-jean-marie-straub-morre-aos-89-anos\/","title":{"rendered":"Realizador franc\u00eas Jean-Marie Straub morre aos 89 anos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_250447\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jean-Marie-Straub.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-250447\" class=\"wp-image-250447 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jean-Marie-Straub.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-250447\" class=\"wp-caption-text\">DR<\/p><\/div>\n<p>O realizador franc\u00eas Jean-Marie Straub, de 89 anos, morreu durante a madrugada de hoje, na Su\u00ed\u00e7a, noticiou hoje o Le Monde.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Com a sua mulher e tamb\u00e9m realizadora Dani\u00e8le Huillet, que morreu em 2006, Jean-Marie Straub realizou uma obra \u201cexigente e intensamente po\u00e9tica\u201d e \u201cescreveu uma das p\u00e1ginas mais importantes do cinema moderno\u201d, acrescenta o Le Monde.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cOs olhos n\u00e3o querem estar sempre fechados \u2013 O cinema de Jean-Marie Straub e Dani\u00e8le Huillet\u201d foi o t\u00edtulo do ciclo realizado em 2018 na Cinemateca Portuguesa sobre o casal de realizadores.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A obra dos dois realizadores \u201c\u00e9 um dos grandes continentes isolados da Hist\u00f3ria do cinema\u201d, escreveu, na altura, a Cinemateca, consderando que a obra do casal \u201cinsepar\u00e1vel acabou por formar um \u00fanico ser bic\u00e9falo\u201d e na qual em todos os filmes refletiam sobre a pr\u00f3pria mat\u00e9ria cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A primeira restrospetiva sobre os cineastas realizada em Portugal data de 1975 e foi organizada pelo Goethe Instuituto de Lisboa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cRealizador marxista, rebelde, intransigente, contestat\u00e1rio, tempestuoso e inflamado\u201d, segundo o di\u00e1rio franc\u00eas, Jean-Marie Straub morreu na noite de s\u00e1bado para domingo em Rolle, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Jean-Marie Straub e a sua mulher, Dani\u00e8le Huillet, que morreu a 09 de Outubro de 2006, \u201cescreveram uma das p\u00e1ginas mais importantes do cinema moderno \u00e0 margem do sistema, no decurso de uma aventura humana e art\u00edstica sem igual\u201d, precisa o di\u00e1rio franc\u00eas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Os &#8220;Straubs&#8221;, como foram chamados, s\u00e3o os pais de uma das obras mais belas e exigentes da hist\u00f3ria do cinema, caracterizada pelo enquadramento em imagens e sons de textos liter\u00e1rios ou musicais, os de autores &#8220;amigos&#8221; como Bertolt Brecht, Friedrich H\u00f6lderlin, Johann Sebastian Bach, Arnold Sch\u00f6nberg, Cesare Pavese, Elio Vittorini, Pierre Corneille ou Franz Kafka.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">&#8220;O trabalho de ambos era realizado atrav\u00e9s de uma arte irreduz\u00edvel, firmemente ancorada num princ\u00edpio \u00e9tico e est\u00e9tico, o de reduzir os meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e0 sua necessidade mais estrita&#8221;, escreve o Le Monde.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Nascido em 08 de janeiro de 1933, em Metz, Jean-Marie Straub interessou-se pelo cinema depois da guerra, inicialmente marcado pelos filmes de Jean Gr\u00e9millon, como \u201cRemorques\u201d (1941) ou \u201cO c\u00e9u \u00e9 de todos\u201d (1943), obras que descobriu atrav\u00e9s do cr\u00edtico Henri Agel no clube de cinema &#8220;La chambre noire&#8221; (O quarto escuro, numa tradu\u00e7\u00e3o livre), em Metz.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Jean-Marie Straub considerou ent\u00e3o escrever sobre cinema, tendo estudado literatura no Lyc\u00e9e Fustel-de-Coulanges, em Estrasburgo, obtendo depois o bacharelato na Universidade de Nancy.