{"id":251278,"date":"2022-12-03T10:47:37","date_gmt":"2022-12-03T10:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=251278"},"modified":"2022-12-03T10:47:37","modified_gmt":"2022-12-03T10:47:37","slug":"opiniao-o-natal-ou-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-natal-ou-a-vida\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O Natal ou a vida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MANUEL-CASTELO-BRANCO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-244331\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MANUEL-CASTELO-BRANCO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Natal \u00e9 um come\u00e7o. Por significar um c\u00edclico e sempre renovado regresso ao mais m\u00edtico dos lugares: a inf\u00e2ncia.<br \/>\nNa inf\u00e2ncia somos, ou sentimo-nos, cuidados de verdade, num universo de adultos sol\u00edcitos, atentos, dadivosos. Quem n\u00e3o teve, ou imaginou ter, uma inf\u00e2ncia assim, perdeu em larga medida o sentido da vida.<br \/>\nEstar no Natal, viver em estado de Natal, significa, assim, construir um modo de ser hospitaleiro dominado pela amabilidade e pela afabilidade. Significa n\u00e3o cindir os dias em esferas estanques de trabalho e de vida. Viver \u00e9 muito mais que trabalhar. Trabalhar \u00e9 muito longe de viver.<br \/>\nNatal \u00e9 pres\u00e9pio. N\u00e3o \u00e9 \u00e1rvore nem Pai. O pres\u00e9pio \u00e9 o local da vida simples, frugal, an\u00f3nima, despojada. O lugar do frio, da palha, do bafo dos animais, da fragilidade, da ternura. E do calor da presen\u00e7a do outro. Do inextingu\u00edvel fogo do cuidado do outro.<br \/>\nNo pres\u00e9pio os reais presentes n\u00e3o s\u00e3o o ouro, o incenso e a mirra. S\u00e3o a solicitude amorosa dos pastores, de Jos\u00e9 e Maria, dos friorentos animais. Pois se os Magos sabiam de um Rei, os pastores e os animais n\u00e3o. As prendas materiais dos Magos n\u00e3o s\u00e3o gratuitas, porquanto transportam uma expectativa de sinalagma e de recompensa.<br \/>\nOs presentes dos pastores s\u00e3o o estarem presentes. Ali, numa noite gelada, numa manjedoura, com desconhecidos, numa comunh\u00e3o de pobreza e de humanidade.<br \/>\nO Amor dos desconhecidos, porque radicalmente gratuito, \u00e9 infinitamente el\u00e1stico, perdura no tempo e al\u00e9m do tempo, \u00e9 inconsum\u00edvel.<br \/>\nAmar n\u00e3o \u00e9 consumir. Amar n\u00e3o \u00e9 consumir o outro. Amar \u00e9 viver no outro, estar com o outro.<br \/>\nO amor \u00e9 estranho ao mercado. O mercado mata o amor.<br \/>\nPeri\u00f3dicas \u00e1rvores saturadas de luzes e de prendas n\u00e3o nos salvar\u00e3o. Como n\u00e3o nos salvar\u00e1 a peri\u00f3dica visita de um barbudo de vermelho vestido, mercantilmente roubado a mitologias n\u00f3rdicas, com o seu carregamento de vistosos e in\u00fateis embrulhos.<br \/>\nViver n\u00e3o \u00e9 estar num eterno Black Friday. Viver \u00e9 regressar, todas as horas, ao lume, real, imaginado ou imagin\u00e1rio, da inf\u00e2ncia. Estar a uma lareira sempre viva, a uma mesa sempre posta, a uma porta sempre aberta.<br \/>\nViver n\u00e3o \u00e9 um passeio ao centro comercial. Viver \u00e9 encontrar a do\u00e7ura infinita da noite e do frio, num est\u00e1bulo, na amabilidade e hospitalidade de perfeitos estranhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Castelo Branco<br \/>\nDocente do ISCAC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":244331,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1558,100],"class_list":["post-251278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-castelo-branco","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}