{"id":251151,"date":"2022-11-30T11:58:31","date_gmt":"2022-11-30T11:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=251151"},"modified":"2022-11-30T11:58:31","modified_gmt":"2022-11-30T11:58:31","slug":"opiniao-que-sistema-geral-de-saude-pretendemos-para-portugal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-que-sistema-geral-de-saude-pretendemos-para-portugal-2\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Que sistema geral de sa\u00fade pretendemos para Portugal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/LUIS-TEIXEIRA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-251137 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/LUIS-TEIXEIRA.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>II: CAUSAS DA DEGRADA\u00c7\u00c3O DO SNS<br \/>\nDando continuidade a uma s\u00e9rie de artigos sobre o tema \u201cQue Sistema de sa\u00fade pretendemos para Portugal?\u201d abordamos hoje as principais raz\u00f5es que entendemos estarem na origem da trajet\u00f3ria de decl\u00ednio preocupante do Sistema Nacional de Sa\u00fade em Portugal.<br \/>\na) Decad\u00eancia das carreiras profissionais e des\u00e2nimo dos profissionais de sa\u00fade.<br \/>\nNunca os profissionais de sa\u00fade estiveram t\u00e3o desmotivados como atualmente. Esta desmotiva\u00e7\u00e3o \u00e9 transversal a quase todas as classes profissionais. O fim das carreiras m\u00e9dicas, o congelamento da ascens\u00e3o profissional, a n\u00e3o valoriza\u00e7\u00e3o dos enfermeiros especialistas, a aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o da carreira do assistente operacional de sa\u00fade s\u00e3o apenas alguns dos motivos que contribu\u00edram para esta total desmotiva\u00e7\u00e3o. A gest\u00e3o dos servi\u00e7os j\u00e1 n\u00e3o se faz por necessidades, mas sim exclusivamente por imperativos financeiros, e a bagun\u00e7a organizativa gera conflitos entre todos os profissionais, e o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de cuidados aos doentes.<br \/>\nb) Desinvestimento tecnol\u00f3gico e aus\u00eancia de planos de atualiza\u00e7\u00e3o formativa<br \/>\nMesmo os hospitais centrais, muitos deles universit\u00e1rios, por aus\u00eancia de investimentos na aquisi\u00e7\u00e3o de novos equipamentos t\u00eam vindo a estagnar na sua capacidade t\u00e9cnica em \u00e1reas inovadoras, mantendo um status quo operacional de anos anteriores nos sectores do diagn\u00f3stico e terap\u00eautica. Equipamentos obsoletos, continuam a fazer parte do dia-a-dia de alguns hospitais, podendo colocar em risco a sa\u00fade dos doentes e deixando uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e de des\u00e2nimo nos profissionais de sa\u00fade.<br \/>\nc) Gest\u00e3o hospitalar demasiado centrada nos aspetos financeiros distante das necessidades cl\u00ednicas<br \/>\nA gest\u00e3o hospitalar passou a governar os hospitais com base apenas em n\u00fameros de consultas, cirurgias, e outros actos. A obsess\u00e3o pela obten\u00e7\u00e3o de resultados de produ\u00e7\u00e3o fez esquecer os crit\u00e9rios de qualidade e a satisfa\u00e7\u00e3o dos doentes. Hoje, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar o n\u00famero de consultas, nem que tal signifique o doente estar em consulta menos tempo do que aquelas que s\u00e3o as recomenda\u00e7\u00f5es da Ordem dos M\u00e9dicos. Hoje anuncia-se um crescimento do n\u00famero de cirurgias num servi\u00e7o ou num hospital, deixando para segundo plano a realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias altamente complexas e diferenciadas, que contribuem para o prest\u00edgio das institui\u00e7\u00f5es. H\u00e1 ali\u00e1s Unidades Hospitalares que privilegiam nas diversas \u00e1reas cl\u00ednicas, o aumento das cirurgias onde n\u00e3o h\u00e1 necessidade de coloca\u00e7\u00e3o de implantes de forma a n\u00e3o aumentar os gastos financeiros da institui\u00e7\u00e3o. A perda de poder verificada pelos Diretores Cl\u00ednicos nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o hospitalares transformou os hospitais em Empresas, esquecendo-se que o produto desse trabalho \u00e9 um ser humano.