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em novembro de 1954, mudou-se para Paris, quando eclodiu a revolta argelina. No Liceu Voltaire, numa aula preparat\u00f3ria para o Instituto dos Altos Estudos Cinematogr\u00e1ficos, do qual foi expulso ap\u00f3s tr\u00eas semanas, conheceu Dani\u00e8le Huillet.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Nessa altura, conheceu tamb\u00e9m os &#8220;Jovens Turcos&#8221; dos Cahiers du cin\u00e9ma, incluindo Jacques Rivette, Fran\u00e7ois Truffaut e Jean-Luc Godard, futuros cineastas da Nova Onda.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Straub recebeu alguns deles, tais como Truffaut ou o cr\u00edtico Andr\u00e9 Bazin (co-fundador dos Cahiers), no seu clube de cinema em Metz, para apresentar os filmes americanos de Fritz Lang ou os de Alfred Hitchcock, Charlie Chaplin, Roberto Rossellini, Kenji Mizoguchi &#8211; cineastas que defendeu ardentemente, muitas vezes contra a corrente da Federa\u00e7\u00e3o de clubes de cinema, refere o di\u00e1rio franc\u00eas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Realizador, argumentista, produtor e ator, a carreira de Jean-Marie Straub conta com perto de vinte filmes, na maior parte em coautoria com a realizadora e argumentista Dani\u00e8le Huillet.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cMachorka Muff\u201d (1963), foi o seu primeiro trabalho, a que se seguiram \u201cN\u00e3o Reconciliado\u201d (1965), \u201cA Cr\u00f3nica de Ana Madalena Bach\u201d (1968), \u201cO Noivo, a Atriz e o Proxeneta\u201d (1968) e \u201cOthon (1969).<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Nos anos 1970, realizou \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao Acompanhamento de Arnold Schoenberg a uma Cena de Cinema\u201d ( 1972), \u201cLi\u00e7\u00f5es de Hist\u00f3ria\u201d (1973), com o qual venceu o Pr\u00e9mio Especial do J\u00fari do Festival Internacional de Cinema de Istambul, \u201cMois\u00e9s e Ar\u00e3o\u201d (1974) &#8211; o primeiro a assinar em conjunto com a mulher-, \u201cOs C\u00e3es do Sinai\u201d (1976), \u201cToda a Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um Lan\u00e7amento de Dados\u201d (1977) e \u201cDas Nuvens \u00e0 Resist\u00eancia\u201d (1979).<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cCedo Demais, Tarde Demais\u201d (1981), \u201cRela\u00e7\u00f5es de Classe\u201d ( 1984), que recebeu uma Men\u00e7\u00e3o Honrosa no Festival de Berlim, \u201cA Morte de Emp\u00e9docles\u201d (1987),\u201d Pecado Negro\u201d (1989) e \u201cC\u00e9zanne: &#8220;Conversa com Joachim Gasquet&#8221; (1989) s\u00e3o outras das suas obras.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cAnt\u00edgona\u201d 1992), \u201cLothringen\u201d (1994), \u201cAbram Caminho para o Amanh\u00e3\u201d (1997) e \u201cSic\u00edlia\u201d (1999), cuja hist\u00f3ria \u00e9 baseada num siciliano que regressa \u00e0 terra natal depois de um longo per\u00edodo a viver nos Estados Unidos da Am\u00e9rica e que foi Pr\u00e9mio da Cr\u00edtica do Festival Internacional de S\u00e3o Paulo, no Brasil, contam\u00ba-se entre os filmes mais recentes de Jean-Marie Straub .<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cLe Retour du Fils Prodigue- Les Humili\u00e9s\u201d (2003) e \u201cUne Visite au Louvre\u201d (2004) foram os seus \u00faltimos trabalhos de Jena-Marie Straub.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O realizador franc\u00eas Jean-Marie Straub, de 89 anos, morreu durante a madrugada de hoje, na Su\u00ed\u00e7a, noticiou hoje o Le Monde.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":250447,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,209],"tags":[10922,141,10923],"class_list":["post-250446","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-internacional","tag-jean-marie-straub","tag-morte","tag-realizador-frances"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}