{"id":258374,"date":"2023-03-04T14:18:53","date_gmt":"2023-03-04T14:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=258374"},"modified":"2023-03-04T14:18:53","modified_gmt":"2023-03-04T14:18:53","slug":"opiniao-a-luta-das-mulheres-e-uma-luta-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-luta-das-mulheres-e-uma-luta-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;A luta  das mulheres \u00e9 uma luta da humanidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/MARTHA-MENDES.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-252912 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/MARTHA-MENDES-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>Carla Dias tinha 43 anos. Foi morta \u00e0 facada, h\u00e1 uns dias, a caminho do trabalho. Carla e o agressor estavam em processo de div\u00f3rcio litigioso, porque ele n\u00e3o aceitava a separa\u00e7\u00e3o. Os dois t\u00eam uma filha com 11 anos. Ele tinha sido condenado por viol\u00eancia dom\u00e9stica, estando obrigado ao uso de pulseira eletr\u00f3nica; ela tinha um bot\u00e3o de p\u00e2nico. Mas isso n\u00e3o impediu a trag\u00e9dia. S\u00f3 em 2022, foram mortas quase trinta mulheres em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Cerca de dois ter\u00e7os das v\u00edtimas tinham (ou tinham tido) uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o agressor. Daqui a uns dias celebra-se mais um Dia Internacional da Mulher e continuamos a ler hist\u00f3rias assim, com rosto feminino e crian\u00e7as pelo meio. At\u00e9 quando?<br \/>\nQuando uma mulher est\u00e1 em risco, esperamos que o Estado fa\u00e7a um cord\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 volta dela, com os mecanismos de que disp\u00f5e para proteger os cidad\u00e3os, e impe\u00e7a que o fim da hist\u00f3ria seja escrito a sangue. Esperamos, para al\u00e9m da vigil\u00e2ncia, conten\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o do agressor, mecanismos de preven\u00e7\u00e3o, como acompanhamento e prote\u00e7\u00e3o da v\u00edtima. Mas isto n\u00e3o chega. A viol\u00eancia dom\u00e9stica e de g\u00e9nero combatem-se culturalmente. \u00c9 preciso deixar de culpar a v\u00edtima. A culpa da viol\u00eancia \u00e9 sempre do agressor \u2013 e s\u00f3 dele. \u00c9 preciso parar de colocar sobre a mulher o peso de ter de se proteger da viol\u00eancia: de ser cautelosa, discreta, andar tapada, olhar por cima do ombro.<br \/>\nN\u00e3o existe viol\u00eancia desculp\u00e1vel e reprov\u00e1vel &#8211; \u00e9 sempre inadmiss\u00edvel. Quando defendemos uma v\u00edtima, defendemos todas. E, com isso, evitamos novas v\u00edtimas. Uma mulher \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia quando lhe batem. Quando a exploram, humilham ou controlam. Se a agridem f\u00edsica e\/ou psicologicamente \u00e9 viol\u00eancia. Sempre que a diminuem, que a insultam, que a agridem \u2013 sempre que ela sente medo &#8211; \u00e9 viol\u00eancia. E \u00e9 sexismo, palavra que incomoda os bons costumes, sempre que a agress\u00e3o ocorre fruto da ideia instalada de que a mulher pode ser colonizada, possu\u00edda, controlada.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 \u201cmulheres que gostam de apanhar\u201d, mas h\u00e1 mulheres assustadas demais para denunciar, pobres demais para sair de casa. Humilhadas demais para achar que merecem melhor. Feridas demais para acreditar que a vida pode ser diferente. N\u00e3o h\u00e1 mulheres que gostam de apanhar, mas, em cada ano, h\u00e1 365 dias para recordar que a viol\u00eancia contra elas \u00e9 um problema de todos. A viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um crime p\u00fablico, em Portugal, h\u00e1 mais de 20 anos. Ou seja, \u00e9 um crime cujo processo se desencadeia oficiosamente pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, ap\u00f3s tomar conhecimento dele, seja por conhecimento pr\u00f3prio, por interm\u00e9dio dos \u00f3rg\u00e3os de pol\u00edcia criminal ou por den\u00fancia. Qualquer um pode fazer a diferen\u00e7a na vida de uma v\u00edtima. Compete-nos, a todos, assegurar o direito de todas as mulheres a serem livres, felizes e inteiras. Todos os dias.<br \/>\nO est\u00e1dio de desenvolvimento de uma sociedade mede-se, essencialmente, pela forma como protege os direitos dos seus cidad\u00e3os e como garante a todos \u2013 por igual e independentemente do sexo, idade, credo, cor ou orienta\u00e7\u00e3o sexual \u2013 igualdade de oportunidades. Esta luta, por um mundo mais igualit\u00e1rio, n\u00e3o tem g\u00e9nero: \u00e9 de todos e a todos convoca. Num mundo onde, todos os dias, vemos os direitos das mulheres serem atropelados &#8211; nas empresas, nas universidades, na rua, em casa, na cama, na sala de partos &#8211; o combate pela igualdade de g\u00e9nero nunca est\u00e1 terminado. No dia 8 de mar\u00e7o celebra-se o Dia Internacional da Mulher, mas no dia 9 temos de continuar a construir o caminho. E depois. E a seguir. N\u00e3o h\u00e1 calend\u00e1rio para nos batermos, em conjunto, homens e mulheres, contra a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero. O ano tem 365 dias e todos s\u00e3o bons para recordar que esta luta n\u00e3o \u00e9 das mulheres &#8211; \u00e9 da humanidade.<\/p>\n<p><em>Pode ler a opini\u00e3o de Martha Mendes na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital do DI\u00c1RIO AS BEIRAS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o da gestora de comunica\u00e7\u00e3o, Martha Mendes. &#8220;No dia 8 de mar\u00e7o celebra-se o Dia Internacional da Mulher, mas no dia 9 temos de continuar a construir o caminho. E depois. E a seguir.  N\u00e3o h\u00e1 calend\u00e1rio para nos batermos, em conjunto, homens e mulheres, contra a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":252912,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2682,538,539,1889],"class_list":["post-258374","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-discriminacao","tag-gestora","tag-martha-mendes","tag-violencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258374\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}