{"id":261477,"date":"2023-04-24T09:20:51","date_gmt":"2023-04-24T09:20:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=261477"},"modified":"2023-04-24T09:20:51","modified_gmt":"2023-04-24T09:20:51","slug":"opiniao-fechar-os-olhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-fechar-os-olhos\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Fechar os olhos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pio-Abreu-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-249553\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pio-Abreu-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Poucas pessoas d\u00e3o import\u00e2ncia ao simples gesto de fechar os olhos. Todos o fazemos v\u00e1rias vezes (seguramente fazemo-lo ao adormecer), mas nem sempre percebemos a profunda mudan\u00e7a que isso nos traz. Se o leitor o quiser perceber, experimente agora a fechar os olhos durante alguns minutos, mantendo-se im\u00f3vel. Quando os abrir, lembre-se dos sons que ouviu e de que n\u00e3o se tinha apercebido antes. De algum modo, ampliou a sua experi\u00eancia. Pode fixar-se num pequeno aspecto desse novo mundo que descobriu. Mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que esses sons se v\u00e3o tornando indistintos e tenha come\u00e7ado a navegar num mundo onde as suas recorda\u00e7\u00f5es e imagina\u00e7\u00e3o se misturem com a realidade \u00e0 sua volta e que, finalmente, esta desapare\u00e7a por completo. Entrou num estado semelhante ao sono. E se algu\u00e9m ao p\u00e9 de si mantiver um discurso que o oriente, conduzi-lo-\u00e1 para qualquer experi\u00eancia ou lugar. Entrar\u00e1 assim num estado semelhante \u00e0 hipnose.<br \/>\nSabe-se hoje a que corresponde tal experi\u00eancia em termos de actividade cerebral: se compararmos o seu c\u00e9rebro a duas meia-bolas justapostas, seria a face interna dessas duas metades que o dominaria. Come\u00e7aram por chamar-lhe a \u201crede por defeito\u201d (default network), aquela que funciona sempre, sobretudo quando n\u00e3o estamos envolvidos com alguma actividade. O problema agora \u00e9 saber se ambas as metades ou apenas uma delas est\u00e1 a funcionar. E isso n\u00e3o est\u00e1 esclarecido. Sabemos por\u00e9m que, mesmo sob as p\u00e1lpebras, os movimentos dos olhos nos d\u00e3o algumas indica\u00e7\u00f5es. Durante os sonhos, os olhos movem-se rapidamente de um lado para o outro. Tamb\u00e9m se sabe que, nessa altura, as informa\u00e7\u00f5es que absorvemos durante o dia se transferem para as duas metades cerebrais, alternando entre elas, provavelmente ao ritmo dos movimentos oculares.<br \/>\nSabe-se ainda que os acontecimentos traum\u00e1ticos que n\u00e3o queremos enfrentar nem descrever se transferem apenas para uma das metades do c\u00e9rebro (em geral a direita) sem acesso \u00e0 linguagem. Aparentemente, nem sequer foram sonhados nem submetidos ao processo cerebral que os movimentos oculares r\u00e1pidos denunciam. S\u00e3o viv\u00eancias que n\u00e3o foram \u201ddigeridas\u201d e que se alojam num dos hemisf\u00e9rios, como se fosse um quisto prestes a rebentar. Rebentam sim durante os \u201cacting outs\u201d (comportamentos autom\u00e1ticos impensados, frequentementeq violentos) ou pesadelos sempre que um est\u00edmulo semelhante nos aparece \u00e0 frente. S\u00e3o estes sintomas, frequentes nos veteranos de guerra, que constituem a chamada \u201cPerturba\u00e7\u00e3o de Stress P\u00f3s-Traum\u00e1tico\u201d.<br \/>\nN\u00e3o podemos fechar os olhos em qualquer altura. \u00c9 preciso estar em seguran\u00e7a e talvez aproveitar a escurid\u00e3o que nos protege para que possamos fechar os olhos e ter acesso a todo esse mundo que amplia os nossos horizontes. E podemos deixar ent\u00e3o que, periodicamente, os nossos olhos se mexam enquanto sonhamos, como que varrendo o lixo que o dia nos trouxe. Se o fizermos regularmente, ficaremos mais leves e equilibrados. Tamb\u00e9m ficaremos mais saud\u00e1veis, e pode mesmo acontecer que descubramos ao acordar a solu\u00e7\u00e3o para os problemas que n\u00e3o sab\u00edamos resolver. Numerosos inventores relatam esse fen\u00f3meno. No fundo, o que quero dizer \u00e9 que possamos dormir bem para tirarmos o maior proveito do sono.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pio Abreu<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":249553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,102],"class_list":["post-261477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-pio-abreu"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261477\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}