{"id":251362,"date":"2022-12-05T10:39:08","date_gmt":"2022-12-05T10:39:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=251362"},"modified":"2022-12-05T10:39:08","modified_gmt":"2022-12-05T10:39:08","slug":"opiniao-esperas-alguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-esperas-alguem\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Esperas algu\u00e9m?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Nuno-Santos-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-249551 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Nuno-Santos-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>A esperan\u00e7a tem um tempo e um conte\u00fado? Qual a diferen\u00e7a de viver com esperan\u00e7a ou sem ela? Como \u00e9 que se alimenta a esperan\u00e7a?<br \/>\nMuitos falam do tempo atual como tempo de incertezas, complexidades, dramas e dificuldades. Foi a crise, depois a pandemia, depois a guerra, depois a infla\u00e7\u00e3o&#8230; e se canhar nunca houve verdadeiramente um depois. O nosso dicion\u00e1rio existencial volta a usar as palavras: encolher, regredir, conten\u00e7\u00e3o&#8230;<br \/>\nComo \u00e9 que podemos falar de esperan\u00e7a no meio de tantas raz\u00f5es para a desesperan\u00e7a? Que sentido faz falar de esperan\u00e7a? N\u00e3o ser\u00e1 uma ilus\u00e3o? Ou simplesmente uma tentativa de fuga? Ou simplesmente uma indiferen\u00e7a diante da realidade? Ou uma coisa para \u2018meninos de bem\u2019?<br \/>\nA esperan\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 no regresso ao passado, tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 na ilus\u00e3o do futuro, nem sequer na ang\u00fastia do presente. Ent\u00e3o qual \u00e9 o tempo da esperan\u00e7a?<br \/>\nA esperan\u00e7a vive-se no presente, mas o presente ganha sentido maior quando est\u00e1 aberto ao futuro. \u00c9 uma quest\u00e3o de \u2018profundidade do olhar\u2019 \u2013 um ver para al\u00e9m da evid\u00eancia.<br \/>\nPor isso, n\u00e3o \u00e9 tanto uma quest\u00e3o de esperar dias melhores, mas antes de procurar fazer de cada dia um melhor dia, de cada situa\u00e7\u00e3o uma oportunidade.<br \/>\nA esperan\u00e7a vive n\u00e3o de teorias, mas de gestos concretos; n\u00e3o de grandes acontecimentos, mas de pequenos pormenores que fazem toda a diferen\u00e7a.<br \/>\nQuem n\u00e3o consegue distinguir o tempo de espera numa consulta no hospital, da espera de algu\u00e9m que gostamos muito. O tempo \u00e9 diferente, vive-se de maneira diferente e conta-se de maneira diferente.<br \/>\nA esperan\u00e7a \u00e9 feita de rela\u00e7\u00f5es, de pessoas, de encontros, de abra\u00e7os, de cumplicidade partilhada. Por isso, \u00e9 poss\u00edvel viver a esperan\u00e7a no meio de uma guerra ou numa cama de um hospital.<br \/>\nPara os crist\u00e3os o tempo que antecede o Natal chama-se Advento que significa vinda, chegada ou aproxima\u00e7\u00e3o. Os crist\u00e3os esperam Aquele que j\u00e1 sabem que vai nascer &#8211; tal como uma m\u00e3e espera um filho. Trata-se de uma met\u00e1fora lit\u00fargica que nos convoca para a renova\u00e7\u00e3o, para a convers\u00e3o, para o reacender de uma esperan\u00e7a.<br \/>\nDe facto, o Advento conjuga-se com gravidez, com passagem da espera \u00e0 esperan\u00e7a, com gestos de aproxima\u00e7\u00e3o, com um cora\u00e7\u00e3o que se preparar para acolher&#8230;<br \/>\nEspero algu\u00e9m?<br \/>\nQuando deixamos de esperar algu\u00e9m&#8230; a chama da esperan\u00e7a diminui e fica \u00e0 merc\u00ea de uma corrente de ar que a pode apagar definitivamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Santos <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":249551,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[99,100],"class_list":["post-251362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-nuno-santos","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}