{"id":261918,"date":"2023-05-02T09:21:25","date_gmt":"2023-05-02T09:21:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=261918"},"modified":"2023-05-02T09:21:25","modified_gmt":"2023-05-02T09:21:25","slug":"estaleiro-renovado-na-figueira-da-foz-quer-cumprir-contratos-com-timor-leste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/estaleiro-renovado-na-figueira-da-foz-quer-cumprir-contratos-com-timor-leste\/","title":{"rendered":"Estaleiro renovado na Figueira da Foz quer cumprir contratos com Timor-Leste"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/09-Barco-Timor-estaleiros-Figueira-Pac-18.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-221619\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/09-Barco-Timor-estaleiros-Figueira-Pac-18.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Na margem sul do rio Mondego junto \u00e0 Figueira da Foz, no renovado estaleiro naval da AtlanticEagle Shipbuilding, foi retomada a constru\u00e7\u00e3o do \u2018ferry\u2019 encomendado por Timor-Leste, cujo contrato a administra\u00e7\u00e3o garantiu que ir\u00e1 cumprir.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Chega-se \u00e0quela zona historicamente ligada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o naval por uma estrada em mau estado, rodeada por edif\u00edcios devolutos ou destru\u00eddos, onde os mais de seis hectares dos antigos Estaleiros Navais do Mondego, fundados em 1944, s\u00e3o hoje um \u201co\u00e1sis\u201d de desenvolvimento, passados que est\u00e3o os tempos de dificuldades, com o determinante apoio de uma sociedade detida a 100% por capitais p\u00fablicos timorenses, que adquiriu 95% da empresa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A express\u00e3o \u201co\u00e1sis\u201d foi declarada \u00e0 reportagem da ag\u00eancia Lusa pelo diretor financeiro da empresa, Duarte Sousa, representante do s\u00f3cio maiorit\u00e1rio, que, em conjunto com Bruno Costa, s\u00f3cio minorit\u00e1rio, administrador respons\u00e1vel pela \u00e1rea operacional &#8211; e quarta gera\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia sempre ligada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o naval &#8211; lidera hoje a recupera\u00e7\u00e3o do estaleiro.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Ao fundo, ancorado a um pont\u00e3o no Mondego e de frente para o porto comercial da Figueira da Foz, flutua o \u2018ferry\u2019 Haksolok, encomendado em 2014 pelo governo timorense &#8211; e cuja gest\u00e3o passou, depois, para a Regi\u00e3o Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) &#8211; para fazer a liga\u00e7\u00e3o mar\u00edtima entre o enclave de Oecusse, no oeste do pa\u00eds, a ilha de Ata\u00faro e D\u00edli, a capital de Timor-Leste.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O navio, cuja constru\u00e7\u00e3o esteve parada cinco anos (desde 2018, por dificuldades financeiras e d\u00edvidas a credores, a que se juntaram os estragos no estaleiro provocados pelo furac\u00e3o Leslie, que levou a empresa a um Processo Especial de Revitaliza\u00e7\u00e3o, aprovado em tribunal em 2020), amea\u00e7ava tornar-se um \u00edcone, no mau sentido, do ocaso da constru\u00e7\u00e3o naval na Figueira da Foz.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Ao inv\u00e9s, a embarca\u00e7\u00e3o de 73 metros de comprimento e 12 de largura, projetada para poder transportar quase 400 passageiros e 26 ve\u00edculos ligeiros, tem hoje, vis\u00edveis, oper\u00e1rios afadigados no seu interior, aparentemente em sintonia com a administra\u00e7\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o do cumprimento dos prazos estabelecidos para a sua conclus\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO sucesso deste navio \u00e9 fundamental para o sucesso do estaleiro. Vai ser entregue e vamos cumprir com a nova adenda ao contrato que foi j\u00e1 assinada e estamos a cumprir com os prazos. Mas, obviamente, vai ser um marco fundamental a entrega do navio, para demonstrarmos a nossa capacidade e afastarmos esta nuvem\u201d, disse \u00e0 ag\u00eancia Lusa Bruno Costa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Por outro lado, o diretor operacional da AtlanticEagle Shipbuilding observou que o Haksolok, \u201cembora tenha estado parado, continua com a mesma qualidade de sempre, porque uma coisa de que se orgulha o estaleiro \u00e9 da qualidade de constru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Segundo Bruno Costa, entidades externas ao estaleiro e com compet\u00eancia na mat\u00e9ria garantiram que o navio \u201cest\u00e1 extremamente bem conservado\u201d, face aos anos que esteve atracado e com os trabalhos parados.