{"id":262260,"date":"2023-05-08T09:49:33","date_gmt":"2023-05-08T09:49:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=262260"},"modified":"2023-05-08T09:49:33","modified_gmt":"2023-05-08T09:49:33","slug":"opiniao-accao-colectiva-europeia-ai-deus-e-u-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-accao-colectiva-europeia-ai-deus-e-u-e\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Ac\u00e7\u00e3o colectiva europeia: \u201cai deus, e u \u00e9\u201d?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/mario-frota-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-248583\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/mario-frota-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o transp\u00f4s, at\u00e9 25 de Dezembro p.\u00ba p.\u00ba, a directiva que de novo regra a ac\u00e7\u00e3o colectiva europeia: as anteriores restringiam-se ao escopo inibit\u00f3rio (pela ac\u00e7\u00e3o, fazer cessar ou proibir pr\u00e1tica lesiva dos direitos do consumidor); a actual estende o seu alcance \u00e0 indemniza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos de que padece, por regra, uma mole imensa de consumidores.<br \/>\nA Directiva concedera um per\u00edodo de \u2018digest\u00e3o\u2019 de 6 meses (da sua publica\u00e7\u00e3o ao come\u00e7o de vig\u00eancia: 23 de Junho de 23 ) para assimila\u00e7\u00e3o do seu conte\u00fado.<br \/>\nPortugal, uma vez mais, borregou: n\u00e3o transp\u00f4s a directiva e, n\u00e3o tarda, estamos\u2026 em Junho!<br \/>\nAs regras nela plasmadas nem sempre se t\u00eam por mais progressivas que as que vigoram internamente.<br \/>\nMas h\u00e1 aspectos, como os do financiamento das ac\u00e7\u00f5es (o necess\u00e1rio suporte econ\u00f3mico para o seu desencadeamento, indispens\u00e1vel, quantas vezes!) que entre n\u00f3s jamais se legislaram e parece haver que considerar ante os denominados \u201cfundos-abutre\u201d, como o denuncia a ProP\u00fablica \u2013 Direito e Cidadania, fundada por Agostinho Miranda.<br \/>\nEis o que regista em comunicado recente:<br \/>\n\u201cA PP manifesta a sua estranheza e perplexidade perante a continua\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o criada por supostas associa\u00e7\u00f5es de consumidores, constitu\u00eddas \u00e0 pressa com o prop\u00f3sito de intentar ac\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias, ditas populares mas financiadas por fundos internacionais vulgarmente conhecidos por \u201cfundos- abutre\u201d.<br \/>\nA fus\u00e3o t\u00f3xica dos mecanismos da ac\u00e7\u00e3o popular com o financiamento por entidades do mundo financeiro representa a instrumentaliza\u00e7\u00e3o daquela via de defesa dos direitos colectivos, favorecendo antes interesses privados de natureza especulativa.<br \/>\n\u2026<br \/>\nNo entender da ProP\u00fablica, estamos a assistir a um abastardamento da ac\u00e7\u00e3o popular, um instituto previsto na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica para a protec\u00e7\u00e3o do bem p\u00fablico e a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os na realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a.<br \/>\nO funcionamento dos tribunais, nomeadamente do Tribunal da Concorr\u00eancia, \u00e9 suportado pelo dinheiro dos contribuintes, sendo incompreens\u00edvel a sua canibaliza\u00e7\u00e3o por parte de fundos financeiros cujo funcionamento n\u00e3o est\u00e1 sequer regulado na lei portuguesa. \u201c<br \/>\nOra, a Directiva de 25 de Novembro de 2020 estabelece como regras a adoptar nesse particular:<br \/>\n\u201cOs Estados asseguram que, caso uma ac\u00e7\u00e3o colectiva [reparat\u00f3ria] seja financiada por um terceiro, na medida em que o direito nacional o permita, se evitem conflitos de interesses e que o financiamento por terceiros que tenham um interesse econ\u00f3mico na proposi\u00e7\u00e3o ou no resultado da ac\u00e7\u00e3o colectiva \u2026 n\u00e3o [a] desvie da protec\u00e7\u00e3o dos interesses colectivos dos consumidores.<br \/>\nOs Estados asseguram, em particular, que:<br \/>\n&#8211; As decis\u00f5es tomadas pelas entidades [dotadas de legitimidade] no contexto de uma ac\u00e7\u00e3o colectiva, incluindo decis\u00f5es relativas a acordos de indemniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sejam indevidamente influenciadas por um terceiro, de uma forma que prejudique os interesses colectivos dos consumidores\u2026;<br \/>\n&#8211; A ac\u00e7\u00e3o colectiva n\u00e3o seja intentada contra um demandado que seja concorrente do financiador ou contra um demandado do qual o financiador dependa.<br \/>\nOs Estados asseguram que os tribunais \u2026 tenham, no \u00e2mbito de uma ac\u00e7\u00e3o colectiva [reparat\u00f3ria], poderes para avaliar o cumprimento do [precedentemente] disposto caso surjam d\u00favidas justificadas a esse respeito. Para o efeito, as entidades dotadas de legitimidade apresentam ao tribunal\u2026 uma s\u00edntese financeira que enumere as fontes de financiamento utilizadas para apoiar a ac\u00e7\u00e3o colectiva.<br \/>\nOs Estados asseguram ainda que, para [tal] efeito, os tribunais\u2026 tenham poderes para adoptar as medidas adequadas, como exigir \u00e0 entidade legitimada que recuse ou fa\u00e7a altera\u00e7\u00f5es ao financiamento em causa e, se for caso disso, rejeitar a legitimidade [de uma tal] entidade numa determinada ac\u00e7\u00e3o colectiva. Se a legitimidade [dessa] entidade for rejeitada \u2026, tal rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o afecta os direitos dos consumidores [nela] abrangidos.\u201d<br \/>\nPende ainda no Parlamento Europeu um Documento de 17 de Junho de 2021 que tende a refor\u00e7ar os limites ao financiamento das ac\u00e7\u00f5es, quando admitido.<br \/>\nH\u00e1 que barrar todos os desvios, h\u00e1 que refor\u00e7ar a legalidade e o estatuto dos consumidores e suas l\u00eddimas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Frota<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":248583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[976,100],"class_list":["post-262260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-mario-frota","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/262260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=262260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/262260\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=262260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=262260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=262260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}