{"id":254051,"date":"2023-01-07T12:46:50","date_gmt":"2023-01-07T12:46:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=254051"},"modified":"2023-01-07T12:46:50","modified_gmt":"2023-01-07T12:46:50","slug":"opiniao-nao-ha-respostas-simples-para-perguntas-complexas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-nao-ha-respostas-simples-para-perguntas-complexas\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 respostas simples para perguntas complexas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/MARTHA-MENDES.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-252912 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/MARTHA-MENDES-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>O texto sobre a despenaliza\u00e7\u00e3o da morte medicamente assistida foi, pela terceira vez, aprovado pelo Parlamento e, esta semana, o Presidente da Rep\u00fablica (PR) decidiu enviar, novamente, para o Tribunal Constitucional o diploma relativo \u00e0 eutan\u00e1sia, por considerar que h\u00e1 \u201cindefini\u00e7\u00f5es conceptuais\u201d no texto final. Apesar de as sondagens indicarem que a grande maioria dos portugueses \u00e9 a favor da eutan\u00e1sia ( 72,5%, segundo a sondagem de dezembro da Intercampus), este tema est\u00e1 longe de ser consensual, porque n\u00e3o h\u00e1 respostas simples para perguntas complexas. E o direito &#8211; e dever &#8211; \u00e0 vida \u00e9 um tema profundamente complexo.<br \/>\nVamos aos factos: o texto aprovado pelo Parlamento define que a \u201cmorte medicamente assistida n\u00e3o pun\u00edvel\u201d ocorre \u201cpor decis\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa, maior, cuja vontade seja atual e reiterada, s\u00e9ria, livre e esclarecida, em situa\u00e7\u00e3o de sofrimento de grande intensidade, com les\u00e3o definitiva de gravidade extrema ou doen\u00e7a grave e incur\u00e1vel, quando praticada ou ajudada por profissionais de sa\u00fade\u201d.<br \/>\nQuem recorre \u00e0 eutan\u00e1sia justifica a op\u00e7\u00e3o com a incapacidade de suportar uma dor intoler\u00e1vel e m\u00e1 qualidade de vida, e o medo de perder a dignidade e o controlo sobre o corpo. A vida \u00e9 minha. E \u00e9. No entanto, a minha vida n\u00e3o vale s\u00f3 o que vale para mim, mas tamb\u00e9m o que vale para os outros \u2013 especialmente para os que me amam. A eutan\u00e1sia origina um debate p\u00fablico com reflex\u00f5es religiosas, \u00e9ticas, filos\u00f3ficas e pr\u00e1ticas, com diferentes entendimentos sobre o significado e o valor da vida humana. Quem \u00e9 a favor, usa como principais argumentos a individualidade, o direito a decidir sobre o corpo, a um fim digno e ao al\u00edvio da dor e do sofrimento, defendendo que a eutan\u00e1sia \u00e9 uma quest\u00e3o de liberdade e n\u00e3o prejudica ningu\u00e9m para al\u00e9m do visado. Quem \u00e9 contra, argumenta que matar \u00e9 intrinsecamente errado e reprov\u00e1vel em quase todas as religi\u00f5es, culturas e sistemas sociais, e recorda os princ\u00edpios da integridade da profiss\u00e3o m\u00e9dica, defendendo que uma rede forte de cuidados paliativos acabaria com a necessidade da eutan\u00e1sia. Encontro argumentos v\u00e1lidos dos dois lados. E para este assunto, como para todos os temas complexos, n\u00e3o tenho respostas simples, nem imediatas. A morte, tal como a vida, diz respeito a cada um de n\u00f3s, individualmente. E parece-me t\u00e3o digno p\u00f4r fim a um sofrimento insuport\u00e1vel, por entender que este n\u00e3o dignifica a vida, como suport\u00e1-lo at\u00e9 ao fim, protegendo a vida at\u00e9 ao \u00faltimo dia. Na vida, e na morte, n\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmulas matem\u00e1ticas que sirvam a todos por igual.<br \/>\nCom todo o respeito a que o tema obriga, defendo que ningu\u00e9m deve ser obrigado a submeter-se a um sofrimento intoler\u00e1vel e sem esperan\u00e7a de melhoria, se n\u00e3o for esse o seu desejo. Algu\u00e9m que sente que a vida est\u00e1 esgotada deve poder termin\u00e1-la sem sofrimento. E quem entender que deve suportar todas as dores, deve ter ao dispor todos os meios para minimizar o sofrimento da caminhada final. As duas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se anulam, nem se excluem entre si. Se h\u00e1 valor maior \u00e9 o do livre-arb\u00edtrio e da liberdade. Que possamos seguir ou terminar o nosso caminho, sendo fi\u00e9is \u00e0quilo que somos, aos nossos desejos e consci\u00eancia. Amar passa tanto por cuidar, como por deixar partir \u2013 n\u00e3o h\u00e1 amor sem um respeito profundo por aquilo que o outro \u00e9. Aceitar e defender a liberdade do outro \u00e9 uma das maiores formas de amor. Quero que o meu pa\u00eds respeite a vontade individual. A decis\u00e3o do PR n\u00e3o pode ser paternalista, e muito menos religiosa ou baseada em julgamentos morais, mas democr\u00e1tica. A despenaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia n\u00e3o obriga ningu\u00e9m a morrer, s\u00f3 nos d\u00e1 o direito a escolher. O Marcelo \u00e9 o Presidente de todos os portugueses. Mesmo daqueles que fariam escolhas diferentes das suas.<\/p>\n<p><em>Pode ler a opini\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital do DI\u00c1RIO AS BEIRAS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o da gestora de comunica\u00e7\u00e3o, Martha Mendes. &#8220;Com todo o respeito a que o tema obriga, defendo que ningu\u00e9m deve ser obrigado a submeter-se a um sofrimento intoler\u00e1vel e sem esperan\u00e7a de melhoria, se n\u00e3o for esse o seu desejo. 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