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cNesse aspeto, estamos tranquilos\u201d, acrescentou, explicando que ap\u00f3s o retomar do projeto foram feitos diversos testes \u00e0 embarca\u00e7\u00e3o \u2013 navegabilidade, estabilidade ou aos equipamentos j\u00e1 instalados, entre outras provas \u2013 com resultados \u201cmuito positivos\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Duarte Sousa, por seu turno, garantiu que a entrada de Timor-Leste no capital da AtlanticEagle Shipbuilding n\u00e3o sucedeu apenas para terminar a constru\u00e7\u00e3o do \u2018ferry\u2019, tratando-se de um investimento \u201cde longo prazo\u201d, que, se passa pela constru\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o naval, j\u00e1 \u2018pisca o olho\u2019, tamb\u00e9m, aos anunciados investimentos ao largo da Figueira da Foz em e\u00f3licas \u2018offshore\u2019, seja na eventual constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas, como de embarca\u00e7\u00f5es de apoio e manuten\u00e7\u00e3o das mesmas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO Estado de Timor, o s\u00f3cio [maiorit\u00e1rio] n\u00e3o faria este investimento que est\u00e1 a fazer aqui se fosse para terminar \u00fanica e exclusivamente este navio\u201d, asseverou o diretor financeiro, uma afirma\u00e7\u00e3o corroborada pelo diretor operacional.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO que temos planeado, acordado, \u00e9 um investimento de longo prazo, n\u00e3o \u00e9 para acabar o \u2018ferry\u2019 e ir embora, \u00e9 um investimento para rentabilizar o dinheiro que est\u00e1 a ser aqui posto [por Timor-Leste\u201d, vincou Bruno Costa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Uma visita ao espa\u00e7o ocupado pelos estaleiros confirma estas afirma\u00e7\u00f5es, desde logo pelos edif\u00edcios renovados \u2013 com coberturas novas, v\u00e1rias das quais foram destru\u00eddas pelo Leslie \u2013 pintados a branco com apontamentos em azul, mas tamb\u00e9m novas val\u00eancias, como um refeit\u00f3rio devidamente equipado, uma sala de forma\u00e7\u00e3o onde j\u00e1 funcionam cursos em parceria com o Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional ou instala\u00e7\u00f5es para armadores que ali se desloquem, entre outras.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Duarte Sousa observou que se h\u00e1 18 meses, um ano e meio, o estaleiro estava \u201ccomo que abandonado\u201d, neste momento, garante 35 a 40 postos de trabalho diretos, muitos de oper\u00e1rios especializados, uns oriundos dos antigos estaleiros navais de S\u00e3o Jacinto, outros que transitaram dos Estaleiros Navais do Mondego e ainda quatro oper\u00e1rios timorenses, em fun\u00e7\u00f5es ainda de aprendizagem, n\u00famero que a administra\u00e7\u00e3o pretende ver aumentado.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Bruno Costa, a esse prop\u00f3sito, destacou a presen\u00e7a dos cidad\u00e3os de Timor-Leste \u2013 que, aquando da visita da Lusa, estavam a colaborar na manuten\u00e7\u00e3o de uma embarca\u00e7\u00e3o \u2013 mas tamb\u00e9m a perseveran\u00e7a dos seus colaboradores \u201cque n\u00e3o desistiram\u201d dos projetos da AtlanticEagle Shipbuilding.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">J\u00e1 o desenhador Jo\u00e3o Mendes faz \u2018parte da mob\u00edlia\u2019 do estaleiro da Figueira da Foz, onde entrou em 1990, h\u00e1 33 anos: \u201cContinua a ser bom estar c\u00e1, temos mudado de administra\u00e7\u00e3o, mas o trabalho \u00e9 sempre entusiasmante e hoje n\u00e3o \u00e9 diferente do que era h\u00e1 30 anos\u201d, argumentou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Sobre o momento atual do estaleiro, Jo\u00e3o Mendes disse que as instala\u00e7\u00f5es \u201cforam todas remodeladas e bem, est\u00e3o melhor do que alguma vez estiveram\u201d, e que o ambiente \u201c\u00e9 \u00f3timo\u201d e os trabalhadores \u201cest\u00e3o todos com esperan\u00e7a e vontade\u201d de ver o projeto singrar.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cS\u00f3 tenho sentimentos positivos, neste momento. Na altura que vim para c\u00e1, vim por op\u00e7\u00e3o e gosto. Mantenho o gosto\u201d, observou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A AtlanticEagle Shipbuilding foi fundada por Carlos Costa, profundo conhecedor do setor da constru\u00e7\u00e3o naval, tendo ficado com a concess\u00e3o do estaleiro da Figueira da Foz em 2012. Quatro anos depois, em 2016, Carlos Costa faleceu, prematuramente, aos 59 anos. Ao sair das instala\u00e7\u00f5es oficinais, acompanhado da reportagem da Lusa, o filho, Bruno Costa, olhou para o c\u00e9u e exclamou: \u201cO orgulho que ele, l\u00e1 em cima, deve estar a sentir\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na margem sul do rio Mondego junto \u00e0 Figueira da Foz, no renovado estaleiro naval da AtlanticEagle Shipbuilding, foi retomada a constru\u00e7\u00e3o do \u2018ferry\u2019 encomendado por Timor-Leste, cujo contrato a administra\u00e7\u00e3o garantiu que ir\u00e1 cumprir.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":221619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[62,31],"tags":[743,3879,3880,63,1517],"class_list":["post-261918","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-figueira-da-foz","category-geral","tag-contrato","tag-cumprimento","tag-estaleiro","tag-figueira-da-foz","tag-timor-leste"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261918\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}