{"id":251366,"date":"2022-12-05T10:42:58","date_gmt":"2022-12-05T10:42:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=251366"},"modified":"2022-12-05T10:42:58","modified_gmt":"2022-12-05T10:42:58","slug":"opiniao-a-utilidade-da-percepcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-utilidade-da-percepcao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A utilidade da percep\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pio-Abreu-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-249553 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pio-Abreu-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Habitu\u00e1mo-nos a pensar que percebemos o mundo com os olhos e os ouvidos, embora cada um o perceba de um modo diferente. Esquecemos por\u00e9m que n\u00e3o perceber\u00edamos nada se n\u00e3o fossem os nossos movimentos. Na verdade, poder\u00edamos usar uns \u00f3culos prism\u00e1ticos que invertem o mundo: o que est\u00e1 em cima aparece em baixo, o que est\u00e1 em baixo aparece em cima. Esses \u00f3culos foram usados experimentalmente a partir de 1938 e, passadas algumas horas a dias, os sujeitos que os usavam permanentemente corrigiram a sua percep\u00e7\u00e3o e voltaram a ver o mundo de p\u00e9. Talvez n\u00e3o o fizessem se permanecessem parados. Mas a tentativa de agarrar e manipular um objecto, ou simplesmente de se deslocarem, corrigia a percep\u00e7\u00e3o errada. O mesmo faz um cego com a sua bengala. Conclus\u00e3o: o que mais nos transmite a percep\u00e7\u00e3o do mundo, \u00e9 a nossa capacidade loco-motora; os outros \u00f3rg\u00e3os dos sentidos s\u00e3o meros auxiliares.<br \/>\nTodos sabemos que o mar \u00e9 azul porque estamos de acordo com essa palavra para designar um certo intervalo de comprimento das ondas luminosas. Mas ningu\u00e9m sabe se o azul que eu vejo \u00e9 o mesmo que o outro v\u00ea. O importante \u00e9 que distingamos os brilhos e as cores para que n\u00e3o mergulhemos numa estrada de macadame, pensando que se trata de uma piscina. Mas sim: podemos rever essas imagens e sensa\u00e7\u00f5es enquanto sonhamos, recordamos ou imaginamos, embora neste caso estejamos num mundo diferente daquele que est\u00e1 na nossa cabe\u00e7a. Ou seja: o mundo que n\u00f3s vivemos n\u00e3o \u00e9 o que existe realmente, mas aquele que nos aparece e que aprendemos a perceber de acordo com a sua utilidade. Mas tudo pode mudar de um momento para o outro. Muda, certamente, durante os sonhos ou com o consumo de drogas alucinog\u00e9nicas. As imagens aparecem ent\u00e3o sem qualquer utilidade para o nosso comportamento, pois algo se desligou no c\u00e9rebro e o aparelho motor deixou de funcionar.<br \/>\nO que \u00e9 ent\u00e3o o mundo, o que \u00e9 o universo, o que somos n\u00f3s? Algo de maravilhoso quando nos dedicamos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o. Pelo racioc\u00ednio cient\u00edfico, podemos tamb\u00e9m dizer que se trata sempre de conjuntos de part\u00edculas at\u00f3micas ou sub-at\u00f3micas que se influenciam mutuamente e atrav\u00e9s dessa influ\u00eancia se v\u00e3o organizando em mol\u00e9culas, c\u00e9lulas, \u00f3rg\u00e3os, organismos, comunidades, ecossistemas. Para sermos mais gen\u00e9ricos, sabemos que, enquanto a maior parte das part\u00edculas se torna ca\u00f3tica (o que d\u00e1 pelo nome de \u201centropia\u201d), um n\u00famero cada vez maior se organiza e d\u00e1 origem a seres id\u00eanticos (o que d\u00e1 pelo nome de \u201cneguentropia\u201d) at\u00e9 chegar \u00e0quele que agora contempla, conhece e pensa que percebe o universo, o mundo, os outros seres vivos e a si pr\u00f3prio.<br \/>\nMas os humanos continuam a ver o mundo enquanto se movem, e da\u00ed retiram a percep\u00e7\u00e3o do que se lhes torna \u00fatil. E o que se lhes torna \u00fatil, nem sempre \u00e9 o que necessitam para o seu dia a dia, mas o que podem guardar para si, com a ilus\u00e3o de que algum dia poder\u00e3o precisar. A gan\u00e2ncia nasceu assim. \u00c9 a gan\u00e2ncia que agora governa as nossas percep\u00e7\u00f5es do mundo e dos seres vivos que nele habitam. Mas n\u00e3o \u00e9 seguro que eles sobrevivam \u00e0 gan\u00e2ncia generalizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pio Abreu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":249553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,102],"class_list":["post-251366","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-pio-abreu"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251366\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}