{"id":258978,"date":"2023-03-14T10:59:53","date_gmt":"2023-03-14T10:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=258978"},"modified":"2023-03-14T10:59:53","modified_gmt":"2023-03-14T10:59:53","slug":"opiniao-a-proposito-do-dia-8-de-marco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-proposito-do-dia-8-de-marco\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A prop\u00f3sito do dia 8 de Mar\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Monica-Quintela-opi-nova-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-251021\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Monica-Quintela-opi-nova-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Evoc\u00e1mos no passado dia 8 as conquistas das mulheres pelos direitos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f3micos, assim como o permanente combate pela igualdade de g\u00e9nero, celebrando o Dia Internacional da Mulher.<br \/>\nCumpre questionar se ainda se justifica este dia e a resposta \u00e9 claramente afirmativa.<br \/>\nEm pleno s\u00e9c. XXI h\u00e1 mulheres assassinadas por n\u00e3o usarem um v\u00e9u na cabe\u00e7a da forma que os homens determinaram e por lutarem pelo direito a serem tratadas e consideradas como um Ser Humano, assim como os corajosos homens que com elas se solidarizam.<br \/>\nO Regime Iraniano envenena as meninas que v\u00e3o \u00e0 escola aprender e nega todo e qualquer direito e liberdade \u00e0s mulheres.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Afeganist\u00e3o e no Ir\u00e3o que os direitos das mulheres n\u00e3o s\u00e3o respeitados, as viola\u00e7\u00f5es dos Direitos Humanos, sim, porque \u00e9 de Direitos Humanos que se trata, acontecem em todo o lado e as mulheres s\u00e3o v\u00edtimas dos crimes mais hediondos, como de viola\u00e7\u00e3o, escravid\u00e3o sexual, crimes de honra, gravidez e prostitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, entre outros.<br \/>\nA desigualdade salarial, com clara viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio \u201ca trabalho igual, sal\u00e1rio igual\u201d \u00e9 uma constante e a plena ascens\u00e3o a cargos de topo ainda est\u00e1 muito longe de um horizonte parit\u00e1rio, n\u00e3o obstante as mulheres terem mais qualifica\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas do que os homens.<br \/>\nOs direitos das mulheres ganharam um forte impulso com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril, que provocou mudan\u00e7as profundas na sociedade, e com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1976.<br \/>\nPor\u00e9m, s\u00f3 a 1 de Abril de 1978 \u00e9 que entrou em vigor o diploma que reformou o c\u00f3digo civil, consagrando direitos iguais entre o homem e a mulher.<br \/>\nA reforma do c\u00f3digo civil acabou com o poder marital e com o chefe de fam\u00edlia, com o conceito de governo dom\u00e9stico, com a distin\u00e7\u00e3o entre filhos fora e dentro do casamento, extinguiu-se o regime dotal e a mulher passou a ter total liberdade para escolher a sua profiss\u00e3o e a gest\u00e3o do seu patrim\u00f3nio.<br \/>\nConsagrou-se a exce\u00e7\u00e3o da ilis\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de paternidade relativamente aos filhos que n\u00e3o eram do marido e no direito sucess\u00f3rio acabou-se com a impossibilidade dos herdeiros do sexo feminino poderem exercer o cargo de cabe\u00e7a de casal.<br \/>\nAlterou-se tamb\u00e9m a idade m\u00ednima para as mulheres casarem, dos 14 para os 16 anos, para que pudessem estudar e completar a forma\u00e7\u00e3o profissional e terem independ\u00eancia econ\u00f3mica.<br \/>\nNunca \u00e9 demais recordar que o artigo 5.\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o de 1933 dispunha que os cidad\u00e3os eram iguais perante a lei, recusando qualquer tipo de privil\u00e9gio de nascimento, t\u00edtulo nobili\u00e1rquico, sexo ou condi\u00e7\u00e3o social, excecionando no entanto e expressamente \u201cquanto \u00e0 mulher, as diferen\u00e7as resultantes da sua natureza e do bem da fam\u00edlia\u201d.<br \/>\nPara as mulheres vigorava o princ\u00edpio da desigualdade, amarfanhadas e relegadas para plano inferior na pr\u00e1tica social com respaldo na letra da lei.<br \/>\nAo n\u00edvel legislativo foram feitas altera\u00e7\u00f5es que consagram a igualdade plena, constitucionalmente consagrada nos artigos 1.\u00ba e 13.\u00ba, entre outras normas da nossa Lei Fundamental, mas ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer na mudan\u00e7a de pr\u00e1ticas e mentalidades porque a conquista dos direitos das mulheres n\u00e3o se alcan\u00e7a s\u00f3 por via da legisla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nExemplo disto \u00e9 o flagelo da viol\u00eancia dom\u00e9stica de que as mulheres s\u00e3o esmagadoramente as v\u00edtimas.<br \/>\nTemos um bom quadro legislativo que, todavia, n\u00e3o tem impedido o crescimento exponencial da viol\u00eancia dom\u00e9stica, com particular enfoque na viol\u00eancia no namoro.<br \/>\nVeja-se que em 2022 foram assassinadas 24 mulheres e 4 crian\u00e7as, v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<br \/>\nDia feliz ser\u00e1 aquele em que a evoca\u00e7\u00e3o do dia 8 de Mar\u00e7o seja a mem\u00f3ria de lutas e conquistas passadas porque, entretanto, a plena igualdade ser\u00e1 uma realidade.<br \/>\nEnquanto as desigualdades persistirem n\u00e3o podemos baixar os bra\u00e7os, tendo sempre bem presente que a luta pelos Direitos das Mulheres \u00e9 a luta pelos Direitos Humanos e que a todos deve convocar.<\/p>\n<p>A minha actividade durante a semana passada<br \/>\n&#8211; Intervim em Plen\u00e1rio no debate do Dia Internacional da Mulher;<br \/>\n&#8211; Intervim nas Reuni\u00f5es da Revis\u00e3o Constitucional;<br \/>\n&#8211; Fui ao jantar que a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ) organizou no Dia Internacional da Mulher;<br \/>\n&#8211; Participei como conferencista num evento organizado pela Casa de Angola, em Coimbra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00f3nica Quintela<br \/>\nPSD<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":251021,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[675,100],"class_list":["post-258978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-monica-quintela","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258978\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}