{"id":255662,"date":"2023-01-27T14:17:41","date_gmt":"2023-01-27T14:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=255662"},"modified":"2023-01-27T14:17:41","modified_gmt":"2023-01-27T14:17:41","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-maos-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-maos-de-ouro\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 Mesa com Portugal \u2013 M\u00e3os de Ouro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-253299\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Que todos apreciamos boa comida, \u00e9 uma certeza que ningu\u00e9m p\u00f5e em causa. Que todos gostam quando a refei\u00e7\u00e3o enche o est\u00f4mago e consola a alma, ningu\u00e9m discute. Enche-se a boca de elogios falando das m\u00e3os da cozinheira ou do cozinheiro. Mas, ser\u00e1 que estamos dispostos a pagar o valor das m\u00e3os que trabalham a cozinha? Ou ser\u00e1 que uma pitadazinha de hipocrisia n\u00e3o atravessa o nosso discurso quando falamos do pre\u00e7o da refei\u00e7\u00e3o deste ou daquele restaurante?<br \/>\nSabemos que uma refei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz s\u00f3 do valor da arte culin\u00e1ria, das m\u00e3os que fazem a cozinha. H\u00e1 que olhar os produtos utilizados, as condi\u00e7\u00f5es onde s\u00e3o cozinhados, os vinhos, o servi\u00e7o e tantas outras vari\u00e1veis. No entanto, quando fazemos as contas ao que comemos, nem sempre julgamos de forma precisa o valor de quem cozinhou. \u00c9 como se fosse dado adquirido, \u00e9 como se n\u00e3o fosse \u00fanico, \u00e9 como se tivesse que ser quase de gra\u00e7a.<br \/>\n\u00c9 claro que, se formos a um restaurante com alguma distin\u00e7\u00e3o de guias gastron\u00f3micos n\u00e3o pensamos da mesma maneira. A nossa predisposi\u00e7\u00e3o para pagar um valor elevado est\u00e1 l\u00e1. Nem se discute e at\u00e9 fica mal. Contudo, parece-me que ainda h\u00e1 alguma dificuldade em reconhecer o valor dos cozinheiros ou cozinheiras, sobretudo quando falamos de restaurantes de cozinha regional ou popular, ou quando estamos mais afastados dos grandes centros.<br \/>\nN\u00e3o podemos ter dois pesos e duas medidas. N\u00e3o interessa se estamos num restaurante de gest\u00e3o familiar em que a esposa cozinha e o marido serve \u00e0 mesa ou se estamos num restaurante em que a dire\u00e7\u00e3o da cozinha \u00e9 assegurada por um chefe e, no servi\u00e7o de mesa, temos um chefe de sala.<br \/>\nApesar de sabermos que existem diferen\u00e7as, e \u00e9 claro que existem, n\u00e3o podemos \u00e0 boleia disso desvalorizar quem, na cozinha se esfor\u00e7a por colocar todo o sabor na panela. N\u00e3o se pode discutir o pre\u00e7o e dizer com desd\u00e9m que foi caro ou barato. Tanto uma situa\u00e7\u00e3o como a outra t\u00eam um travo de desfa\u00e7atez. Se achamos que foi muito caro, se calhar, dev\u00edamos passar mais tempo a cozinhar e perceber o esfor\u00e7o que tal exige e o quanto \u00e9 necess\u00e1rio para se ter m\u00e3o para os cozinhados. J\u00e1 os que acharam que foi barato, deviam estar calados e deixar na mesa o valor que considerariam justo e correto.<br \/>\n\u00c9 que, mais do que parecer h\u00e1 que ser. Palavras bonitas leva-as o vento e as cozinheiras e cozinheiros precisam de reconhecimento. N\u00e3o interessa se \u00e9 o restaurante da esquina que pertence ao casal que veio do Minho, das Beiras, do Alentejo ou de Tr\u00e1s-os-Montes ou se \u00e9 o restaurante a que se vai quando vamos em passeio para o nosso lindo interior. Reconhecer o valor das m\u00e3os que trabalham a cozinha \u00e9 caminho para o reconhecimento da gastronomia portuguesa no seu todo e n\u00e3o s\u00f3 dos estrelados que aparecem nas capas de revista e programas de televis\u00e3o. E se dizemos que s\u00e3o m\u00e3os de ouro, aquelas que fizeram a nossa refei\u00e7\u00e3o, que tal come\u00e7ar a pagar o pre\u00e7o justo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olga Cavaleiro<br \/>\nInvestigadora em Hist\u00f3ria e Cultura gastron\u00f3mica<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":253299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1507,1508,894,469],"class_list":["post-255662","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-comida","tag-culinaria","tag-olga-cavaleiro","tag-portugal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/255662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=255662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/255662\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=255662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=255662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=255662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}