{"id":253295,"date":"2022-12-30T14:33:33","date_gmt":"2022-12-30T14:33:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=253295"},"modified":"2022-12-30T14:33:33","modified_gmt":"2022-12-30T14:33:33","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-feliz-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-feliz-2023\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 Mesa com Portugal \u2013 Feliz 2023"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2022\/12\/opiniao-a-mesa-com-portugal-feliz-2023\/olga-cavaleiro-4\/\" rel=\"attachment wp-att-253299\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-253299\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o nos sentamos para comer, sentamo-nos para comer juntos. Frase s\u00e1bia escrita h\u00e1 mais de 2000 anos por Plutarco, um grego que soube agradar a Roma e efabular em palavras a vontade de grandeza do Imp\u00e9rio. Para mim, uma frase que me deixa de cora\u00e7\u00e3o leve pelo elo que esconde. Comer \u00e9 muito mais do que o prazer secreto do gosto que preenche a boca. \u00c9 mais do que a energia que d\u00e1 \u00e2nimo ao nosso corpo. \u00c9 muito mais do que a t\u00e9cnica culin\u00e1ria que exige precis\u00e3o ou destreza. \u00c9 c\u00edrculo, \u00e9 aro, \u00e9 preceito conjunto de escutar e falar. \u00c9 receber e acolher na mesa e no cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 passar a travessa, a almofia, a ta\u00e7a, o ca\u00e7oilo, com o manjar preparado. \u00c9 guardar o melhor bocado, aquele que todos cobi\u00e7am e que todos se envergonham de tirar, para o conviva que com ele se sentou. \u00c9 passar o p\u00e3o, alimento s\u00f3brio que ampara os melhores e os piores momentos da fome. Nele encontramos o conforto no vazio da doen\u00e7a e na plenitude da refei\u00e7\u00e3o comum. \u00c9 encher o copo do vinho, que desliza pelo vidro como veludo, e se faz l\u00edquido estonteante capaz de aquecer o corpo e a mente. Dilata as veias e faz fluir o sangue. O vinho \u00e9 um sopro de fluidez das palavras, ainda que na regra que a civiliza\u00e7\u00e3o lhe imp\u00f4s, faz cair a m\u00e1scara do socialmente correto e deixa perceber o que somos para al\u00e9m do decoro p\u00fadico e bem-comportado. Rimos, choramos, gritamos e cantamos, dizemos piadas, contamos hist\u00f3rias passadas. \u00c0 mesa, fazemos as hist\u00f3rias dos nossos dias cair na gra\u00e7a da intemporalidade que nos faz feliz. Damos sentido aos dias que se esgotam no ritmo de um calend\u00e1rio apressado. \u00c9 nesses momentos que fazemos planos, revemos os sonhos prostrados pela inefic\u00e1cia do desarranjo do quotidiano, infligimos promessas ao cora\u00e7\u00e3o com a certeza de que n\u00e3o as iremos cumprir. Seguimos o caminho das horas da refei\u00e7\u00e3o comum na certeza do \u00eaxtase e do decl\u00ednio da noite.<br \/>\nDo entusiasmo inicial, a fome, a fome do que se vai comer, dos olhos que comem, \u00e0 fome do que se vai partilhar. Da loucura de n\u00e3o se saber s\u00f3, da inebriante sensa\u00e7\u00e3o de que as horas comuns soam a dobrar no nosso cora\u00e7\u00e3o. O bater das horas n\u00e3o ressoa na mente, ludibriados pelas palavras, risos, brindes e palavras avulsas que concorrem para uma noite de exist\u00eancia leve. N\u00e3o h\u00e1 peso, n\u00e3o h\u00e1 carrego, a mente que acompanha o corpo deixa-se guiar pelo bate-bate das emo\u00e7\u00f5es, pelo pulsar do que nos entusiasma.<br \/>\nSonhamos acordados e a fome desmancha a infelicidade, p\u00f5e-na na beira do prato como espinha sem pr\u00e9stimo. \u00c9 a beleza das refei\u00e7\u00f5es comuns. O sonho de uma noite que fica suspensa entre palavras e imagens.<br \/>\nEntre banquetes. Entre o Natal e o Ano Novo. Fim de ciclo e in\u00edcio de ciclo. Com o sonho que acompanha o banquete, a n\u00e3o adiar a reuni\u00e3o \u00e0 mesa e a deixar que esta seja um rio do tudo que queremos.<br \/>\nFeliz 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olga Cavaleiro, Investigadora em Hist\u00f3ria e Cultura gastron\u00f3mica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":253299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[894,100],"class_list":["post-253295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-olga-cavaleiro","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253295\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}