{"id":253408,"date":"2022-12-31T12:52:51","date_gmt":"2022-12-31T12:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=253408"},"modified":"2022-12-31T12:52:51","modified_gmt":"2022-12-31T12:52:51","slug":"opiniao-abaixo-o-ano-velho-viva-o-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-abaixo-o-ano-velho-viva-o-ano-novo\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Abaixo o ano velho. Viva o ano novo!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Manuel-Rocha-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-253410 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Manuel-Rocha-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Alexandra Reis recolheu meio milh\u00e3o, dizem as not\u00edcias. E de cadeira que vinha para cadeira migrou, numa deriva curricular que carateriza aquela parte da (mal) chamada \u201celite pol\u00edtica\u201d que, quando n\u00e3o comenta no ecr\u00e3, administra em grande. Alexandra Reis teve azar: na TAP, em que foi posta, teve uns desentendimentos e foi despedida. O tal meio milh\u00e3o foi o valor da indemniza\u00e7\u00e3o que, sendo direito do \u201cdispensado\u201d, tem, ali, o valor das lotarias. Diga-se, em defesa de Alexandra, que o despaut\u00e9rio pecuni\u00e1rio cumpre escrupulosamente os requisitos de legalidade. Por isso, queixas que pudesse haver n\u00e3o deveriam ser dirigidas a Alexandra Reis que, vistas as coisas sem a devida profundidade, acaba por ser uma v\u00edtima. V\u00e1rias vezes. A \u00faltima foi o despedimento do tacho do Tesouro, mais por apar\u00eancia do que por subst\u00e2ncia. Alexandra Reis \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o do bode expiat\u00f3rio, decalcado das subidas Escrituras para o rasteiro Terreiro do Pa\u00e7o, exibida como expoente m\u00e1ximo da absolvi\u00e7\u00e3o de pecados alheios, ainda que legalmente defendidos. Convencida de ser governante, Alexandra deu subitamente consigo na pele de governada, de condi\u00e7\u00e3o \u201cigual\u201d \u00e0 de milhares de compatriotas seus todos os dias despedidos por esse Portugal empresarial fora. A diferen\u00e7a est\u00e1 no montante reparador \u2013 e essa \u00e9 uma diferen\u00e7a escandalosa, uma diferen\u00e7a de ordem pol\u00edtica, um crime de ofensa \u00e0 dignidade dos comuns, de que a governante Alexandra Reis \u00e9, afinal, c\u00famplice e benefici\u00e1ria.<br \/>\nAinda que a amn\u00e9sia seja a maior qualidade do respeit\u00e1vel p\u00fablico do espet\u00e1culo do mundo, recordemos o calv\u00e1rio dos despedidos comuns, tantas vezes necessitados de luta sindical e senten\u00e7a judicial entre a expuls\u00e3o e o recebimento do montante \u201ca determinar entre 15 e 45 dias de retribui\u00e7\u00e3o base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade\u201d. Fosse Alexandra Reis uma vulgar trabalhadora da chamada classe m\u00e9dia portuguesa, saberia que, para atingir o meio milh\u00e3o que levou consigo, precisaria de ter ingressado na TAP ao tempo da Passarola do celebrado Bartolomeu de Gusm\u00e3o. Mas n\u00e3o precisou. Os governos que bloqueiam as carreiras dos seus quadros m\u00e9dios e condenam 25% dos trabalhadores a um sal\u00e1rio m\u00ednimo de mis\u00e9ria, s\u00e3o os mesmos que distribuem pela sua clientela os sal\u00e1rios \u201cconformes com o mercado internacional\u201d. Os governos que criaram estatutos e CRESAPes, para legalizar plataformas de forma\u00e7\u00e3o de gestores-de-privatiza\u00e7\u00e3o de empresas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e correspondentes servi\u00e7os, s\u00e3o os mesmos que alargaram o \u201cper\u00edodo experimental\u201d dos trabalhadores comuns, que sujeitam os investigadores portugueses \u00e0 perene precariedade da vida de \u201cbolseiro\u201d, que colocam todos os obst\u00e1culos \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores pelas autarquias.<br \/>\nEntre o sil\u00eancio e as juras de fidelidade aos valores da moralidade, os governantes de turno esperam que a borrasca passe. Ali ao lado, os da \u201caltern\u00e2ncia\u201d &#8211; ainda ontem governantes &#8211; denunciam, ruidosos, os pecados de que j\u00e1 foram ativos titulares. Fiam-se (com assinal\u00e1vel raz\u00e3o) na senten\u00e7a do malogrado Olof Palme, segundo a qual \u201ca mem\u00f3ria do eleitor tem a dura\u00e7\u00e3o de seis meses\u201d. Neste ambiente, de pecados e absolvi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 que desvalorizar o papel dos \u201cpopulistas\u201d. O \u201cpopulista\u201d, \u00e0 partida, tem sempre raz\u00e3o. O \u201cpopulista\u201d surge aos olhos dos comuns como porta-voz dos desvalidos na reparti\u00e7\u00e3o da riqueza. E como tal \u00e9 promovido em todos os ecr\u00e3s e a todas as horas do dia, fazendo com que o injusti\u00e7ado incauto se identifique com as suas palavras, o seu rosto, o seu emblema, o s\u00edmbolo no boletim de voto.<br \/>\nA Hist\u00f3ria, por\u00e9m, vem demonstrando que o \u201cpopulista\u201d \u00e9 o ant\u00eddoto mais eficaz para as ambi\u00e7\u00f5es do povo \u2013 ele \u00e9 o rosto da vingan\u00e7a, mas (tamb\u00e9m por isso) \u00e9 o maior inimigo da justi\u00e7a. Quando o \u201cpopulista\u201d denuncia o \u201csistema\u201d \u00e9 porque lhe quer ocupar o lugar \u2013 muda-lhe o nome, mas copia-lhe a fun\u00e7\u00e3o. O \u201cpopulista\u201d n\u00e3o passa, afinal, de um invejoso de elevada perigosidade, uma esp\u00e9cie de Robin dos Bosques do avesso, que rouba aos ricos dos outros o que dar\u00e1 aos seus pr\u00f3prios ricos, ampliando sempre a viol\u00eancia sobre os pobres, reprimindo sempre as suas organiza\u00e7\u00f5es de classe.<br \/>\nA poucas horas de mudar um algarismo a 2022, talvez n\u00e3o seja preciso um milagre para que se perceba que a riqueza produzida neste mundo \u00e9 suficiente para garantir as dignidades todas. E que a desigualdade n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade, mas apenas um produto da Hist\u00f3ria &#8211; a mesma Hist\u00f3ria que j\u00e1 provou, por repetidas vezes, que \u00e9 poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade nova, de um novo tempo de concretiza\u00e7\u00e3o dos mais justos desejos de Ano Novo. Feliz Ano Novo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":253410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[935,100],"class_list":["post-253408","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-rocha","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253408\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}