{"id":252679,"date":"2022-12-21T14:34:55","date_gmt":"2022-12-21T14:34:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=252679"},"modified":"2022-12-21T14:34:55","modified_gmt":"2022-12-21T14:34:55","slug":"opiniao-a-arvore-e-a-floresta-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-arvore-e-a-floresta-ii\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A \u00e1rvore e a floresta II"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-250680 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias atr\u00e1s, numa not\u00edcia inserida nas p\u00e1ginas deste mesmo jornal, li uma refer\u00eancia a danos na \u201cestrutura ecol\u00f3gica urbana\u201d em Coimbra, alegadamente amea\u00e7ada pelas obras do Sistema de Mobilidade do Mondego, comummente designadas por Metrobus. Para que uma tal coisa \u2014 a tal \u201cestrutura ecol\u00f3gica urbana\u201d \u2014 possa, sequer, existir, a Regi\u00e3o de Coimbra, que n\u00e3o s\u00f3 a cidade, necessita de uma rede minimamente decente de transportes em comum, precisa de caminhar com passos firmes e decididos em direc\u00e7\u00e3o a um sistema de mobilidade atraente, integrado e inequivocamente competitivo com o (ab)uso do autom\u00f3vel individual, uma rede que potencie a mobilidade socialmente mais equilibrada, que possa servir, de modo altamente eficaz, todos os cidad\u00e3os e todas as cidad\u00e3s e n\u00e3o s\u00f3 uma elite bem pensante mais esclarecida. A cidade que est\u00e1 no cerne desse sistema de mobilidade precisa sobretudo de rever e de actualizar a sua rede central de transportes p\u00fablicos e integr\u00e1-la racionalmente nos sistemas gerais previstos para a regi\u00e3o e para o pa\u00eds. Isso pressup\u00f5e adaptar as infraestruras urbanas e regionais a esse novo sistema integrado, o que constitui um processo ambicioso nos prop\u00f3sitos, \u00e1rduo e moroso na concretiza\u00e7\u00e3o, sujeito a prazos draconianos, porque o financiamento externo escasseia e exige rapidez de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tenho acompanhado, desde o in\u00edcio e sempre com uma vis\u00e3o externa, todo este processo que se vem arrastando ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. Sim, quatro d\u00e9cadas. Perguntar-me-\u00e3o, era este o sistema que eu acharia ideal para Coimbra e para a regi\u00e3o? N\u00e3o! Tamb\u00e9m o tenho vindo a afirmar inequivocamente ao longo desse tempo. Um sistema de el\u00e9ctrico r\u00e1pido, tal como chegou a estar projectado h\u00e1 cerca de dez anos atr\u00e1s, com estudo e declara\u00e7\u00e3o de impacto ambiental, embora carecesse de um investimento inicial superior, acabaria por ser muito mais sustent\u00e1vel e, sobretudo, muit\u00edssimo mais resiliente, como hoje s\u00f3i dizer-se. Mais, as empresas envolvidas neste processo, bem como as suas parcerias p\u00fablicas e privadas e as entidades accionistas, com as municipalidades \u00e0 cabe\u00e7a, deveriam ter tamb\u00e9m investido muito mais nos processos de inser\u00e7\u00e3o urbana e paisag\u00edstica. J\u00e1 n\u00e3o estamos no s\u00e9culo XIX, uma infraestrutura, qualquer que seja, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um dispositivo funcional abstracto e desligado dos processos qualifica\u00e7\u00e3o urbana e territorial que todos temos como miss\u00e3o fazer. Qualquer cidad\u00e3\/\u00e3o empenhada\/o sabe isso, as\/os arquitectas\/os sabem-no quase intuitivamente, deveriam at\u00e9 t\u00ea-lo geneticamente inculcado, devia estar obrigatoriamente associado ao seu ADN social e profissional. Eu escrevi-o insistentemente, fui sempre criticando essa actua\u00e7\u00e3o ao longo destas tais malfadadas quatro d\u00e9cadas. Sou, por isso, independente e, sobretudo, insuspeito, nas declara\u00e7\u00f5es que ora aqui junto.