{"id":255505,"date":"2023-01-25T10:08:31","date_gmt":"2023-01-25T10:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=255505"},"modified":"2023-01-25T10:08:31","modified_gmt":"2023-01-25T10:08:31","slug":"opiniao-a-idade-dos-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-idade-dos-medicos\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A idade dos m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-251136 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Servi\u00e7o Nacional de sa\u00fade (SNS) continua nas bocas do mundo, pelos maus motivos. Nesta coluna de Opini\u00e3o, tenho discutido o tema frequentemente, fazendo diagn\u00f3sticos e apontado eventuais solu\u00e7\u00f5es. Naturalmente, os meus diagn\u00f3sticos e as minhas solu\u00e7\u00f5es.<br \/>\nContinuo a pensar que o problema do SNS n\u00e3o est\u00e1 tanto na falta de dinheiro e de profissionais, como muito se reclama, quanto na desorganiza\u00e7\u00e3o do sistema de trabalho. Sen\u00e3o, vejamos: em 2012, a despesa com o SNS foi de 8.947 milh\u00f5es de euros e os gastos com pessoal eram de 3.34 milh\u00f5es de euros; em 2020 estes custos eram, respetivamente de 11.779 e 4.743 milh\u00f5es de euros (dados PORDATA, 2022 ). A estimativa de execu\u00e7\u00e3o para 2022 coloca o setor da sa\u00fade a representar 13,2% do or\u00e7amento do estado. O or\u00e7amento para 2023 prev\u00ea uma despesa total consolidada de 14 858 milh\u00f5es de Euros, mais 1.177 milh\u00f5es de euros que em 2022, o que significa que o peso do setor da sa\u00fade na despesa prim\u00e1ria do estado \u00e9 refor\u00e7ado para 13,9%.<br \/>\nOra, este aumento de mais de 50% dos or\u00e7amentos para a sa\u00fade da \u00faltima d\u00e9cada resultou numa melhoria correspondente nos cuidados prestados? \u00c9 evidente que n\u00e3o! J\u00e1 aqui afirmei v\u00e1rias vezes que, simplesmente, lan\u00e7ar mais dinheiro para o sistema resulta apenas num aumento do desperd\u00edcio.<br \/>\nPor outro lado, em 2020 Portugal tinha mais de 57 mil m\u00e9dicos; era o segundo pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com mais m\u00e9dicos por mil habitantes (5,6). Um valor bem acima da m\u00e9dia europeia de 3,8 m\u00e9dicos por mil habitantes (PORDATA). Ent\u00e3o porque temos tanta \u201cfalta de m\u00e9dicos\u201d? \u00c9 certo que apenas 46% trabalham nos hospitais, um n\u00famero que tem vindo progressivamente a diminuir nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O SNS \u00e9 cada vez menos atrativo; para os jovens m\u00e9dicos, em especial.<br \/>\nMas o principal problema reside na falta de efic\u00e1cia do modelo organizativo do trabalho. Muitas vezes tenho chamado a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de alterar o atual modelo de \u2018part time\u2019 e refor\u00e7ar o valor da dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, que faz parte da legisla\u00e7\u00e3o, mas que tem sido pouco encorajada nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Est\u00e1 prevista, para 2023, a cria\u00e7\u00e3o da figura do m\u00e9dico em \u201cdedica\u00e7\u00e3o plena\u201d, com melhor remunera\u00e7\u00e3o. \u00c9 suficiente? Penso que n\u00e3o!<br \/>\nContudo, h\u00e1 outros aspetos que \u00e9 importante considerar na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Sen\u00e3o, vejamos: o encerramento dos servi\u00e7os de urg\u00eancia &#8211; obst\u00e9trica, mas n\u00e3o s\u00f3 &#8211; tem sido a face mais vis\u00edvel da progressiva insufici\u00eancia do SNS. Mas repare-se bem: o encerramento ocorre quase s\u00f3 aos fins de semana. Porqu\u00ea? Temos menos m\u00e9dicos no SNS ao fim de semana? Evidentemente, n\u00e3o. Trata-se apenas de falta de coordena\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de trabalho que, como j\u00e1 muitas vezes afirmei, \u00e9 da exclusiva responsabilidade dos diretores de servi\u00e7o, que frequentemente a n\u00e3o assumem!<br \/>\nNo entanto, tenho que admitir que o assunto \u00e9 mais complexo. Metade dos quase 20 mil m\u00e9dicos do SNS j\u00e1 ultrapassou os 50 anos. Os dados foram recentemente revelados pelo relat\u00f3rio anual do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, onde se destacam outros n\u00fameros que apontam para um envelhecimento da classe m\u00e9dica que permanece no ativo do Estado: mais de oito mil j\u00e1 ultrapassaram os 55 anos, idade em que os m\u00e9dicos podem prescindir de fazer servi\u00e7o de urg\u00eancia noturna.<br \/>\nDe facto, a lei estabelece que os m\u00e9dicos est\u00e3o dispensados de urg\u00eancia noturna a partir dos 50 anos e de fazer qualquer urg\u00eancia a partir dos 55. Esta prerrogativa adv\u00e9m do disposto no Decreto-Lei n.\u00ba 73\/90 que, contudo, estabelece que \u201cem fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es e necessidades do regular e eficiente funcionamento dos servi\u00e7os, poder\u00e3o ser adotadas modalidades de hor\u00e1rios de trabalho previstas na lei geral aplic\u00e1vel \u00e0 fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, designadamente hor\u00e1rios desfasados, de acordo com regras a aprovar mediante despacho do Ministro da Sa\u00fade\u201d.<br \/>\n\u00c9 verdade que, como h\u00e1 algum tempo salientou o Baston\u00e1rio da Ordem dos M\u00e9dicos, \u201cs\u00e3o muitos os m\u00e9dicos com mais de 55 anos que continuam a assegurar urg\u00eancias\u201d. Mas n\u00e3o precisamos apenas de muitos, precisamos de todos. Tenho para mim que aos 50 anos qualquer pessoa saud\u00e1vel est\u00e1 no auge da sua vida. Auge f\u00edsico e intelectual, o que nesta atividade \u00e9 fundamental. Ent\u00e3o, porque estamos a desaproveit\u00e1-la? \u00c9 que devemos lembrar-nos de que a expetativa de vida em Portugal aumentou de 74 anos em 1990 para quase 81 em 2020!<br \/>\nAi, como eu gostaria de ter hoje 50, ou mesmo 55 anos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Antunes<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":251136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1406,100],"class_list":["post-255505","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-antunes","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/255505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=255505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/255505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=255505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=255505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=255505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}