{"id":256752,"date":"2023-02-09T10:30:30","date_gmt":"2023-02-09T10:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=256752"},"modified":"2023-02-09T10:30:30","modified_gmt":"2023-02-09T10:30:30","slug":"magia-das-guitarradas-de-artur-paredes-reaparece-43-anos-depois-da-sua-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/magia-das-guitarradas-de-artur-paredes-reaparece-43-anos-depois-da-sua-morte\/","title":{"rendered":"Magia das guitarradas de Artur Paredes reaparece 43 anos depois da sua morte"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_256753\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-256753\" class=\"wp-image-256753 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr.jpg 1200w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr-300x171.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr-1024x582.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr-768x436.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/02-guitarras-pr-600x341.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-256753\" class=\"wp-caption-text\">DB\/Foto de Pedro Ramos<\/p><\/div>\n<p>O ponto de encontro foi a S\u00e9 Nova e \u00e0 chegada j\u00e1 as guitarradas de Coimbra eram vis\u00edveis. Podia ser perfeitamente um ensaio para uma serenata, mas o motivo deste ajuntamento era outro. Mais do que tocar, o objetivo, desta vez, era falar e lembrar Artur Paredes. O guitarrista conimbricense lan\u00e7ou somente dois \u00e1lbuns, um em 1957 e outro em 1960, que chegaram perfeitamente para ser conhecido como um dos pais da can\u00e7\u00e3o de Coimbra.<br \/>\nPara os mais interessados, alguns in\u00e9ditos iam aparecendo em algumas tert\u00falias feitas pela cidade, por\u00e9m o seu report\u00f3rio conhecido est\u00e1 datado desses mesmos dois discos.<br \/>\nSim\u00e3o, Tiago e Vasco, tr\u00eas m\u00fasicos que a cidade disp\u00f5e, oferecem agora a Coimbra um \u201ctesouro\u201d escondido no tempo.<br \/>\nO guitarrista partiu em 1980 e, 43 anos depois, v\u00e3o ficar a ser conhecidos in\u00e9ditos de Artur Paredes.<br \/>\nSim\u00e3o e Tiago, os dois guitarristas de Coimbra, chegaram primeiro \u00e0 pra\u00e7a da S\u00e9 Nova e explicaram ao DI\u00c1RIO AS BEIRAS como \u00e9 que este \u201ctesouro\u201d lhes chegou \u00e0s m\u00e3os.<br \/>\n\u201cO Artur Paredes na sua vida toda gravou em duas fases. Na sua primeira fase, nos anos 20, gravou os seus temas em discos de 78 rota\u00e7\u00f5es, numa qualidade terr\u00edvel. Mais tarde, lan\u00e7ou dois discos. \u00c9 o seu \u00fanico esp\u00f3lio gravado\u201d, come\u00e7ou por esclarecer Sim\u00e3o Mota.<br \/>\n\u201cAlguns destes in\u00e9ditos j\u00e1 andavam por a\u00ed a circular. H\u00e1 muita gente, que passou pela escola do Jorge Gomes, e tinha acesso a alguns destes in\u00e9ditos\u201d, acrescentou Tiago Rodrigues.<\/p>\n<h4>Amigo fez-lhes chegar in\u00e9ditos<\/h4>\n<p>No entanto, as maiores rel\u00edquias agora descobertas foram oferecidas por um amigo viciado em Artur Paredes.<br \/>\n\u201cFelizmente, um senhor chamado Alexandre Brand\u00e3o, que era fan\u00e1tico por Artur Paredes, gravou transmiss\u00f5es na Emissora Nacional ou concertos que ele dava. Atrav\u00e9s do Jorge Serra tivemos acesso a todo este esp\u00f3lio\u201d, revelou Sim\u00e3o Mota.<br \/>\nO esp\u00f3lio \u00e9 muito diversificado, mas com muito pouca qualidade, o que dificultou todo o processo.<br \/>\n\u201cDevido \u00e0 forma e \u00e0 \u00e9poca em que foram gravados, os ficheiros tinham muito pouca qualidade. Retirar as m\u00fasicas foi muito dif\u00edcil, foi um trabalho de muita min\u00facia do Tiago\u201d, afirmou Sim\u00e3o.<br \/>\nO guitarrista lembrou que este processo foi complicado at\u00e9 porque n\u00e3o basta conhecer a t\u00e9cnica musical de Paredes.