{"id":254591,"date":"2023-01-13T13:07:57","date_gmt":"2023-01-13T13:07:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=254591"},"modified":"2023-01-13T13:07:57","modified_gmt":"2023-01-13T13:07:57","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-a-minha-lingua-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-a-minha-lingua-mae\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 Mesa com Portugal \u2013 A minha l\u00edngua m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-253299\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\"\/><\/a><\/p>\n<p>\u00c0s vezes chateia ver a l\u00edngua inglesa a substituir a l\u00edngua portuguesa, assim, de forma t\u00e3o gratuita. J\u00e1 n\u00e3o basta a maioria dos jovens ter melhor aptid\u00e3o para falar a l\u00edngua inglesa, agora n\u00f3s, os adultos, porque queremos ser modernos, usamos express\u00f5es e palavras inglesas para designar coisas t\u00e3o simples como comida, vinho, p\u00e3o, carne, etc. At\u00e9 parece que temos um problema de express\u00e3o no que a comida diz respeito. \u00c9 claro que se queremos afirmar a gastronomia portuguesa l\u00e1 fora temos que saber vender uma express\u00e3o que chegue numa l\u00edngua entend\u00edvel pela maioria, mas se estamos em Portugal, porque n\u00e3o falar em portugu\u00eas?<\/p>\n<p>\u00c9 que a l\u00edngua portuguesa n\u00e3o \u00e9 escassa em sin\u00f3nimos, nem as palavras recheadas de conte\u00fado. E do alimento \u00e0 comida, passando pela cozinha, arte culin\u00e1ria ou gastronomia, a l\u00edngua m\u00e3e est\u00e1 dispon\u00edvel para fazer estalar \u00e1gua na boca, at\u00e9 aos mais distra\u00eddos.<\/p>\n<p>Confesso que estou um bocadinho cansada dos \u201cfood festivals\u201d e de tantas outras utiliza\u00e7\u00f5es para designar o que acontece na nossa cidade, na nossa aldeia, ali ao virar da esquina. De repente, at\u00e9 parece que para atrair p\u00fablico tem que se centrar num discurso que, para algumas pessoas, as mais velhas, aquelas que n\u00e3o sabem ingl\u00eas, nada diz.<\/p>\n<p>Sei que a l\u00edngua inglesa tem um encanto dif\u00edcil de explicar. E que dizer \u201cfood festival\u201d \u00e9 muito mais interessante que \u201cfestival gastron\u00f3mico\u201d, ou que \u201ccraft beer\u201d fica mais bonito que \u201ccerveja artesanal\u201d e que \u201cwine\u201d soa muito mais urbano e dentro da moda que vinho. Mas \u00e9 um imagin\u00e1rio cultural que se perde, ao mesmo tempo que parece que esquecemos os deliciosos conte\u00fados das palavras associados \u00e0 nossa maneira de ver e viver os seus significados. &nbsp;<\/p>\n<p>Se n\u00e3o cuidarmos da l\u00edngua portuguesa, ela vai-se degradando na utiliza\u00e7\u00e3o que fazemos dela. As palavras ir\u00e3o perder-se pela sua n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o rabiscos em dicion\u00e1rios, palavras que ningu\u00e9m ir\u00e1 perceber pela aus\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es vividas. E eu gostava que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos uma terra das palavras esquecidas, composi\u00e7\u00e3o de letras prestes a serem desentendidas.<\/p>\n<p>Posso estar a ser excessiva. Acredito que sim. Mas, tenho para mim que as palavras s\u00e3o como as receitas. Se n\u00e3o as cuidarmos, elas acabam por perder sentido e deixam de fluir entre gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o como aquelas comidas que j\u00e1 ningu\u00e9m lembra como era o sabor, ou n\u00e3o se sabe a ordem dos ingredientes, ou n\u00e3o se recorda o truque que a fazia especial. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A l\u00edngua portuguesa tem doce e tem sal, \u00e9 \u00e1cida quando se quer, azeda quando necess\u00e1ria, picante qb, \u00e0s vezes at\u00e9 parece uma a\u00e7orda pelas vezes que se mexe e abebera de significados. \u00c0s vezes, fica mais seca e parece uma miga. O ensopado est\u00e1 sempre l\u00e1 e a sopa nunca nos deixa mal, pois tudo no pote ou na panela s\u00f3 d\u00e1 sabor. Mas h\u00e1 palavras que s\u00e3o como o p\u00e3o, bastam por si. Mas tenho para mim, que todas moram no nosso cora\u00e7\u00e3o, mais do que no nosso est\u00f4mago. Quero a minha l\u00edngua m\u00e3e na minha boca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olga Cavaleiro<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":253299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[894,100],"class_list":["post-254591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-olga-cavaleiro","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254591\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}