{"id":254551,"date":"2023-01-13T10:36:46","date_gmt":"2023-01-13T10:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=254551"},"modified":"2023-01-13T10:36:46","modified_gmt":"2023-01-13T10:36:46","slug":"opiniao-espreitar-pingyao-china-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-espreitar-pingyao-china-2011\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Espreitar Pingyao China-2011"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_254552\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-254552\" class=\"size-full wp-image-254552\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita.jpg 1200w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita-300x157.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita-768x402.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/33-Bagagem-descrita-600x314.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-254552\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Lu\u00eds Santos<\/p><\/div>\n<p>Pouco passa da meia noite quando o comboio chega a Pingyao, uma cidade muralhada chinesa conhecida pela sua bem preservada arquitetura da dinastia Ming, erigida entre os s\u00e9culos XIV e XVII. Oito horas depois de sair de Datong, uma outra urbe hist\u00f3rica, situada a norte, tinha desta vez um espa\u00e7o garantido para passar a noite, ao contr\u00e1rio do que tinha acontecido na anterior.<br \/>\nQuando a concorr\u00eancia aperta, como foi aqui o caso, h\u00e1 hostels que v\u00e3o buscar os clientes \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, uma op\u00e7\u00e3o muito em conta quando se chega a horas tardias e sem uma no\u00e7\u00e3o do s\u00edtio para onde nos devemos dirigir. N\u00e3o era o \u00fanico viajante nestas condi\u00e7\u00f5es, pelo que rapidamente se formou ali um pequeno grupo em busca do \u201cHarmony Hostel\u201d, esperando cada um a sua vez para embarcar num monovolume \u00e0 medida que o seu nome aparecia num cartaz feito \u00e0 pressa e cheio de erros ortogr\u00e1ficos. Quem j\u00e1 passou por uma situa\u00e7\u00e3o inversa sabe bem dar valor ao pequeno mimo de se ir buscar algu\u00e9m madrugada dentro e levar a bagagem rumo ao ponto onde o corpo pede repouso para passar a noite. O espa\u00e7o espanta e encanta pelo seu bom gosto e exotismo, mas a fadiga fala mais alto, e por raz\u00f5es de for\u00e7a maior sinto-me encaminhado na dire\u00e7\u00e3o do t\u00e3o esperado leito.<br \/>\nPela manh\u00e3, as energias est\u00e3o retemperadas e a \u00e2nsia de partir \u00e0 descoberta da cidade s\u00e3o raz\u00f5es mais que suficientes para n\u00e3o me deixar ficar na cama. O sol, radioso, exalta os tons quentes da cidade. As ruas est\u00e3o animadas com preg\u00f5es de vendedores que tentam fazer neg\u00f3cio com as multid\u00f5es que as calcorreiam de fio a pavio sob o aroma perfumado das \u00e1rvores j\u00e1 centen\u00e1rias que d\u00e3o sombra e ambiente aquele museu a c\u00e9u aberto.<br \/>\nPrefiro embrenhar-me pelas art\u00e9rias secund\u00e1rias, onde os turistas nem se d\u00e3o ao luxo de espreitar pois n\u00e3o constam nos roteiros assinalados pelos seus guias de viagem. A\u00ed esconde-se uma China mais aut\u00eantica, onde me posso inteirar da vida real de quem ali mora. H\u00e1 muito mais no pa\u00eds do que comerciantes de sorriso pl\u00e1stico a tentarem vender-nos a parafern\u00e1lia das suas bancas. \u00c9 nestes momentos que guardo o mapa no bolso e gosto de me perder, de andar \u00e0 deriva, ao sabor do que me vai captando a aten\u00e7\u00e3o. Viajar \u00e9 tamb\u00e9m um salto para a liberdade, pelo que estar constantemente condicionado por um peda\u00e7o de papel cheio de indica\u00e7\u00f5es seria uma infeliz incoer\u00eancia.<br \/>\nO sil\u00eancio que por aqui impera \u00e9 aproveitado por uma ou outra crian\u00e7a para fazer os deveres da escola, sentada no lancil do passeio ou num pequeno banco de madeira, atentamente debru\u00e7ada sobre a mat\u00e9ria a estudar. Do anonimato de um p\u00e1tio interior solta-se um raspanete de m\u00e3e para filho com a mesma frequ\u00eancia que uma gargalhada an\u00f3nima. Esta faceta do antigo \u201cImp\u00e9rio do Meio\u201d agrada-me mais pela vida que decorre por detr\u00e1s do pano, como se andasse nos bastidores de uma pe\u00e7a a que os outros assistem.<br \/>\nUma ou duas ruas ao lado da confus\u00e3o, emerge assim um outro mundo, mais fotog\u00e9nico e humano, onde as pessoas olham para n\u00f3s quando passamos e acenam simpaticamente, repetindo um ritual em que dois estranhos se cruzam por instantes, seguindo depois cada um as suas vidas, desaparecendo com a mesma facilidade com se que encontraram. Nenhum fala a l\u00edngua do outro, mas ambos se compreendem no que t\u00eam de compreender, pois o que \u00e9 essencial comunica-se com os olhos.<br \/>\nO ritmo \u00e9 mais calmo. Aprecia-se a vida a cada instante, sem pressas. Joga-se \u00e0s cartas ou domin\u00f3, ou p\u00f5e-se a conversa em dia. As express\u00f5es denotam tanto de simplicidade como de alegria. Quem aqui vive n\u00e3o sentir\u00e1 a pujan\u00e7a econ\u00f3mica do pa\u00eds, mas fica subentendido que o seu conceito de felicidade n\u00e3o passaria seguramente por a\u00ed.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Santos<br \/>\nProfessor de Hist\u00f3ria e fot\u00f3grafo<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":254552,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[208,450,868],"class_list":["post-254551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-china","tag-jose-luis-santos","tag-pingyao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254551\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}