{"id":260362,"date":"2023-04-06T10:47:40","date_gmt":"2023-04-06T10:47:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=260362"},"modified":"2023-04-06T10:47:40","modified_gmt":"2023-04-06T10:47:40","slug":"opiniao-ha-vulcanismo-ativo-no-planeta-venus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-ha-vulcanismo-ativo-no-planeta-venus\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: H\u00e1 vulcanismo ativo no planeta V\u00e9nus?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-250339\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX, muitos ainda acreditavam que V\u00e9nus era um planeta g\u00e9meo da Terra albergando vida! Por\u00e9m, as sondas espaciais sovi\u00e9ticas Venera e as norte-americanas Mariner depressa deitaram por terra esse sonho. Apesar de quase do mesmo tamanho da Terra, 96% a sua atmosfera \u00e9 di\u00f3xido de carbono, criando um enorme efeito de estufa que leva a que o planeta se encontre sempre com temperaturas \u00e0 volta dos 450 \u00baC. Al\u00e9m do mais, a sua press\u00e3o atmosf\u00e9rica atinge umas impressionantes 93 atmosferas, a press\u00e3o que sentir\u00edamos no mar a cerca um quil\u00f3metro de profundidade \u2014 uma press\u00e3o que esmaga qualquer submarino militar.<br \/>\nSempre coberto de uma enorme camada de nuvens, s\u00f3 com o radar da sonda Magellan \u2014Magalh\u00e3es em ingl\u00eas \u2014, em 1990\/92, se conseguiu mapear a superf\u00edcie de V\u00e9nus, que se mostrou rica em caldeiras vulc\u00e2nicas, crateras de impacto, montes e vales. Apesar de se terem identificado v\u00e1rios vulc\u00f5es e de se terem obtido v\u00e1rias evid\u00eancias para a exist\u00eancia de vulcanismo ativo em V\u00e9nus, a verdade \u00e9 que at\u00e9 hoje nunca se observou nenhum vulc\u00e3o em atividade nesse planeta. Por\u00e9m, os cientistas Robert Herrick, da Universidade do Alaska, e Scott Hensley, do Caltech, ambos nos Estados Unidos, estiveram muito perto.<br \/>\nNo seu recente trabalho, publicado a 24 de mar\u00e7o na revista Science, identificam uma abertura vulc\u00e2nica com pouco mais de dois quil\u00f3metros quadrados que mudou de forma no intervalo de oito meses entre duas imagens de radar tiradas pela sonda Magellan h\u00e1 32 anos, interpretando-o como evid\u00eancia de exist\u00eancia de vulcanismo ativo em V\u00e9nus. No nosso planeta Terra, temos in\u00famero vulc\u00f5es associados \u00e0s nossas placas tect\u00f3nicas, que se movem lenta e incessantemente, ora uma contra a outra, ora uma sobre a outra, ora afastando-se uma da outra. Temos tamb\u00e9m vulc\u00f5es associados \u00e0s chamadas hot spots, ou seja regi\u00f5es da crosta da Terra que se encontram sobre zonas de movimento ascendente do quente magma, vindo das profundezas do nosso manto, fazendo assim irromper vulc\u00f5es na crosta. A nossa hot spot mais famosa \u00e9 a do Hawaii, conhecido pelo seu calmo vulcanismo efusivo. V\u00e9nus n\u00e3o possui placas tect\u00f3nicas, como as da Terra, mas dever\u00e1 ter um vulcanismo semelhante ao do Hawaii.<br \/>\nEmbora ainda n\u00e3o tenha sido desta que se viu de facto, ao vivo, um vulc\u00e3o ativo em V\u00e9nus, est\u00e1 hoje mais claro que eles t\u00eam de existir. E esta descoberta vem em boa hora, pois a pr\u00f3xima miss\u00e3o espacial a V\u00e9nus, a miss\u00e3o EnVision, da Agencia Espacial Europeia (ESA), ir\u00e1 ser lan\u00e7ada em 2031 e conta com participa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica portuguesa, liderada por Pedro Machado, do Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o e da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa. Aguardemo-la impacientemente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Peixinho<br \/>\nInvestigador do Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o<br \/>\ne da Universidade de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":250339,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2067,100],"class_list":["post-260362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-nuno-peixinho","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260362\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}