{"id":258429,"date":"2023-03-06T10:20:55","date_gmt":"2023-03-06T10:20:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=258429"},"modified":"2023-03-06T10:20:55","modified_gmt":"2023-03-06T10:20:55","slug":"opiniao-inflacao-alimento-me-so-se-puder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-inflacao-alimento-me-so-se-puder\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Infla\u00e7\u00e3o. Alimento-me, s\u00f3 se puder"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-254149\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg 1200w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-300x157.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-768x402.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-600x314.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Lucros excessivos, escassez de produto na origem, depend\u00eancia extrema de outros mercados? O que ser\u00e1?<br \/>\nO INE (Instituto Nacional de Estat\u00edstica) estima que a taxa de infla\u00e7\u00e3o para o m\u00eas de Fevereiro tenha desacelerado para os 8,2%. Segundo a mesma entidade, se excluirmos os produtos alimentares n\u00e3o transformados e os produtos energ\u00e9ticos, a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 de 7,21%. Olhemos em concreto para os produtos alimentares: 20%. Sim, 20%. H\u00e1 produtos alimentares que \u00e0 presente data registam aumentos de quase 140% face ao per\u00edodo hom\u00f3logo. Se n\u00e3o fica dif\u00edcil de acreditar, pois a nossa carteira sente-o diariamente, fica seguramente dif\u00edcil de justificar. Para dificultar ainda mais a nossa capacidade de perceber o que justifica tais aumentos, apesar da infla\u00e7\u00e3o portuguesa estar a um n\u00edvel pr\u00f3ximo do da zona Euro, nos alimentos desviamo-nos, e para nosso mal, para o pior lado da balan\u00e7a. Comparando os dez bens e servi\u00e7os em que a subida de pre\u00e7os registada em Portugal no \u00faltimo ano foi maior, quando comparada com o resto da zona euro, oito s\u00e3o produtos alimentares.<br \/>\nUtilizando os valores divulgados pela DECO Proteste para a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do cabaz de produtos essenciais (onde por quest\u00f5es \u00f3bvias os produtos alimentares s\u00e3o figuras principais), cabaz esse definido com base na estrutura de consumo das fam\u00edlias do INE, percebemos que entre 02 de Mar\u00e7o do ano transacto e 01 de Mar\u00e7o do presente ano o referido cabaz passou de 185,17\u20ac para 230,38\u20ac. Um aumento de 45,21\u20ac &#8211; 24,42% mais caro no prazo de um ano.<br \/>\nFrutas, legumes, lactic\u00ednios, peixe e carne. Alimentos n\u00e3o transformados. Se \u00e9 aqui que \u00e9 registado o maior dos aumentos, escusado ser\u00e1 dizer que toda a cadeia de fornecimento \u00e9 afectada. Foi esta a opini\u00e3o que partilhei neste mesmo espa\u00e7o de opini\u00e3o em Janeiro e \u00e9 infelizmente o que tenho que refor\u00e7ar agora. A esta data, a cadeia de fornecimento continua a transmitir-nos, a n\u00f3s ind\u00fastria transformadora, mais aumentos que diminui\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o. Mais ainda: transmitem-nos cada vez mais frequentemente a inexist\u00eancia de stock\u00b4s dispon\u00edveis para garantir os necess\u00e1rios fornecimentos.<br \/>\nEstes aumentos assumem contornos de crueldade por incidirem nos mais essenciais dos bens. Sim, porque se h\u00e1 bens essenciais, h\u00e1 uns mais essenciais que outros e a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a ess\u00eancia da vida, e afecta todos de igual forma. Nas fam\u00edlias Portuguesas de menores rendimentos, estes aumentos come\u00e7am a fazer a diferen\u00e7a entre poder comprar ou n\u00e3o, poder comer ou n\u00e3o.<br \/>\nVoltemos ao in\u00edcio: E o que \u00e9 que justifica que tal aconte\u00e7a? Aparentemente ningu\u00e9m sabe muito bem. Pandemia, guerra, elevados custos de explora\u00e7\u00e3o, fracas colheitas, excesso da procura nacional ou externa e aproveitamento. Sim, concordo com tudo isto. E o que \u00e9 que pode ou deve ser feito? Encarecer o pre\u00e7o do dinheiro para reduzir o consumo, tributar os lucros excessivos e fiscalizar mais intensamente os pontos de venda ao consumidor final? Empresas a pagar mais pelas suas d\u00edvidas aos bancos ajuda a baixar pre\u00e7os? O que \u00e9 que define lucro excessivo? Como \u00e9 que definimos os sectores que n\u00e3o podem cometer excessos? A banca, que tanto recorreu ao dinheiro dos contribuintes, pode? A ASAE est\u00e1 no terreno a promover fiscaliza\u00e7\u00f5es mais apertadas nos pontos de venda do sector alimentar, mas a fiscalizar o qu\u00ea? Comunica\u00e7\u00e3o clara ao consumidor e diferen\u00e7as nos pre\u00e7os de prateleira e caixa? Parece-me insuficiente. Enquanto consumidor, deixa saudades o tempo em que se fiscalizava o dumping.<br \/>\nUrge perceber o que \u00e9 que a nossa governa\u00e7\u00e3o pretende fazer. Comida no prato em Portugal n\u00e3o pode ser um luxo. \u00c9 uma necessidade que tem de ser acess\u00edvel a todos.<\/p>\n<p>*Por decis\u00e3o pessoal, o autor do texto n\u00e3o escreve<br \/>\nsegundo o novo Acordo Ortogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christophe Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":254149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[594,100],"class_list":["post-258429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-christophe-coimbra","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258429\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}