{"id":254247,"date":"2023-01-10T10:58:42","date_gmt":"2023-01-10T10:58:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=254247"},"modified":"2023-01-10T10:58:42","modified_gmt":"2023-01-10T10:58:42","slug":"acho-chocante-uma-banda-demorar-cinco-anos-a-lancar-um-album","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/acho-chocante-uma-banda-demorar-cinco-anos-a-lancar-um-album\/","title":{"rendered":"&#8220;Acho chocante uma banda demorar cinco anos a lan\u00e7ar um \u00e1lbum&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_254256\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-254256\" class=\"wp-image-254256 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7-768x512.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7-600x400.jpg 600w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-7.jpg 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-254256\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia: Miguel Almeida<\/p><\/div>\n<p>Victor Torpedo, membro da extinta banda conimbricense T\u00e9dio Boys, vai lan\u00e7ar em 2023 um \u00e1lbum em cada m\u00eas do ano. O m\u00fasico explica ao DI\u00c1RIO AS BEIRAS as raz\u00f5es, os seus m\u00e9todos e ainda faz uma radiografia ao panorama atual musical em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Quando \u00e9 que surgiu a paix\u00e3o pela m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nDesde sempre. Eu nasci em 1972 e tive a sorte de os meus primeiros anos de inicia\u00e7\u00e3o terem sido no boom da new wave em Portugal. Bandas como Joe Jackson ou Pretenders estavam a chegar a Portugal quando era mi\u00fado.<\/p>\n<p><strong>E quando \u00e9 que come\u00e7ou a tocar?<\/strong><br \/>\nEu comecei na catequese (risos). Ali\u00e1s, fiquei muito lixado porque no jogo Portugal \u2013 Fran\u00e7a, no Euro de 1984, em que o Platini nos est\u00e1 a tramar, eu n\u00e3o pude ver porque estava a cantar na catequese. Estava super irritado a cantar o \u201cMilho Verde\u201d de Jos\u00e9 Afonso porque s\u00f3 queria ir ver a bola.<\/p>\n<p><strong>Passados 38 anos dessa atua\u00e7\u00e3o na catequese vai lan\u00e7ar 12 \u00e1lbuns num s\u00f3 ano. Porqu\u00ea? <\/strong><br \/>\nEu at\u00e9 fiquei chocado com a exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica que isto tem tido. A ideia veio porque estive fechado muito tempo durante a pandemia. Isso fez-me tocar e gravar muito.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que ficou chocado com toda essa exposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o acho que seja incr\u00edvel lan\u00e7ar 12 discos num ano. Eu acho \u00e9 dif\u00edcil e chocante uma banda demorar cinco anos a lan\u00e7ar um \u00e1lbum. Eu n\u00e3o consigo trabalhar sem essa urg\u00eancia. Esta urg\u00eancia \u00e9 muito \u00e0 Varia\u00e7\u00f5es, parafraseando-o \u201cS\u00f3 estou bem onde n\u00e3o estou\u201d\u2026 Eu desde mi\u00fado sofro disso.<\/p>\n<p><strong>E o seu processo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pido?<\/strong><br \/>\nSim. Sou muito r\u00e1pido no processo de cria\u00e7\u00e3o e acumulo muita coisa. \u00c0s vezes come\u00e7o uma coisa de manh\u00e3 e \u00e0 noite tenho um \u00e1lbum feito, com os instrumentos todos gravados e com as letras. Sou um bocado compulsivo neste processo. Ainda por cima, s\u00e3o \u00e1lbuns com todos os instrumentos.<\/p>\n<p><strong>Com um processo de produ\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido perde muita coisa?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 perdi muita, mas muita, coisa. Eu mandei a ideia ao Rui, da editora Lux Records, de lan\u00e7ar estes 12 \u00e1lbuns porque tinha muita coisa gravada e n\u00e3o a podia perder. Quando ele disse que sim, fui confirmar o que tinha gravado e percebi que tenho muito mais de 12 \u00e1lbuns. Depois destes v\u00e3o ter que sair mais dois discos duplos ou dois triplos. Esse processo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pessoal.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>&#8220;Eu s\u00f3 consigo avan\u00e7ar e produzir outra coisa quando existir um objetivo f\u00edsico. Eu nem preciso que as pessoas o ou\u00e7am, eu s\u00f3 preciso que haja um CD legal, com capa e tudo&#8221;<\/h3>\n<div id=\"attachment_254261\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-254261\" class=\"wp-image-254261 size-medium\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6-300x200.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6-768x512.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6-600x400.jpg 600w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Entrevista-a-Vitor-Torpedo-MA-6.jpg 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-254261\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia: Miguel Almeida<\/p><\/div><\/blockquote>\n<p><strong>Porque \u00e9 que sente a necessidade de os lan\u00e7ar publicamente?