{"id":260687,"date":"2023-04-12T09:42:44","date_gmt":"2023-04-12T09:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=260687"},"modified":"2023-04-12T09:42:44","modified_gmt":"2023-04-12T09:42:44","slug":"opiniao-a-arvore-e-a-floresta-iii-2574","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-arvore-e-a-floresta-iii-2574\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A \u00e1rvore e a floresta III. 2574"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-250680\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 35 atr\u00e1s, com um pouco menos de metade da idade que tenho hoje, num debate sobre o planeamento na regi\u00e3o envolvente de Coimbra, tive a irrespons\u00e1vel ousadia de afirmar que era necess\u00e1rio urbanizar a parte da cidade a oeste da Esta\u00e7\u00e3o Velha, a \u00e1rea que confrontava com os Campos do Bol\u00e3o. Ca\u00edu o Carmo e a Trindade: \u201c\u2014 o homem est\u00e1 louco, urbanizar os melhores solos de Portugal, como \u00e9 que algu\u00e9m pode pensar uma coisa dessas!\u201d. Claro est\u00e1 que, para os meus interlocutores da altura, urbanizar significava s\u00f3 construir uma caterva de pr\u00e9dios wild duck style e o espa\u00e7o p\u00fablico m\u00ednimo, o estritamente necess\u00e1rio para os servir. E, no reverso, para mim o planeamento, que eles defendiam acerrimamente, significava s\u00f3 desenhar uns riscos a tra\u00e7o grosso na escala 1-10000 ou 1-25000, que definiam zonamentos abstractos e o respectivo modelo de uso dos solos: densidade construtiva x, y, e z; reserva agr\u00edcola; reserva ecol\u00f3gica; \u00e1reas non \u00e6dificandi; ou seja, nada de realmente palp\u00e1vel, nada com capacidade para concretizar espa\u00e7o minimamente organizado, nem no que respeita ao edificado denso, nem no que respeita \u00e0 paisagem mais vegetal.<br \/>\nO que se passou a seguir est\u00e1 \u00e0 vista, uma zona completamente desregrada, onde quase tudo foi permitido, desde que se constru\u00edsse poucochinho, aqui e acol\u00e1, com jeitinho para n\u00e3o se notar que se constru\u00edu. O que l\u00e1 foi sendo constru\u00eddo resultou num patchwork absurdo, numa \u00e1rea dif\u00edcil de compreender, inconceb\u00edvel como acesso a uma mata nacional com o simbolismo identit\u00e1rio do Choupal e, sobretudo, inaceit\u00e1vel como porta de entrada numa cidade minimamente civilizada, j\u00e1 nem sequer me atrevo a dizer europeia. Por isso, hoje ouso voltar a pensar que as coisas talvez n\u00e3o tivessem mudado assim tanto.<br \/>\nE, contudo, mudaram. Dois sinais, t\u00e9nues ainda, dessa mudan\u00e7a:<br \/>\n1. Um plano urbano para a \u00e1rea envolvente da nova Esta\u00e7\u00e3o de Coimbra Central, elaborado pelo arquitecto e urbanista catal\u00e3o Joan Busquets, na sequ\u00eancia de um outro que ele j\u00e1 tinha desenvolvido h\u00e1 doze anos atr\u00e1s, numa altura em que a Metro Mondego estava ainda pensada para funcionar com el\u00e9ctricos modernos, urbanos e suburbanos, em que se pensava na alta velocidade em bitola internacional, a passar exclusivamente por Coimbra, entrando por Santa Clara num t\u00fanel que emergia s\u00f3 perto da actual Esta\u00e7\u00e3o Velha e estabilizava cerca de 600 metros a norte, junto ao Loreto. Tal como esse plano, este vem concretizar a cidade, tem como core uma esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, europeia por natureza, uma esta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode cair no meio do nada, como se fosse um shopping mall dos sub\u00farbios norte-americanos. Consequentemente, o plano prev\u00ea tamb\u00e9m a extens\u00e3o de centro da cidade at\u00e9 ela. Concretizando e aprofundando o desenho, pertence a uma mais recente gera\u00e7\u00e3o de planos, que vem fazendo o seu caminho por essa Europa fora, sobretudo em Espanha e em It\u00e1lia, s\u00e3o os chamados projectos urbanos que pressup\u00f5em, entre outras coisas, aprofundamento e garantia da qualidade das arquitecturas envolvidas, usos diversificados e pluralidade de investimentos, p\u00fablicos e privados.<br \/>\n2 &#8211; Este plano, com a total revis\u00e3o do projecto urbano da envolvente, vem anular o que estava previsto antes e aprovado pelo executivo anterior, que era uma ligeir\u00edssima lambidela da \u201cesta\u00e7\u00e3o\u201d de Coimbra B. Fic\u00e1vamos com uma esta\u00e7\u00e3o suburbana, sem qualquer dignidade para entrar na rede de alta velocidade europeia, mesmo que s\u00f3 com alguns comboios por dia. Isso leva-me a crer que o actual executivo se vai empenhar seriamente na aprova\u00e7\u00e3o e na gest\u00e3o deste novo plano, que traz, em conjunto com os melhoramentos previstos para a mobilidade, um potencial enorme de transforma\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano de Coimbra.<br \/>\n2574 parece ser um n\u00famero como outro qualquer. E \u00e9, \u00e9 o n\u00famero que foi anunciado como representando a quantidade de \u00e1rvores a plantar no Plano Anual de Planta\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara Municipal de Coimbra. Mas em espa\u00e7o urbano, e penso que, por enquanto, Coimbra ainda \u00e9 um espa\u00e7o urbano, a planta\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores est\u00e1 longe de ser (s\u00f3) uma quest\u00e3o de quantidade. \u00c9 sobretudo uma quest\u00e3o de qualidade, e essa qualidade n\u00e3o significa s\u00f3 quantas, significa como, quando e com que prop\u00f3sito. O espa\u00e7o urbano \u00e9 o espa\u00e7o protocolado e organizado no quadro de vida das pessoas que o habitam e que o visitam, n\u00e3o \u00e9 tabula rasa para planta\u00e7\u00f5es florestais. Da\u00ed os planos como o de Joan Busquets, que p\u00f5e os edif\u00edcios onde eles s\u00e3o precisos e onde eles remetem para a densidade e para a escala urbana, e p\u00f5e as \u00e1rvores e restantes elementos vegetais tamb\u00e9m onde eles s\u00e3o mais precisos para a s\u00e3 conviv\u00eancia e continuidade de outros parques cont\u00edguos. Se isto for entendido como tal, estaremos seguramente distantes daquele debate no qual participei h\u00e1 cerca de 35 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha<br \/>\nUniversidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":250680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2830,3503,3504,3505],"class_list":["post-260687","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-camara-municipal-de-coimbra-cmc","tag-estacao-velha","tag-plano-anual-de-plantacoes","tag-urbanizacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260687\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}