{"id":262103,"date":"2023-05-05T09:44:21","date_gmt":"2023-05-05T09:44:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=262103"},"modified":"2023-05-05T09:44:21","modified_gmt":"2023-05-05T09:44:21","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-data-de-validade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-data-de-validade\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 Mesa com Portugal \u2013 Data de Validade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-253299\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>A idade n\u00e3o tem de ser um tema, mas a forma como lidamos com ela j\u00e1 \u00e9 motivo de an\u00e1lise. Constrange-me a invers\u00e3o a que se assiste. As crian\u00e7as s\u00e3o tratadas como pequenos adultos esclarecidos e os idosos s\u00e3o tratados como crian\u00e7as. Reparem. N\u00e3o raras vezes, numa mesa de almo\u00e7o, qualquer frase dita por uma crian\u00e7a \u00e9 tomada como sin\u00f3nimo de intelig\u00eancia precoce, verdade absoluta real\u00e7ada vezes sem conta pelos progenitores babados. Do outro lado, a conversa de um familiar mais velho \u00e9, frequentemente, tratada com condescend\u00eancia.<br \/>\nA velhice, outrora, sinal de esclarecimento, sabedoria, sensatez \u00e9 agora tratada como sinal de inf\u00e2ncia. A forma como falamos com os mais velhos, como se eles fossem crian\u00e7as ou estivessem diminu\u00eddos nas suas capacidades diz muito sobre o que pensamos da idade. Perdemos o respeito por quem j\u00e1 viveu muito. N\u00e3o falo da falta de paci\u00eancia para ouvir as hist\u00f3rias, falo do respeito pela dignidade. E isso v\u00ea-se, sente-se, nas palavras que dirigimos e o modo como entoamos as perguntas ou fazemos os coment\u00e1rios. Olhamos a idade como um passar de moda, t\u00e3o habituados que estamos \u00e0s tend\u00eancias. Ainda que as rugas sejam, atualmente, um lugar comum na promo\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria, seja ela qual for, n\u00e3o lidamos bem com o passar do tempo.<br \/>\nTalvez isso seja s\u00f3 um sinal do que fizemos a n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e0s ra\u00edzes que nos criaram. Mas o certo \u00e9 que desvalorizamos as vontades, o saber, a independ\u00eancia, a moralidade e a \u00e9tica da velhice como se ela fosse um estado menor ou incapacitante. \u00c9 claro que n\u00e3o se tem a mesma agilidade f\u00edsica ou mental. \u00c9 claro que nem sempre o discernimento vem ao de cima. Mas, n\u00e3o vamos tratar os idosos como se eles fossem beb\u00e9s. Ainda que eles se babem, ainda que tenham de usar fraldas, ainda que n\u00e3o tenham um ar fresco como gostamos. S\u00e3o pessoas. N\u00e3o precisam da nossa piedade ou condescend\u00eancia moral.<br \/>\nDo outro lado, reinam os pequenos pr\u00edncipes, exigem do seu trono as crian\u00e7as tratadas como figuras centrais da fam\u00edlia. Basta assistir \u00e0s refei\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as para sentir a conversa permanente que a fam\u00edlia engendra em volta do elemento mais novo. Ora \u00e9 objeto de aten\u00e7\u00e3o da m\u00e3e ou do pai, ora do av\u00f3 ou da av\u00f3, ora de um outro qualquer adulto que esteja na mesa. Parece que n\u00e3o sobrevive sem ser o centro das aten\u00e7\u00f5es, pois que a birra desperta quando se esgotam os momentos engra\u00e7ados ou o seu tempo de antena.<br \/>\nSem cr\u00edtica f\u00e1cil. Mas podemos deixar de ter pequenos ditadores numa ponta da mesa e, na outra, o sil\u00eancio que a ditadura da idade imp\u00f5e? Somos pessoas. Todas, sem data de validade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olga Cavaleiro<br \/>\nInvestigadora em Hist\u00f3ria e Cultura gastron\u00f3mica<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":253299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[3938,3939],"class_list":["post-262103","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-idade","tag-validade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/262103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=262103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/262103\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=262103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=262103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=262103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}