{"id":255061,"date":"2023-01-19T10:31:34","date_gmt":"2023-01-19T10:31:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=255061"},"modified":"2023-01-19T10:31:34","modified_gmt":"2023-01-19T10:31:34","slug":"opiniao-professores-greves-e-concursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-professores-greves-e-concursos\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Professores, Greves e Concursos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Jose-Linhares-de-Castro-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-252862 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Jose-Linhares-de-Castro-5.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Comecemos por falar do grupo profissional. Alguns leitores se lembrar\u00e3o dos tempos em que ser professor significava ocupar um estatuto social de prest\u00edgio. A partir dos anos 60 esse prest\u00edgio foi diminuindo paulatinamente, o que coincide com democratiza\u00e7\u00e3o do ensino e com o consequente recrutamento de mais, muitos mais professores. Acontece que a forma\u00e7\u00e3o inicial baixou substancialmente de qualidade e n\u00e3o recuperou com a rapidez que seria desej\u00e1vel.<br \/>\nQuando se trata de escolher uma profiss\u00e3o os jovens n\u00e3o p\u00f5em, por norma, a profiss\u00e3o docente como prioridade. Parece que s\u00f3 a escolhem os que t\u00eam uma verdadeira propens\u00e3o para serem professores ou os que, com reduzidas notas \u00e0 sa\u00edda do ensino secund\u00e1rio, ali encontram uma alternativa de vida.<br \/>\nComo inverter este estado de coisas? Muito se tem dito sobre o assunto: melhores sal\u00e1rios, melhores condi\u00e7\u00f5es de exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, melhor forma\u00e7\u00e3o profissional, menos trabalho administrativo, sistemas de avalia\u00e7\u00e3o mais exigentes, sele\u00e7\u00e3o mais rigorosa dos que se disp\u00f5em a entrar para a profiss\u00e3o.<br \/>\nComo se v\u00ea, todas podem ser importantes e nenhuma o ser\u00e1 por si s\u00f3. Quero dizer que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil descobrir o ovo de colombo desta profiss\u00e3o e que s\u00f3 reformas educativas que contemplem de muito cedo aspetos sist\u00e9micos poder\u00e3o ajudar a encontrar outros caminhos que prestigiem o nobil\u00edssimo trabalho de ser professor. Afinal n\u00e3o haveria m\u00e9dicos, nem ju\u00edzes, nem militares, nem engenheiros se n\u00e3o tivessem passado pelos bancos das escolas e l\u00e1 encontrassem quem os ajudassem a alfabetizarem-se.<br \/>\nEntretanto, v\u00eam as greves. E vem esta greve que est\u00e1 na ordem do dia e que tem mais de manifesta\u00e7\u00e3o de descontentamento com o governo do que restritamente com os problemas dos professores, dos funcion\u00e1rios e das escolas. Indiscutivelmente, o STOP que, tanto quanto se sabe, tem um n\u00famero reduzido de sindicalizados consegue uma mobiliza\u00e7\u00e3o not\u00e1vel, coisa que os chamados \u201csindicatos institucionais\u201d n\u00e3o t\u00eam conseguido ultimamente aproveitando a deixa que lhes \u00e9 dada para saltarem de novo para o terreno.<br \/>\nParece-me que h\u00e1 boas ajudas ao processo. A leitura atenta dos textos e as interven\u00e7\u00f5es na comunica\u00e7\u00e3o social do Dr. Santana Castilho pode funcionar como uma boa \u201cb\u00edblia\u201d. Para quem n\u00e3o sabe, o Dr. Santana Castilho foi um desastrado Subsecret\u00e1rio de Estado dos Assuntos Pedag\u00f3gicos com o ministro Professor Fra\u00fasto da Silva.<br \/>\nMas o seu instinto pol\u00edtico e a sua indesment\u00edvel autoestima ajudar\u00e3o, certamente, a criar lastro para esta situa\u00e7\u00e3o O problema que se pode vir a p\u00f4r \u00e9 que, no caso de malogro da luta, criar uma enorme orfandade entre os que acreditaram nela. Mas isso a seu tempo se ver\u00e1. Por outro lado, estas greves por tempo indeterminado correm o risco de tirar alunos do ensino p\u00fablico para o privado, falhando o alvo. E n\u00e3o falo agora nos fundos de greve, que n\u00e3o se encontram previstos nem regulamentados e que s\u00e3o inacredit\u00e1veis, pois os professores admitem quotizar-se para que os assistentes operacionais fa\u00e7am greve e fechem as escolas. Isto \u00e9, os professores delegam noutros a vontade que t\u00eam de lutar, prejudicando-se o m\u00ednimo poss\u00edvel. N\u00e3o gosto nem acho bem.<br \/>\nOs professores t\u00eam mais do que raz\u00f5es para lutarem, mas n\u00e3o devem nem podem delegar em terceiros que os substituam nas suas lutas.<br \/>\nTenho pena, mas o tema dos concursos n\u00e3o cabe agora neste texto e nos quase 4.000 carateres de prosa que me \u00e9 pedida.<br \/>\nH\u00e1 uma enorme converg\u00eancia de opini\u00f5es quanto \u00e0 necessidade de se mexer nos concursos, dado que o atual modelo n\u00e3o serve a ningu\u00e9m ou, pelo menos, serve a poucos. Ent\u00e3o espera-se o qu\u00ea?<br \/>\nSobre esta mat\u00e9ria diz-se uma coisa e o seu contr\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel manter o atual modelo e querer ficar perto de casa. Quando um professor diz que ficou a 500 quil\u00f3metros de casa foi porque concorreu para l\u00e1. Ningu\u00e9m \u00e9 colocado para onde n\u00e3o admitiu ir. Mas a situa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o serve alunos nem professores, particularmente os que andam com a casa \u00e0s costas, como entrou agora no l\u00e9xico da luta dos docentes<br \/>\nFa\u00e7am o favor de negociar, de tomar medidas, de decidir. Alunos, pais, fam\u00edlias esperam que se reponha a normalidade nas escolas, que os alunos aprendam mesmo, que os professores ensinem mesmo, que a educa\u00e7\u00e3o cumpra mesmo o seu papel final e decisivo.<br \/>\nMas o governo tem de cumprir o seu, coisa que n\u00e3o tem acontecido.<br \/>\nSe tal n\u00e3o se concretizar, ser\u00e1 mais um ano perdido para todos, o que seguramente n\u00e3o \u00e9 do gosto nem do interesse de ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Linhares de Castro<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":252862,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1171,100],"class_list":["post-255061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-linhares-de-castro","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/255061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=255061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/255061\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=255061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=255061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=255061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}