{"id":253700,"date":"2023-01-04T10:34:20","date_gmt":"2023-01-04T10:34:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=253700"},"modified":"2023-01-04T10:34:20","modified_gmt":"2023-01-04T10:34:20","slug":"opiniao-as-letras-tambem-sao-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-as-letras-tambem-sao-armas\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: As letras tamb\u00e9m s\u00e3o armas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jorge-Castilho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-249721 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jorge-Castilho.jpg\" alt=\"\" width=\"1213\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cAo longo dos s\u00e9culos, por diversas vezes os estudantes da Universidade de Coimbra pegaram em armas, constituindo Batalh\u00f5es Acad\u00e9micos, para defesa da independ\u00eancia da P\u00e1tria ou da liberdade dos seus concidad\u00e3os.<br \/>\nO primeiro de que existe desenvolvida not\u00edcia foi constitu\u00eddo, em 1644-1645, no \u00e2mbito da Guerra da Restaura\u00e7\u00e3o, em resposta a solicita\u00e7\u00e3o dirigida por D. Jo\u00e3o IV ao Reitor da Universidade, D. Manuel de Saldanha, que pessoalmente comandou os 630 estudantes, enquadrados por alguns professores, que marcharam para o Alentejo, em defesa da pra\u00e7a de Elvas, sitiada pelas tropas espanholas\u201d.<br \/>\n\u2026\u2026<br \/>\nOs dois par\u00e1grafos que acabam de ler n\u00e3o s\u00e3o de minha autoria. Transcrevi-os (com a devida v\u00e9nia) da Introdu\u00e7\u00e3o de um livro muito interessante, intitulado \u201cO Batalh\u00e3o Acad\u00e9mico de 1846-1847\u201d, da autoria de Ant\u00f3nio dos Santos Pereira Jardim.<br \/>\nEste Ant\u00f3nio Jardim tem uma hist\u00f3ria bem curiosa: nascido em Coimbra em 1841, no seio de uma fam\u00edlia humilde, come\u00e7ou por ser tanoeiro e com os proventos do seu trabalho conseguiu estudar e matricular-se na Faculdade de Direito, onde viria a ser prestigiado professor.<br \/>\nMas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o da sua autoria os dois par\u00e1grafos com que inicio este meu texto!&#8230;<br \/>\nEles foram escritos, isso sim, pelo respons\u00e1vel pela reedi\u00e7\u00e3o deste e de muitos outros livros que abordam a Hist\u00f3ria de Coimbra e da sua Academia.<br \/>\nEstou a referir-me a M\u00e1rio Ara\u00fajo Torres. Nascido em Cabeceiras de Basto em 1945, veio para Coimbra ainda crian\u00e7a e aqui concluiu a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria (na Escola da S\u00e9 Velha), depois o ensino secund\u00e1rio (no Liceu D. Jo\u00e3o III) e a licenciatura na Faculdade de Direito (em 1968 ).<br \/>\nAinda estudante, em 1967, foi subdirector da revista \u201cEstudos\u201d, editada pelo CADC (Centro Acad\u00e9mico de Democracia Crist\u00e3). Em 1969, j\u00e1 a fazer o est\u00e1gio de advocacia, participou na defesa de estudantes que foram alvo de processos por participarem na chamada \u201cCrise Acad\u00e9mica\u201d. Integrou tamb\u00e9m as listas da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica de Coimbra nas elei\u00e7\u00f5es legislativas desse mesmo ano. Regressado da Guerra Colonial em Angola em 1974, iniciou uma brilhante carreira na magistratura, tendo chegado a Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo ( 1993-2000 ), do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a ( 2000-2002 ) e do Tribunal Constitucional ( 2002-2009 ).<br \/>\nDesde a sua jubila\u00e7\u00e3o, tem vindo a dedicar-se \u00e0 recolha e reedi\u00e7\u00e3o de obras de diversos autores que em Coimbra desenvolveram a sua atividade ao longo dos tempos (desde o s\u00e9c. XVI at\u00e9 ao s\u00e9c. XX), e que estavam \u201cdesaparecidas\u201d ou mais ou menos esquecidas.<br \/>\nA lista \u00e9 longa e o espa\u00e7o \u00e9 escasso, pelo que aqui cito apenas algumas dessas obras: \u201cApontamentos para Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea\u201d, de Joaquim Martins de Carvalho; \u201cDescri\u00e7\u00e3o e debuxo do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra\u201d, de Francisco Mendanha; \u201cContributos para a topon\u00edmia da regi\u00e3o de Coimbra\u201d, de Jos\u00e9 Leite de Vasconcelos; \u201cConimbricae encomium\u201d (elogio de Coimbra) de In\u00e1cio de Morais; \u201cCorografia Portuguesa\u201d, de Ant\u00f3nio Carvalho da Costa; \u201cO Antiqu\u00e1rio Conimbricense \u2013 Seguido de Alvenda ou a conquista de Coimbra por Fernando Magno\u201d, de Manuel da Cruz Pereira Coutinho; \u201cBelezas de Coimbra\u201d, de Ant\u00f3nio Moniz Barreto Corte-Real, seguido de \u201cMem\u00f3ria topogr\u00e1fica e descrita de Coimbra e seus arredores\u201d de Francisco Ant\u00f3nio Rodrigues de Gusm\u00e3o.<br \/>\nO livro sobre o Batalh\u00e3o Acad\u00e9mico \u00e9 o mais recente (editado em Setembro de 2022 ), e a profus\u00e3o de notas e de textos que o valorizam, vem demonstrar, uma vez mais, o notabil\u00edssimo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o desenvolvido por M\u00e1rio Ara\u00fajo Torres<br \/>\nSimbolicamente comecei por esse livro e com ele acabo.<br \/>\nPara sublinhar que o conselheiro M\u00e1rio Ara\u00fajo Torres, com uma enorme mod\u00e9stia, est\u00e1 a oferecer um precioso contributo para a preserva\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de importantes obras liter\u00e1rias e hist\u00f3ricas \u2013 e, por essa via, para enriquecimento do patrim\u00f3nio de Coimbra e do Pa\u00eds.<br \/>\nUma personalidade singular, a quem aqui presto homenagem, t\u00e3o singela quanto merecida.<br \/>\nE que demonstra que as letras tamb\u00e9m podem ser armas \u2013 no caso vertente usadas em defesa da Cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Castilho<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":249721,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[259,100],"class_list":["post-253700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jorge-castilho","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253700\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}