{"id":253224,"date":"2022-12-29T15:49:28","date_gmt":"2022-12-29T15:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=253224"},"modified":"2022-12-29T15:49:28","modified_gmt":"2022-12-29T15:49:28","slug":"opiniao-o-nuclear-limpo-das-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-nuclear-limpo-das-estrelas\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O \u201cnuclear limpo\u201d  das estrelas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-250339 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Neste dezembro, foi anunciado ao mundo que se conseguiu realizar, pela primeira vez, uma rea\u00e7\u00e3o de fus\u00e3o nuclear no Laborat\u00f3rio Nacional Lawrence Livermore dos Estados Unidos. Ou seja, juntar n\u00facleos at\u00f3micos leves de forma a que se criem outros n\u00facleos at\u00f3micos, mais pesados, libertando mais energia do que aquela que se gastou. Curiosamente, foi tamb\u00e9m num dezembro, mas de 1938, que foi obtida a primeira fiss\u00e3o nuclear. Ou seja, partindo n\u00facleos at\u00f3micos do pesado ur\u00e2nio noutros mais leves libertou-se mais energia do que a que se gastou.<br \/>\nHoje, h\u00e1 cerca de 440 reatores nucleares em funcionamento no mundo produzindo 11% da energia el\u00e9trica mundial, capacidade de produ\u00e7\u00e3o essa para a qual ainda n\u00e3o encontr\u00e1mos substituto vi\u00e1vel a curto prazo. Embora o nuclear n\u00e3o emita di\u00f3xido de carbono, o facto \u00e9 que 3% dos seus res\u00edduos s\u00e3o altamente radioativos durante milhares de anos e ainda n\u00e3o encontr\u00e1mos outra solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o armazen\u00e1-los bem fundo na Terra.<br \/>\nA fus\u00e3o nuclear \u00e9 a forma como as estrelas produzem energia no seu interior, sendo igualmente a forma como se produzem os mais importantes elementos qu\u00edmicos do nosso Universo. Foi tamb\u00e9m no ano de 1938 que se conseguiu compreender o processo. No interior do Sol, a press\u00e3o de 200 milh\u00f5es de atmosferas e a temperatura de 15 milh\u00f5es de graus s\u00e3o suficientes para for\u00e7ar a jun\u00e7\u00e3o (fus\u00e3o) de n\u00facleos de hidrog\u00e9nio, criando n\u00facleos de h\u00e9lio e libertando energia (os eletr\u00f5es, aqui, n\u00e3o participam). O processo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o eficiente quanto se possa pensar, pois a energia produzida num metro c\u00fabico no centro do Sol chegaria apenas para manter ligados o frigor\u00edfico e a televis\u00e3o, enquanto que com 4 miligramas de combust\u00edvel nuclear conseguimos o mesmo. Por\u00e9m, o Sol \u00e9 1,3 milh\u00f5es de vezes mais volumoso do que a Terra e a cada segundo funde 600 milh\u00f5es de toneladas de hidrog\u00e9nio. Num segundo todos os reatores nucleares do planeta consomem apenas 30 quilogramas de combust\u00edvel mas, apesar de a fiss\u00e3o gerar mais energia do que a fus\u00e3o, nem com a fiss\u00e3o de todas as reservas de ur\u00e2nio do planeta conseguir\u00edamos atingir um milion\u00e9simo de um milion\u00e9simo da pot\u00eancia do sol.<br \/>\nDemorar\u00e1 algum tempo at\u00e9 que consigamos construir uma central de fus\u00e3o nuclear, mas finalmente conseguimos igualar as estrelas. As reservas de hidrog\u00e9nio na Terra s\u00e3o quase inesgot\u00e1veis e poucos s\u00e3o os res\u00edduos radioativos de um reator de fus\u00e3o. Chegar\u00e1 o \u201cnuclear limpo\u201d a tempo de inverter a crise clim\u00e1tica? Tenhamos confian\u00e7a que sim, mas n\u00e3o esperemos sentados!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Peixinho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":250339,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2067,100],"class_list":["post-253224","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-nuno-peixinho","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253224\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}