<br \/>\n\u201cPara conseguirmos retirar as m\u00fasicas foi preciso perceber a t\u00e9cnica, mas tamb\u00e9m a fase de composi\u00e7\u00e3o de Artur Paredes e o desenvolvimento da m\u00fasica\u201d, esclareceu.<\/p>\n<h4>M\u00e1 qualidade das grava\u00e7\u00f5es dificultou<\/h4>\n<p>Tiago Rodrigues foi o grande ouvido destas grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas. O guitarrista assumiu que foi \u201cum processo de muitas horas\u201d, tanto a ouvir as m\u00fasicas em m\u00e1 qualidade, como depois para as passar para uma pauta.<br \/>\nO processo, que come\u00e7ou sensivelmente h\u00e1 um ano, causou dor, mas tamb\u00e9m deu muitas alegrias ao m\u00fasico.<br \/>\n\u201cConseguir descodificar alguma coisa nova fazia-me a semana ou m\u00eas. Decidi come\u00e7ar a tirar estes in\u00e9ditos porque ia ouvindo as pessoas a tocar e achava que n\u00e3o era igual ao Artur Paredes. J\u00e1 noutros estilos tinha este h\u00e1bito de passar para pauta o que ouvia\u201d, afirmou.<\/p>\n<h4>T\u00e9cnica nova de tocar guitarra<\/h4>\n<p>As guitarradas que sa\u00edram destes in\u00e9ditos mostraram muito mais que a can\u00e7\u00e3o de Coimbra. O esp\u00f3lio que agora come\u00e7a a ser revelado pelo trio tem, para Sim\u00e3o Mota, um peso hist\u00f3rico e muito simb\u00f3lico para o fado de Coimbra. O verdadeiro tesouro foi encontrado no m\u00e9todo como Artur Paredes tocava.<br \/>\n\u201cNestes temas vemos uma inova\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica de tocar guitarra de Coimbra na m\u00e3o direita. A guitarra de Coimbra normalmente toca-se com o indicador, para a melodia, e o polegar faz o apoio harm\u00f3nico. N\u00f3s conseguimos descobrir, atrav\u00e9s de grava\u00e7\u00f5es e fotografias a que tivemos acesso por parte da Lu\u00edsa Amaro, que ele usava os dedos anelar, o m\u00e9dio e at\u00e9 o mindinho. Esta mudan\u00e7a d\u00e1 uma faceta nova \u00e0 m\u00fasica e quase parece que descobrimos um instrumento novo\u201d, salientou Sim\u00e3o Mota.<br \/>\nMais de 60 anos depois da sua \u00faltima obra publicada, Artur Paredes come\u00e7a a demonstrar algo novo. O peso destas descobertas est\u00e1 nas m\u00e3os do trio.<br \/>\n\u201cEstes in\u00e9ditos mostram uma nova faceta de Artur Paredes, quer da sua obra, quer da guitarra de Coimbra. Isto \u00e9 um tesouro que nos chegou \u00e0s nossas m\u00e3os, mas tamb\u00e9m uma responsabilidade enorme\u201d, vincou Sim\u00e3o.<br \/>\nAcabado de chegar, Vasco Rodrigues, o guitarrista de guitarra cl\u00e1ssica do grupo, assumiu a import\u00e2ncia destas descobertas.<br \/>\n\u201cAcho que estes descobertas in\u00e9ditas, feitas por n\u00f3s e n\u00e3o s\u00f3, s\u00e3o fundamentais para que mais m\u00fasicos ganhem interesse em descobrir e produzir mais m\u00fasica de qualidade\u201d, disse.<br \/>\nO grupo musical tem j\u00e1 vindo mostrar o report\u00f3rio descoberto.<br \/>\n\u201cN\u00f3s estre\u00e1mos estes in\u00e9ditos no passado m\u00eas de outubro no espet\u00e1culo \u201cCorrentes de um s\u00f3 rio\u201d, no Convento S\u00e3o Francisco. Para os espet\u00e1culos que temos agendados, n\u00f3s tocamos 12 temas in\u00e9ditos\u201d, revelou.<\/p>\n<h4>Ainda h\u00e1 mais in\u00e9ditos por editar<\/h4>\n<p>Ainda assim, o esp\u00f3lio n\u00e3o se fica por aqui. Os m\u00fasicos garantem que h\u00e1 ainda alguns in\u00e9ditos por escutar e retirar.<br \/>\n\u201cAs grava\u00e7\u00f5es que temos acesso s\u00e3o desde os anos 1940 at\u00e9 aos anos de 1970. Temos uma grava\u00e7\u00e3o dele com o Orfeon, aqui em Coimbra, por exemplo\u201d, assumiu Tiago Rodrigues, tendo sido posteriormente completado por Sim\u00e3o Mota.<br \/>\n\u201cEntretanto j\u00e1 descobrimos mais algumas coisas, o report\u00f3rio d\u00e1 para chegar perfeitamente a mais de 20 pe\u00e7as musicais\u201d, afirmou.