{"id":261130,"date":"2023-04-19T10:10:18","date_gmt":"2023-04-19T10:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=261130"},"modified":"2023-04-19T10:10:18","modified_gmt":"2023-04-19T10:10:18","slug":"opiniao-tap-e-sns-o-valor-da-lideranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-tap-e-sns-o-valor-da-lideranca\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: TAP e SNS  \u2013 O valor da lideran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-251136\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, todos n\u00f3s volt\u00e1mos ao conhecimento da figura de Christine Ourmi\u00e8res-Widener, at\u00e9 h\u00e1 uns dias atr\u00e1s CEO da TAP. A presidente executiva, que entrou na nossa companhia a\u00e9rea em julho de 2021, acabou por ser agora demitida, por \u201cjusta causa\u201d, por decis\u00e3o do mesmo Governo que a tinha escolhido com base num \u201ccurr\u00edculo muito relevante\u201d. Demitida por incompet\u00eancia? Parece que n\u00e3o, porque a TAP, praticamente falida na altura, acaba de anunciar lucros de 65,6 milh\u00f5es de euros e receitas de 3,5 mil milh\u00f5es no exerc\u00edcio de 2022, um novo recorde! Evidentemente, uma decis\u00e3o pol\u00edtica!<br \/>\nTodo come\u00e7ou com outra administradora, Alexandra Reis, que se tornou not\u00edcia no final do ano passado pela \u2018milion\u00e1ria\u2019 compensa\u00e7\u00e3o que recebeu ao deixar a companhia. Tinha-lhe sido pedido que se demitisse. Porque era incompetente? Provavelmente, tamb\u00e9m n\u00e3o, mas aparentemente por n\u00e3o estar de acordo (\u2018choque de personalidade\u2019) com a Christine, sua superiora.<br \/>\nH\u00e1 aqui alguma semelhan\u00e7a entre os dois casos? Evidentemente, n\u00e3o \u2013 uma, a Christine era a chefe e a outra, Alexandra, subordinada. Tenho para mim que, neste caso, a primeira assumiu o seu papel de l\u00edder, ao tomar a decis\u00e3o que pensava ser do melhor interesse da TAP. A segunda, que tamb\u00e9m era chefe de um outro setor da companhia, s\u00f3 poderia ter tido uma atitude correta, sair. Ali\u00e1s, Alexandra Reis tinha posto o seu lugar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o em 2021 e poderia ter ent\u00e3o sa\u00eddo da TAP sem qualquer indemniza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nInteressante \u00e9 que h\u00e1 uns meses atr\u00e1s a Alexandra era uma vil\u00e3 que se apropriou \u2018desavergonhadamente\u2019 de (muito) dinheiro da TAP, isto \u00e9, dos portugueses, e agora passou a hero\u00edna, v\u00edtima de uma estrangeira qualquer que era apenas a diretora executiva. Permitam-me aqui dizer que nem considero que o pagamento que recebeu seja ileg\u00edtimo. Foi demitida, a lei d\u00e1-lhe direito a uma compensa\u00e7\u00e3o, que foi negociada entre as partes. Tudo legal; n\u00e3o compreendo porque se diz que n\u00e3o.<br \/>\nPerguntar\u00e3o agora os leitores o que \u00e9 que isto tem que ver com os problemas do SNS, o meu tema costumado desta coluna de opini\u00e3o. Tudo! Maria Domingas Carvalhosa, CEO da Wisdom Consulting, escreveu algures que \u201cprecisamos de menos chefes e mais l\u00edderes\u201d. As duas palavras podem parecer sin\u00f3nimos, mas s\u00e3o compet\u00eancias distintas no ambiente organizacional. O chefe \u00e9 aquela figura autorit\u00e1ria que possui maior conhecimento t\u00e9cnico e que determina as atribui\u00e7\u00f5es dos seus subordinados. O l\u00edder \u00e9 mais do que isso, inspira os outros a utilizarem as suas capacidades na prossecu\u00e7\u00e3o do interesse comum. Para um l\u00edder, a capacidade de fazer com que as pessoas executem as suas tarefas atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o e do trabalho em equipe. Um l\u00edder \u00e9 um criador. Um chefe \u00e9 o fazedor \u2013 recebe ordens dos superiores e transmite-as aos inferiores. Para mim, a Christine era a l\u00edder, a Alexandra uma chefe.<br \/>\nEste \u00e9 o verdadeiro problema do SNS. Tem muitos chefes, de cima-abaixo, mas poucos l\u00edderes. Mas a grande quest\u00e3o \u00e9 que neste nosso Pa\u00eds a lideran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 incentivada; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 muitas vezes vilipendiada! E citando, de novo, Maria Domingas Carvalhosa, \u201ca nossa elite n\u00e3o pode nascer nas associa\u00e7\u00f5es de estudantes e nas juventudes partid\u00e1rias. H\u00e1 que incutir o esp\u00edrito de servi\u00e7o e de miss\u00e3o. A \u00e9tica e a moral. E as boas pr\u00e1ticas de lideran\u00e7a\u201d. Ser\u00e3o estes l\u00edderes que trar\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es para um muito necess\u00e1rio aumento da produtividade.<br \/>\nJ\u00e1 por v\u00e1rias vezes aqui escrevi que o principal problema do SNS reside na deficiente gest\u00e3o e resumem-se a uma palavra-chave &#8211; racionalidade. A defici\u00eancia de racionalidade deriva do facto de os nossos governantes, a todos os n\u00edveis, reagirem aos acontecimentos em vez de agirem preventivamente. E as decis\u00f5es s\u00e3o quase sempre baseadas num ciclo pol\u00edtico muito curto (em conformidade com o \u2018politicamente correto\u2019) e, naturalmente, sem se ter uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica da evolu\u00e7\u00e3o da sociedade, que necessita de medidas a longo prazo. Desta irracionalidade resulta a nossa baix\u00edssima produtividade, na Sa\u00fade como em todas as outras \u00e1reas da nossa economia.<br \/>\nA grande maioria dos gestores do nosso SNS n\u00e3o t\u00eam as qualidades de lideran\u00e7a necess\u00e1rias para gerir as grandes empresas que s\u00e3o os nossos hospitais. A maior parte s\u00e3o apenas comiss\u00e1rios pol\u00edticos, nomeados por raz\u00f5es pol\u00edticas, partid\u00e1rias. Estas considera\u00e7\u00f5es bem podem estender-se aos servi\u00e7os hospitalares, com a diferen\u00e7a de que estes frequentemente nem sequer t\u00eam chefes, muito menos l\u00edderes.<br \/>\n\u201cVamos l\u00e1 criar mais l\u00edderes e menos chefes\u201d\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Antunes<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":251136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1406,100],"class_list":["post-261130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-antunes","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261130\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}