<br \/>\nd) Falta de perfil de chefia e de capacidade de Lideran\u00e7a dos Diretores de Servi\u00e7o<br \/>\nA chegada \u00e0 lideran\u00e7a dos servi\u00e7os de pessoas nomeadas pelas administra\u00e7\u00f5es hospitalares com base em empatias pessoais ou alicer\u00e7adas na seguran\u00e7a do perfil de \u201cyes man\u201d fez com que muitos dos m\u00e9dicos n\u00e3o reconhe\u00e7am capacidade de lideran\u00e7a aos seus Diretores de Servi\u00e7o. Percursos profissionais pouco exemplares, manuten\u00e7\u00e3o conflituosa interesses importantes na Medicina Privada, pouca ausculta\u00e7\u00e3o interna dos reais interesses do servi\u00e7o, e aus\u00eancia de capacidade de confrontar a administra\u00e7\u00e3o hospitalar quando tal \u00e9 exigido s\u00e3o fatores que contribuem para que cada vez menos os cl\u00ednicos se revejam na sua lideran\u00e7a, sendo soldados que cada vez d\u00e3o menos para uma \u201cguerra que entendem n\u00e3o ser sua\u201d. Limitam-se a cumprir hor\u00e1rio.<br \/>\ne) Aus\u00eancia de reconhecimento do m\u00e9rito e aus\u00eancia da penaliza\u00e7\u00e3o da mediocridade<br \/>\nA exist\u00eancia de uma remunera\u00e7\u00e3o fixa, sem incentivos de produ\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de pr\u00e9mios de m\u00e9rito profissional e uma carreira congelada onde a pouca ascens\u00e3o \u00e9 feita apenas em fun\u00e7\u00e3o dos anos de trabalho, com \u201cexames de progress\u00e3o proforma\u201d que na maioria dos casos em nada espelham o real desempenho di\u00e1rio dos profissionais de sa\u00fade, transformam as carreiras da \u00e1rea da sa\u00fade em escadas rolantes onde basta n\u00e3o cair e saber esperar o tempo necess\u00e1rio para chegar ao topo, em vez de estimular \u00e0 subida ativa dos degraus da escada profissional. Por outro lado, num sistema onde o posto de trabalho est\u00e1 assegurado pelo quadro legislativo da fun\u00e7\u00e3o publica, a \u00fanica forma de penaliza\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio praticamente se resume \u00e0 falta de assiduidade n\u00e3o justificada. A incompet\u00eancia, a falta de rigor, a falta de dedica\u00e7\u00e3o, a falta de brio \u00e9tico, a n\u00e3o atualiza\u00e7\u00e3o profissional n\u00e3o s\u00e3o sancionadas, transmitindo uma no\u00e7\u00e3o de impunidade onde os mais prejudicados s\u00e3o sobretudo os doentes.<br \/>\nN\u00e3o achamos, no entanto, que tudo est\u00e1 mal no SNS. H\u00e1 sem sombra de d\u00favidas, excelentes profissionais de sa\u00fade no SNS, dedicados, competentes, humanos e preocupados com os seus doentes. H\u00e1 sem sombra de d\u00favida Servi\u00e7os de Refer\u00eancia no SNS, bem dirigidos, bem organizados onde o ambiente de trabalho inspira confian\u00e7a e motiva\u00e7\u00e3o. H\u00e1 sem sombra de d\u00favidas, Hospitais no SNS que continuam a ser refer\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade, reunindo a capacidade assistencial, com a capacidade formativa e de investiga\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o querer reconhecer que muitos dos problemas que atr\u00e1s referimos fazem parte do dia a dia da maioria dos profissionais que trabalham no SNS \u00e9 n\u00e3o querer ver a realidade, \u00e9 n\u00e3o querer perceber porque cada vez mais profissionais de sa\u00fade saem para hospitais privados e n\u00e3o querer compreender porque mais de metade dos portugueses recorrem com uma frequ\u00eancia cada vez maior a unidades de sa\u00fade privadas.<br \/>\n(continua no pr\u00f3ximo m\u00eas)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Teixeira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":251137,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2381,100],"class_list":["post-251151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-luis-teixeira","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}