{"id":256767,"date":"2023-02-09T10:53:50","date_gmt":"2023-02-09T10:53:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=256767"},"modified":"2023-02-09T10:53:50","modified_gmt":"2023-02-09T10:53:50","slug":"opiniao-c-2022-e3-o-cometa-com-uma-anti-cauda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-c-2022-e3-o-cometa-com-uma-anti-cauda\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: C\/2022 E3, o cometa com uma anti-cauda"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-250339 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>A 2 de mar\u00e7o de 2022, descobriu-se um aparente asteroide candidato a objecto pr\u00f3ximo da Terra. Dias depois, cinco equipas diferentes observam a forma\u00e7\u00e3o de uma coma comet\u00e1ria (cabeleira) \u00e0 sua volta, fazendo-o assim um cometa, agora designado por C\/2022 E3 (ZHF). A 12 de janeiro passou pelo seu ponto mais pr\u00f3ximo do Sol, o peri\u00e9lio, e, j\u00e1 a afastar-se do Sol, a 1 de fevereiro passar\u00e1 a pouco mais de 42 milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra. Numa estimativa muito grosseira, este cometa poder\u00e1 ter tido a sua anterior passagem h\u00e1 cerca de 52000 anos.<br \/>\nGra\u00e7as aos trabalhos pioneiros de Fred Whipple, nos anos 50, que sabemos que os cometas s\u00e3o essencialmente bolas de gelos e poeiras, embora \u00e0 luz do conhecimento de hoje fosse mais correto dizermos bolas de poeira com gelos, pois as poeiras s\u00e3o mais dominantes. Quando est\u00e3o a menos de 5 vezes a dist\u00e2ncia da Terra ao Sol \u2014 os tais cerca de 150 milh\u00f5es de quil\u00f3metros a que chamamos de unidade astron\u00f3mica \u2014 os gelos come\u00e7am a evaporar (em rigor, a sublimar, ou seja a passarem diretamente do estado s\u00f3lido para o gasoso) libertando as poeiras que neles estavam presa s, poeiras essas que, por refletirem a luz do Sol, brilham numa cauda esbranqui\u00e7ada.<br \/>\nAprendemos na escola que os cometas formam uma cauda que aponta na dire\u00e7\u00e3o oposta ao Sol e n\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o oposta ao deslocamento do cometa. Tal acontece por causa do chamado vento solar, uma permanente eje\u00e7\u00e3o de part\u00edculas carregadas eletricamente e muito energ\u00e9ticas a velocidades da ordem dos 400 quil\u00f3metros por segundo, vindas do Sol, e por causa da press\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar, pois a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica, a luz, cria uma leve press\u00e3o que se faz sentir muito nas part\u00edculas de poeira mais pequenas.<br \/>\nNa verdade, os cometas criam duas caudas, uma de poeiras e outra de i\u00f5es, ou seja de mol\u00e9culas vindas dos gases mas com carga el\u00e9trica. A de i\u00f5es, tipicamente azulada, \u00e9 bem mais dif\u00edcil de ver. Por\u00e9m, por vezes os cometas mostram uma anti-cauda, ou seja uma cauda que aponta na dire\u00e7\u00e3o do Sol, e o E3 \u00e9 um deles. A anti-cauda consiste nas poeiras de maiores dimens\u00f5es \u2014 menos sens\u00edveis \u00e0 press\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar e por isso menos empurradas para fora \u2014 que o cometa deixa ao longo da sua \u00f3rbita. Em fun\u00e7\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o Sol-cometa-Terra, por vezes ficamos com uma perspectiva tal que essa cauda parece apontar para o Sol, mas na verdade n\u00e3o est\u00e1, como se pode ver na imagem.<br \/>\nO C\/2022 E3 \u00e9 muito t\u00e9nue e s\u00f3 com bin\u00f3culos, ou telesc\u00f3pios, o conseguimos ver de forma a percebermos que \u00e9 um cometa. Mas n\u00e3o percam a oportunidade de o fazer, longe das luzes da cidade, lembrando-se que com apenas tr\u00eas paus e muita fita cola se consegue fazer um trip\u00e9 para uns bin\u00f3culos. N\u00e3o esperem ver a cauda em todo o seu esplendor, mas poder\u00e3o perceber que, contrariamente \u00e0s n\u00edtidas estrelas, o cometa se mostrar\u00e1 envolto numa leve bruma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Peixinho<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":250339,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2067,100],"class_list":["post-256767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-nuno-peixinho","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256767\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}