{"id":261189,"date":"2023-04-20T08:51:55","date_gmt":"2023-04-20T08:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=261189"},"modified":"2023-04-20T08:51:55","modified_gmt":"2023-04-20T08:51:55","slug":"opiniao-como-medir-o-valor-dos-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-como-medir-o-valor-dos-alunos\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Como medir o valor dos alunos?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Jose-afonso-baptista-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-248854\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Jose-afonso-baptista-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo James Vincent (Beyond Measure. Faber 2022 ), medir foi a salva\u00e7\u00e3o da humanidade. O homem primitivo n\u00e3o tinha ainda os conceitos (tempo, peso, comprimento, altura, largura, profundidade) e muito menos os instrumentos para medir, que levaram muitos milh\u00f5es de anos a construir.<br \/>\nImaginem hoje, como exemplo, um hipermercado sem hor\u00e1rios, sem balan\u00e7as, sem computadores e sem os terminais de pagamento que calculam os pre\u00e7os em segundos. Ou um hospital sem toda a engenharia inform\u00e1tica que analisa e retrata a corpo inteiro, mas tamb\u00e9m as mais pequenas part\u00edculas a n\u00edvel celular. Basta considerar o aumento progressivo da longevidade ao longo da hist\u00f3ria para ver como a medida e os instrumentos de medida asseguram a nossa sobreviv\u00eancia. Vivemos hoje muito mais que os nossos pais, av\u00f3s e bisav\u00f3s (\u2026).<br \/>\nMedimos com facilidade objetos f\u00edsicos, temos dificuldade em medir tudo o que n\u00e3o tem corpo: conhecimentos, atitudes, sentimentos, valores, princ\u00edpios, esp\u00edrito de iniciativa, solidariedade, empenhamento, dinamismo, lideran\u00e7a (\u2026). Temos os conceitos, valorizamos ou desvalorizamos, mas n\u00e3o temos instrumentos de medida fi\u00e1veis para as atividades da mente e do esp\u00edrito. O trabalho de psic\u00f3logos, psiquiatras, ju\u00edzes, professores \u00e9 um exerc\u00edcio no v\u00e1cuo, n\u00e3o vemos nem apalpamos o que queremos medir. Veja-se a guerra com os \u00e1rbitros de futebol: as suas decis\u00f5es s\u00e3o boas ou m\u00e1s conforme as cores do arco-\u00edris, justas a verde, injustas a vermelho, manipul\u00e1veis a azul, criminosas sempre para quem perde e virtuosas para quem ganha.<br \/>\nEste \u00e9 o problema da educa\u00e7\u00e3o: os professores t\u00eam os conceitos, mas n\u00e3o t\u00eam os instrumentos de medida adequados e fi\u00e1veis para os medir. Toda a investiga\u00e7\u00e3o comprova que as mesmas provas escritas vistas por diferentes professores t\u00eam valores diferentes. Um exemplo \u00e0 vista de todos \u00e9 a classifica\u00e7\u00e3o dos exames submetida a recurso para melhoria de nota que por vezes duplica a classifica\u00e7\u00e3o inicial.<br \/>\nMas o problema maior assenta num erro grave que surgiu com a educa\u00e7\u00e3o de massas: medir pessoas sempre diferentes com um instrumento de medida normalizado. Podemos ter alunos geniais na m\u00fasica, no desporto, na matem\u00e1tica, na filosofia, no canto, na escultura, se n\u00e3o obedecerem \u00e0 norma do exame, chumbam, s\u00e3o exclu\u00eddos e impossibilitados de cumprir a sua voca\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA primeira grande revolu\u00e7\u00e3o que marcou a transi\u00e7\u00e3o do ensino individual para a educa\u00e7\u00e3o de massas foi a revolu\u00e7\u00e3o para a normaliza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 200 anos, que agora tem de dar lugar \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o para a personaliza\u00e7\u00e3o, impl\u00edcita em todas as orienta\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o de todos, desde a DUDH em 1948, que consagra o direito de todos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0s grandes confer\u00eancias mundiais sobre educa\u00e7\u00e3o para todos (Jomtien 1990 ), sobre a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens com necessidades educativas especiais (Salamanca 1994 ) at\u00e9 \u00e0s mais recentes orienta\u00e7\u00f5es sobre escolaridade obrigat\u00f3ria e inclus\u00e3o, em tantos pa\u00edses por cumprir. No nosso j\u00e1 \u00e9 lei, mas n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica garantida. O sistema de classifica\u00e7\u00e3o em vigor implica a exclus\u00e3o de muitos, a todos os n\u00edveis.<br \/>\nO perfil de cada pessoa \u00e9 \u00fanico, todos sabemos que n\u00e3o h\u00e1 duas pessoas iguais. Logo, em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 um perfil \u00fanico para todos compat\u00edvel com uma a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e um modelo de classifica\u00e7\u00e3o normalizados. A resposta que temos de dar \u00e9 a de educar cada pessoa no respeito pelo seu perfil, a sua identidade, os seus talentos ou as suas fragilidades. Imposs\u00edvel? Apenas para os docentes que n\u00e3o tenham a forma\u00e7\u00e3o orientada neste sentido, que o estado n\u00e3o garantiu. Nem as justas reivindica\u00e7\u00f5es dos professores nem as respostas do ME contemplam a forma\u00e7\u00e3o e a melhoria da qualidade dos professores. Na minha perspetiva erradamente.<br \/>\n\u00c9 urgente personalizar a educa\u00e7\u00e3o de acordo com o perfil de cada um e redefinir os m\u00e9todos e processos de avaliar e melhorar as suas potencialidades at\u00e9 aos mais elevados n\u00edveis de especializa\u00e7\u00e3o acess\u00edveis \u00e0s circunst\u00e2ncias pessoais. Este \u00e9 o desafio. Uma crian\u00e7a cega e uma crian\u00e7a surda t\u00eam um perfil espec\u00edfico, mas t\u00eam capacidades cognitivas compat\u00edveis com pessoas brilhantes, como pude testemunhar e hoje \u00e9 f\u00e1cil de comprovar.<br \/>\nA personaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil? Sim, a mudan\u00e7a de paradigma implica sempre mudan\u00e7a de mentalidades. Mas temos hoje o conhecimento e os meios para agilizar esta evolu\u00e7\u00e3o. O maior obst\u00e1culo estar\u00e1 sobretudo no aparelho do estado, principal foco de resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a, sobretudo quando se desvalorizam os seus atores e n\u00e3o se valorizam os resultados da sua a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o disponho de nenhum instrumento de medida para classificar a educa\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, mas assim a olho haveria por a\u00ed muito chumbo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Afonso Baptista<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":248854,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1170,100],"class_list":["post-261189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-afonso-baptista","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261189\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}