<\/p>\n<p>O que hoje, em 2022, quase 2023, temos no terreno \u00e9 um processo de constru\u00e7\u00e3o de uma rede de mobilidade urbana e regional minimamente adequada e consent\u00e2nea com o que se est\u00e1 a fazer por quase todo o mundo, felizmente que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Europa. \u00c9 o ideal para Coimbra? N\u00e3o, repito que me parece claro que n\u00e3o \u00e9, mas de entre tudo o que foi ocorrendo nestas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, entre fogachos de p\u00f3lvora seca e golpes de teatro, entre fantasias pol\u00edticas e megalomanias infundamentadas, \u00e9 aquele que foi mais longe na concretiza\u00e7\u00e3o, no contacto com a realidade, nas possibilidades de efectiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, e finalmente, podemos estar em face da cria\u00e7\u00e3o de um Sistema, n\u00e3o da mera concretiza\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura isolada.<\/p>\n<p>Sabemos o que \u00e9, e o que tem sido, o investimento p\u00fablico dos sucessivos governos centrais em Coimbra e regi\u00e3o. No plano das acessibilidades rodovi\u00e1rias (a mis\u00e9ria do IP 3; a sempre adiada finaliza\u00e7\u00e3o do IC 6; a finaliza\u00e7\u00e3o da A 13; a liga\u00e7\u00e3o a Poiares alternativa \u00e0 EN 17; os acessos a Montemor pela continua\u00e7\u00e3o da A 31, a Mealhada e Condeixa pela melhoria do IC 2, etc, etc.). No plano das acessibilidades ferrovi\u00e1rias, tudo se pode espelhar na mis\u00e9ria da Esta\u00e7\u00e3o Velha. No plano dos equipamentos de sa\u00fade, continua tudo no limbo, com excep\u00e7\u00e3o do IPO. No plano dos equipamentos de justi\u00e7a, o desespero pelo novo Pal\u00e1cio de Justi\u00e7a e o aparecimento do Tribunal Constitucional, numa manh\u00e3 de nevoeiro. No plano da infraestrutura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica e da preven\u00e7\u00e3o de inunda\u00e7\u00f5es, a barragem de Girabolhos. E por a\u00ed adiante, a lista nunca mais acaba&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 no que diz respeito a um sistema de mobilidade integrada, urbana, regional, nacional e, desejavelmente, internacional esta \u00e9 a \u00faltima, talvez mesmo a \u00fanica, oportunidade para concretizar alguma coisa palp\u00e1vel e futurante.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o fa\u00e7o ideia de quais s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es de uma tal provid\u00eancia cautelar para, uma vez mais, parar as obras, por mais outros trinta, quarenta anos, ou mesmo para sempre. O que sei \u00e9 que ningu\u00e9m p\u00f4s uma provid\u00eancia cautelar quando o Governo parou o processo, nem quando a empresa p\u00fablica da altura desatou a arrancar carris e sulipas no Ramal da Lous\u00e3, a torto e a direito. Mas se formos aos arquivos deste jornal, e de outros, podemos ver quem escreveu e se insurgiu veementemente com isso.<\/p>\n<p>Se a provid\u00eancia cautelar for aceite, n\u00e3o duvidarei minimamente da compet\u00eancia t\u00e9cnico-jur\u00eddica da decis\u00e3o. Mas tamb\u00e9m nada me impede de pensar que podemos estar em presen\u00e7a de um crime ambiental, um crime contra a \u00faltima possibilidade de uma mobilidade mais sustent\u00e1vel em Coimbra e na regi\u00e3o. E tamb\u00e9m penso desde j\u00e1 que algu\u00e9m de direito, talvez mesmo o Minist\u00e9rio P\u00fablico, deveria interpor uma provid\u00eancia cautelar a esta provid\u00eancia cautelar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":250680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2951,100],"class_list":["post-252679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-antonio-bandeirinha","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=252679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=252679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=252679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=252679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}