{"id":253130,"date":"2022-12-28T10:41:26","date_gmt":"2022-12-28T10:41:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=253130"},"modified":"2022-12-28T10:41:26","modified_gmt":"2022-12-28T10:41:26","slug":"opiniao-espirito-de-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-espirito-de-missao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Esp\u00edrito de Miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-251136 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma equipa de cirurgi\u00f5es, enfermeiros e t\u00e9cnicos do servi\u00e7o de Cirurgia Cardiotor\u00e1cica do Centro Hospitalar e Universit\u00e1rio de Coimbra (CHUC), por mim coordenada, viajou h\u00e1 4 semanas para Maputo, Mo\u00e7ambique, onde realizou uma miss\u00e3o humanit\u00e1ria destinada a operar doentes com doen\u00e7as de cora\u00e7\u00e3o. Foram maioritariamente crian\u00e7as e adolescentes com doen\u00e7as card\u00edacas reum\u00e1ticas, uma patologia hoje rara nos pa\u00edses desenvolvidos do hemisf\u00e9rio Norte, infelizmente, ainda muito comum, mesmo end\u00e9mica, nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento do hemisf\u00e9rio Sul.<br \/>\nEsta foi a 22\u00aa miss\u00e3o anual desta equipa desde que o Instituto do Cora\u00e7\u00e3o foi criado em Maputo, com o apoio e financiamento das Cadeias da Esperan\u00e7a de Portugal, de Fran\u00e7a e do Reino Unido, que tamb\u00e9m ali realizam miss\u00f5es regulares do mesmo g\u00e9nero. Durante as anteriores miss\u00f5es da equipa portuguesa foram operados mais de 350 doentes, com um grau de sucesso compar\u00e1vel ao da casa-m\u00e3e em Coimbra. Desta vez, foram 16 os doentes que beneficiaram das cirurgias, todas com sucesso.<br \/>\nO que \u00e9 que faz com que os elementos desta equipa persistam, por duas d\u00e9cadas, neste tipo de atividade, numa regi\u00e3o do mundo distante mais de dez mil quil\u00f3metros de suas casas e das suas fam\u00edlias? Ainda h\u00e1 uns dois meses atr\u00e1s, t\u00ednhamos estado em Am\u00e3, na Jord\u00e2nia, a operar beb\u00e9s e crian\u00e7as refugiadas s\u00edrias. Porqu\u00ea? Em primeiro lugar, pelo esp\u00edrito de miss\u00e3o, de ajuda a quem, de outro modo, n\u00e3o teria acesso a este tipo de tratamento e que, portanto, n\u00e3o sobreviria a curto prazo. Mas n\u00e3o \u00e9 apenas puro \u2018altru\u00edsmo\u2019. Este gesto n\u00e3o faz apenas bem aos outros, satisfaz-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e0 nossa alma ou, se preferirem, ao nosso pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFoi por isso, que nos convites que, de cada vez, fiz individualmente aos profissionais que integraram estas duas dezenas de miss\u00f5es, com alguma variabilidade entre cada uma, nunca recebi outra resposta que n\u00e3o fosse um SIM imediato e convincente. Nos \u00faltimos anos, estas miss\u00f5es foram efetuadas em regime oficial de servi\u00e7o, apoiado pelas institui\u00e7\u00f5es hospitalares em que trabalhamos, mas anteriormente eram efetuadas no tempo de f\u00e9rias de cada um.<br \/>\nMas n\u00e3o se trata apenas de operar mais uns quantos doentes. Desde o princ\u00edpio que se instituiu tamb\u00e9m a miss\u00e3o de ensino dos profissionais locais. De facto, sempre esteve na nossa mente e na das outras equipas cong\u00e9neres o objetivo de criar no Instituto uma equipe que pudesse realizar, autonomamente, este tipo de cirurgias altamente tecnol\u00f3gicas e sofisticadas. E esse objetivo foi conseguido h\u00e1 uma meia d\u00fazia de anos. Pela primeira vez, num pa\u00eds da \u00e1frica subsaariana, onde um sem n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es realizam centenas de miss\u00f5es semelhantes todos os anos.<br \/>\nHoje, a equipa do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o de Maputo realiza mais cirurgias que a totalidade das tr\u00eas ou quatro miss\u00f5es estrangeiras que ali se realizam anualmente. Este facto contribuiu, tamb\u00e9m, para que o Instituto se transformasse numa das unidades de sa\u00fade mais prestigiadas da capital mo\u00e7ambicana o que, naturalmente, nos enche de orgulho. O core da sua atividade continuam a ser os doentes card\u00edacos, mas o Instituto cobre hoje todas as \u00e1reas mais importantes da assist\u00eancia m\u00e9dica, com um atendimento anual de mais de 78 mil doentes, efetuado por mais de 550 trabalhadores.<br \/>\nPortanto, o trabalho que ali desenvolvemos \u00e9 feito com a colabora\u00e7\u00e3o dos profissionais locais, em verdadeiro esp\u00edrito de equipe, que tamb\u00e9m serve para cimentar uma rela\u00e7\u00e3o pessoal entre povos irm\u00e3os. Esta contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 amplamente reconhecida pelas autoridades e, naturalmente, pelos pr\u00f3prios doentes, cujos olhares de agradecimento s\u00e3o a maior forma de agradecimento que poder\u00edamos ambicionar.<br \/>\nA Cadeia da Esperan\u00e7a Portugal tem tamb\u00e9m um posto avan\u00e7ado em S\u00e3o Tom\u00e9, onde se fazem regularmente outras miss\u00f5es. Neste caso, trata-se apenas de cardiologia m\u00e9dica; doentes com necessidade de cirurgia card\u00edaca s\u00e3o regularmente encaminhados para Portugal, onde s\u00e3o atendidos em hospitais p\u00fablicos, especialmente no CHUC.<br \/>\nTudo com o mesmo esp\u00edrito de servir os que precisam. Assim se ajuda na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Antunes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":251136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1406,100],"class_list":["post-253130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-antunes","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253130\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}