<br \/>\nEste report\u00f3rio in\u00e9dito n\u00e3o ser\u00e1 divulgado somente em concertos, o grupo musical tem j\u00e1 marcada a grava\u00e7\u00e3o de um disco para este m\u00eas para deixar imortalizada esta heran\u00e7a.<br \/>\n\u201cA nossa pretens\u00e3o \u00e9 somente mostrar estes in\u00e9ditos. Estes in\u00e9ditos s\u00e3o t\u00e3o bons que os temos que mostrar. Isto na pr\u00e1tica \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos descoberto um instrumento novo. O que o Artur Paredes fez h\u00e1 praticamente 100 anos est\u00e1 muito \u00e0 frente do que a maioria dos guitarristas de hoje em dia faz\u201d, frisou.<\/p>\n<h4>Tert\u00falias s\u00e3o fulcrais para transmiss\u00e3o do saber<\/h4>\n<p>Muitas vezes descobertos mas tamb\u00e9m remetidos \u00e0s tert\u00falias que se fazem pela cidade, os guitarristas e fadistas de Coimbra deixam todo o seu report\u00f3rio e a sua t\u00e9cnica nesses momentos de partilha. O grupo assume que as tert\u00falias s\u00e3o fulcrais, mas esclarece que h\u00e1 que dar o pr\u00f3ximo passo.<br \/>\n\u201cAs tert\u00falias s\u00e3o fundamentais na transmiss\u00e3o oral do conhecimento. A m\u00fasica popular faz-se de conv\u00edvio e isso \u00e9 fundamental para se aprender a tocar. Ainda assim, estamos numa fase em que se deve deixar algo documentado para que estes in\u00e9ditos e outros temas que possamos fazer possam ficar aud\u00edveis para todos\u201d, disse Sim\u00e3o.<br \/>\nO guitarrista acha mesmo que Coimbra vive um momento de viragem relativo \u00e0 can\u00e7\u00e3o da cidade.<br \/>\n\u201cNeste momento h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de malta nova que est\u00e1 muito bem preparada, conhece muito bem a raiz e tem uma vontade de fazer coisas novas. Coimbra tem m\u00fasicos com muita qualidade para que estes clich\u00e9s desapare\u00e7am e a m\u00fasica de Coimbra volte a entrar no mapa\u201d, vincou.<br \/>\nSim\u00e3o lamentou ainda que a Can\u00e7\u00e3o de Coimbra tenha sido, ao longo dos tempos, vendida para turista ver.<br \/>\n\u201cInfelizmente, Coimbra tem ficado num postal bonito para os turistas, num postal que imortalizou as capas ao luar, as donzelas. Isto \u00e9 muito f\u00e1cil de vender, mas a m\u00fasica de Coimbra \u00e9 muito mais que isto. A m\u00fasica de Coimbra foi revolta quando foi preciso ser revolta, foi motivo de reflex\u00e3o quando foi preciso e andou sempre na vanguarda dos movimentos liter\u00e1rios e art\u00edsticos\u201d, reiterou.<br \/>\nArtur Paredes, nascido ainda no s\u00e9culo XIX, em 1899, tornou-se uma refer\u00eancia da can\u00e7\u00e3o coimbr\u00e3. A sua doutrina musical ficou perpetuada n\u00e3o s\u00f3 no seu filho, Carlos Paredes, como em muitos outros m\u00fasicos que seguem atentamente o seu report\u00f3rio.<br \/>\nEm pleno s\u00e9culo XXI, a doutrina de Paredes e o som das suas guitarradas ganham uma nova vida.<br \/>\nArtur Paredes morreu h\u00e1 43 anos, mas a sua m\u00fasica permanecer\u00e1 imortal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo de fados composto por Tiago Rodrigues, Sim\u00e3o Mota e Vasco Rodrigues recebeu compila\u00e7\u00e3o de in\u00e9ditos de Artur Paredes. A colet\u00e2nea, constitu\u00edda por grava\u00e7\u00f5es de m\u00e1 qualidade de transmiss\u00f5es na Emissora Nacional ou concertos que o guitarrista deu, foi pautada, ensaiada e estreada num concerto no Convento S\u00e3o Francisco. Durante este m\u00eas, o grupo vai come\u00e7ar a gravar os 12 temas que j\u00e1 \u201cdescodificou\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":256753,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39,31],"tags":[2060,2061,2062,2063],"class_list":["post-256752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coimbra-2","category-geral","tag-artur-paredes","tag-grupo-de-fados","tag-guitarra","tag-ineditos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media\/256753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}