{"id":250682,"date":"2022-11-23T11:42:45","date_gmt":"2022-11-23T10:42:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=250682"},"modified":"2022-11-23T11:42:45","modified_gmt":"2022-11-23T10:42:45","slug":"opiniao-a-arvore-e-a-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-arvore-e-a-floresta\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A \u00e1rvore e a floresta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-250680 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vivemos num pa\u00eds cujo territ\u00f3rio est\u00e1 infestado por um tipo de \u00e1rvores que n\u00e3o s\u00e3o aut\u00f3ctones e que, digam l\u00e1 o que disserem, n\u00e3o me convencem que n\u00e3o secam drasticamente a terra \u00e0 sua volta ou que essa circunst\u00e2ncia n\u00e3o est\u00e1, no m\u00ednimo parcialmente, relacionada com as infernais vagas de inc\u00eandios. Dentro do todo deste pa\u00eds, n\u00f3s, os daqui, vivemos numa regi\u00e3o onde h\u00e1 ainda uma percentagem maior de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio por essa esp\u00e9cie, j\u00e1 vis\u00edvel em consider\u00e1veis extens\u00f5es de mata nacional, dita protegida. Uma regi\u00e3o que tamb\u00e9m \u00e9 representada por um territ\u00f3rio designado \u201cinterior\u201d \u2014 palavra hedionda por aquilo que representa \u2014 cuja vida econ\u00f3mica se sintetiza num ciclo tendente \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, de pessoas e de terras. Planta-se, ou dissemina-se, essa \u00e1rvore inomin\u00e1vel porque parece n\u00e3o haver nenhuma outra actividade economicamente t\u00e3o rent\u00e1vel e as pessoas abandonam as terras porque essa \u00e1rvore, para ser rent\u00e1vel, precisa do trabalho de um reduzido n\u00famero de pessoas.<br \/>\n\u00c9 este o ciclo altamente vicioso que, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o se resolve s\u00f3 com turismo e passadi\u00e7os, nem sequer com o fasc\u00ednio dos europeus do Norte, atra\u00eddos pelo ins\u00f3lito exotismo da circunst\u00e2ncia e pelo baixo pre\u00e7o dos terrenos.<br \/>\nVivemos numa regi\u00e3o em que a \u201cfloresta\u201d, mesmo ardida, \u00e9 renovada em dois pares de anos e em que uma parcela muito consider\u00e1vel do espa\u00e7o serve em exclusivo para a monocultura dessa \u00e1rvore, passe a redund\u00e2ncia, que \u00e9 enf\u00e1tica.<br \/>\nAs poucas e obsoletas vias de comunica\u00e7\u00e3o que aqui fazem a comunica\u00e7\u00e3o leste-oeste permitem-nos atestar esta realidade irrefut\u00e1vel. Convido todas e todos a percorrer o IP3, a A25, o IC6, o IC8, a N17, a celeb\u00e9rrima N2 e todas as velhinhas estradas nacionais, at\u00e9 mesmo a A13, que a faz no sentido norte-sul. N\u00e3o parem nas autoestradas, n\u00e3o se pode, mas indiquem-me um local, um s\u00f3 local, em que possa dar uma volta de 360\u00ba sem ver um conjunto dessas \u00e1rvores.<br \/>\nA floresta amaz\u00f3nica \u00e9 desmatada para plantar soja em massa, cujo destino \u00e9 alimentar a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria em massa, cujo destino \u00e9 produzir carne em massa para abastecer a ind\u00fastria da alimenta\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\nAs antigas matas de toda a regi\u00e3o centro, nas terras altas, nas orlas mar\u00edtimas e nas colinas da transi\u00e7\u00e3o, foram ardendo e deram lugar a uma monocultura de \u00e1rvores em massa para&#8230; porque&#8230;? S\u00f3 vejo uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: porque pareceu a toda a gente que era o melhor que se podia fazer.<br \/>\nAs \u00e1rvores s\u00e3o bens essenciais que desempenham um papel fulcral nestes tempos de crise clim\u00e1tica, nestes tempos de transi\u00e7\u00e3o para um futuro que pode ser cinzento, mas que assim, deste modo, dificilmente deixar\u00e1 de ser muito mais obscuro.<br \/>\nAs \u00e1rvores s\u00e3o bens essenciais em todos os ambientes, metropolitanos, suburbanos, urbanos, rurais e florestais, mas \u00e9 a floresta que as caracteriza, que lhes confere identidade. \u00c9 a floresta que as torna essenciais para posteriormente se inserirem em todos esses outros lugares.<br \/>\nA cidade tamb\u00e9m \u00e9 assim para os humanos, tamb\u00e9m \u00e9 nela que se joga, ou que se deveria jogar, a ess\u00eancia das suas vidas, das suas actividades. A cidade, tal como a floresta, tamb\u00e9m tem um papel muito importante a desempenhar perante a crise clim\u00e1tica. A descarboniza\u00e7\u00e3o e os transportes em comum s\u00e3o parte essencial desse papel. Estamos em pleno no s\u00e9culo XXI, o regresso a uma maior densidade urbana \u00e9 poss\u00edvel. Agora tecnologicamente mais saud\u00e1vel e humanamente mais confort\u00e1vel. Mais, \u00e9 esse o \u00fanico caminho para tornar mais eficaz o papel da cidade perante a crise clim\u00e1tica.<br \/>\nPrezo muito quem se preocupa com as \u00e1rvores e quem luta pela sua subsist\u00eancia, afirmo-o sem qualquer ponta de ironia. Mas prezo ainda mais quem se preocupa com a floresta e quem luta pela sua subsist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":250680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2951,100],"class_list":["post-250682","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-antonio-bandeirinha","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250682\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}