<\/strong><br \/>\nEu s\u00f3 consigo avan\u00e7ar e produzir outra coisa quando existir um objetivo f\u00edsico. Eu nem preciso que as pessoas o ou\u00e7am, eu s\u00f3 preciso que haja um CD legal, com capa e tudo. Se o Rui me dissesse que s\u00f3 fazia 10 exemplares por \u00e1lbum, n\u00e3o havia problema.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 conseguiu gravar e editar os \u00e1lbuns todos?<\/strong><br \/>\nAlguns j\u00e1 est\u00e3o gravados, mas editados e misturados n\u00e3o. Esse trabalho fa\u00e7o em conjunto com o meu amigo Jo\u00e3o Rui. Temos uma rela\u00e7\u00e3o muito osm\u00f3tica. Eu mando-lhe as m\u00fasicas e ele em segundos percebe os pequenos toques que eu quero.<\/p>\n<p><strong>De onde surge essa inspira\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu trabalho muito no erro. N\u00e3o tenho propriamente uma agenda do que quero fazer. Posso, por exemplo, estar em casa e ouvir uma batida muito estranha e come\u00e7o a pesquisar esses sons e a trabalh\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>Com tanta grava\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que percebe se os \u00e1lbuns est\u00e3o prontos?<\/strong><br \/>\nEu vejo a m\u00fasica como vejo a pintura. Eu quando fa\u00e7o m\u00fasica e pintura, fa\u00e7o sempre algo que gostaria de ter em casa. Quando lan\u00e7o o \u00e1lbum \u00e9 porque o queria ter em casa. H\u00e1 muitos discos que eu gravo em est\u00fadio e que n\u00e3o saem porque eu acabo por n\u00e3o gostar.<\/p>\n<p><strong>Se conseguirmos moldar os \u00e1lbuns em estilos musicais, o que \u00e9 que a\u00ed vem?<\/strong><br \/>\nVai ser uma variedade de estilos. Vai haver rock and roll, new wave, punk e p\u00f3s-punk. Mas vou lan\u00e7ar um \u00e1lbum de reggie dub, s\u00f3 de instrumentais. Tenho tamb\u00e9m dois \u00e1lbuns que s\u00e3o feitos a partir de duas bandas sonoras de dois filmes. Fa\u00e7o ainda um \u00e1lbum com um estilo ambiental.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que vai tocar os \u00e1lbuns em concerto?<\/strong><br \/>\nProvavelmente vou tocar algumas m\u00fasicas de cada um dos \u00e1lbuns. Eu estou a trabalhar com os Pop Kids e mesmo assim \u00e9 imposs\u00edvel conseguir tocar algumas m\u00fasicas desses \u00e1lbuns em concerto. Eu n\u00e3o produzi os discos com eles, mas temos andado a ensaiar. Mas hoje em dia tenho sorte por ter a Lux Records\u2026<\/p>\n<p><strong>Porqu\u00ea?<\/strong><br \/>\nPorque a Lux me deixa trabalhar com este grau de velocidade, porque sen\u00e3o \u201cflipava\u201d. No tempo dos T\u00e9dio Boys era um inferno. Antigamente era muito dif\u00edcil gravar um disco. N\u00f3s t\u00ednhamos m\u00fasicas em 1989 que s\u00f3 sa\u00edram em 1993. Ali\u00e1s, esta urg\u00eancia tem feito com que as bandas acabem.<\/p>\n<p><strong> Acha que a forma como a ind\u00fastria musical trabalha faz com que muitas bandas terminem?<\/strong><br \/>\nO processo est\u00e1 todo errado. Antigamente as bandas tocavam as m\u00fasicas constantemente e s\u00f3 gravavam muito depois, j\u00e1 as m\u00fasicas eram conhecidas dos concertos. Agora \u00e9 o contr\u00e1rio, as bandas agora gravam \u00e1lbuns antes de tocar ao vivo. Claro que depois os primeiros concertos correm mal e n\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m a ver. Um bom exemplo de como deveria ser \u00e9 a m\u00fasica \u201cA minha Casinha\u201d dos Xutos e Pontap\u00e9s. Eles tocavam a m\u00fasica desde o in\u00edcio dos anos 80 e a m\u00fasica s\u00f3 sai em 1988. Depois, claro, que a m\u00fasica teve um boom total.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>&#8220;As bandas de rock and roll que tocam em Portugal s\u00e3o loucas. Est\u00e1-se tudo a borrifar para as bandas de rock and roll. Ter 30 pessoas no p\u00fablico \u00e9 uma grande casa nos dias de hoje&#8221;<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>As bandas sofrem com esse primeiro impacto negativo do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nClaro que sim, e os mi\u00fados ficam desmotivados. Ali\u00e1s, hoje em dia, as bandas de rock and roll que tocam em Portugal s\u00e3o loucas. Est\u00e1-se tudo a borrifar para as bandas de rock and roll. Ter 30 pessoas no p\u00fablico \u00e9 uma grande casa nos dias de hoje. Nos anos 90 teres 100 pessoas num espet\u00e1culo era p\u00e9ssimo\u2026<\/p>\n<p><strong>A si tamb\u00e9m lhe custa esse impacto?<\/strong><br \/>\nA mim j\u00e1 n\u00e3o me custa. Toco com a mesma motiva\u00e7\u00e3o para 30 pessoas ou para tr\u00eas mil. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 passei por muito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Torpedo, membro da extinta banda conimbricense T\u00e9dio Boys, vai lan\u00e7ar em 2023 um \u00e1lbum em cada m\u00eas do ano. 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