{"id":262989,"date":"2023-05-18T09:50:05","date_gmt":"2023-05-18T09:50:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=262989"},"modified":"2023-05-18T09:50:05","modified_gmt":"2023-05-18T09:50:05","slug":"utentes-sem-medico-de-familia-aumentam-29-num-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/utentes-sem-medico-de-familia-aumentam-29-num-ano\/","title":{"rendered":"Utentes sem m\u00e9dico de fam\u00edlia aumentam 29% num ano"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_234117\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/22-MEDICOS-DR.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-234117\" class=\"size-full wp-image-234117\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/22-MEDICOS-DR.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-234117\" class=\"wp-caption-text\">DR<\/p><\/div>\n<p>O n\u00famero de utentes sem m\u00e9dico de fam\u00edlia aumentou 29% num ano, ascendendo agora a quase 1,7 milh\u00f5es, devido a aposenta\u00e7\u00f5es e \u00e0 falta de capacidade do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) para atrair especialistas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Segundo o portal da transpar\u00eancia do SNS, em abril de 2022 um total de 1.299.016 milh\u00f5es utentes n\u00e3o tinham m\u00e9dico de fam\u00edlia atribu\u00eddo, n\u00famero que aumentou para 1.678.226 um ano depois.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Perante isso, o n\u00famero de utentes acompanhados por esses especialistas de medicina geral e familiar baixou de cerca de 9,1 milh\u00f5es para pouco mais de 8,8 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo, indicam os dados oficiais.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para s\u00e1bado est\u00e3o agendadas marchas em Lisboa, Porto e Coimbra contra a \u201cdegrada\u00e7\u00e3o do SNS\u201d, convocadas por v\u00e1rios sindicatos e com a participa\u00e7\u00e3o de movimentos de utentes, uma iniciativa\u00a0para\u00a0reivindicar um \u201cinvestimento s\u00e9rio\u201d neste servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), esta situa\u00e7\u00e3o deve-se, simultaneamente, a uma vaga de aposenta\u00e7\u00f5es dos especialistas que est\u00e1 a ocorrer nos \u00faltimos anos e \u00e0 falta de atratividade do SNS para reter os m\u00e9dicos de fam\u00edlia rec\u00e9m-formados e para atrair os que est\u00e3o atualmente fora do servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Face a estes dois fatores, \u201ctodo o sistema que deveria ser baseado nos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios passa o foco para os hospitais e servi\u00e7os de urg\u00eancia, que tamb\u00e9m t\u00eam falta de recursos humanos e n\u00e3o s\u00e3o concebidos para este tipo de resposta\u201d, disse \u00e0 ag\u00eancia Lusa Nuno Jacinto.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A falta de m\u00e9dicos de fam\u00edlia est\u00e1, alertou Nuno Jacinto, a obrigar os utentes a aceder ao SNS \u201cpor um local onde n\u00e3o deveriam entrar\u201d \u2013 os hospitais -, \u201cpervertendo\u201d todo o sistema e sobrecarregando os profissionais de sa\u00fade de um modo geral.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Um estudo dos investigadores Pedro Pita Barros e Eduardo Costa sobre os recursos humanos na sa\u00fade, divulgado em fevereiro deste ano, indica que cerca de um em cada quatro m\u00e9dicos tem mais de 65 anos, um envelhecimento da classe que resultar\u00e1 numa vaga de cerca de 5.000 aposenta\u00e7\u00f5es at\u00e9 2030.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO envelhecimento dos m\u00e9dicos afeta os especialistas hospitalares, bem como os m\u00e9dicos dos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios. Estimativas de 2011 sugeriam que cerca de 75% dos m\u00e9dicos de fam\u00edlia tinham mais de 50 anos. Este problema foi ainda agravado por uma vaga de reformas antecipadas que surgiu na sequ\u00eancia das medidas de austeridade implementadas ap\u00f3s 2011\u201d, alertou o documento.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Este \u00e9 um argumento que tamb\u00e9m tem sido utilizado pelo Governo para justificar o aumento de pessoas sem m\u00e9dico de fam\u00edlia, com a secret\u00e1ria de Estado da Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, Margarida Tavares, a reconhecer recentemente que, al\u00e9m de 2021 e 2022, ainda 2023 e 2024 \u201cser\u00e3o anos de grande n\u00famero de m\u00e9dicos a aposentar-se\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Segundo o executivo, a falta de especialistas de medicina geral e familiar afeta sobretudo a regi\u00e3o de Lisboa e Vale do Tejo, o Algarve e o Alentejo, mas o presidente da APMGF alertou que a car\u00eancia j\u00e1 se sente no Centro e mesmo no Norte, onde \u201ccome\u00e7a a haver alguns locais onde n\u00e3o faltavam m\u00e9dicos e agora faltam\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O Governo abriu todas as 978 vagas de medicina geral e familiar, para reter os rec\u00e9m-formados, mas tamb\u00e9m para atrair especialistas que n\u00e3o estejam no SNS, mas j\u00e1 admitiu que apenas fiquem colocados nas unidades p\u00fablicas de sa\u00fade entre 200 e 250 dos 355 m\u00e9dicos que acabaram agora a sua especialidade.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201c\u00c9 bom que o Governo tenha aberto todas as vagas dispon\u00edveis. \u00c9 a primeira vez que isso acontece e \u00e9 um bom sinal, porque significa que a tutela assume a verdadeira dimens\u00e3o do problema\u201d, respondeu Nuno Jacinto, ao salientar que \u201cfaltam quase mil m\u00e9dicos de fam\u00edlia\u201d no SNS.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O presidente da ANMGF concorda que seria \u201cirrealista\u201d pensar que todas as 978 vagas seriam preenchidas, mas salientou que a abertura de todos os lugares dispon\u00edveis \u201ctem de ser uma medida que tem de se manter a m\u00e9dio e longo prazo para que possa estabilizar\u201d, considerando que o objetivo realista passa agora pela contrata\u00e7\u00e3o dos mais de 300 m\u00e9dicos que acabaram a especialidade na \u00faltima \u00e9poca de exame.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cN\u00e3o vamos dizer que vamos buscar mil m\u00e9dicos de fam\u00edlia de repente, porque eles n\u00e3o existem, mas temos de ser ambiciosos e dizer que, pelo menos, todos os que acabaram a especialidade queremos contratar\u201d, disse Nuno Jacinto, para quem atualmente os m\u00e9dicos de fam\u00edlia \u201colham para o SNS com alguma tristeza e desencanto\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para isso tem contribu\u00eddo, de acordo com o respons\u00e1vel da ANMGF, o sentimento dos m\u00e9dicos de fam\u00edlia de que \u201co seu trabalho n\u00e3o tem a valoriza\u00e7\u00e3o e o respeito que deveria ter\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Na pr\u00e1tica, isso deve-se \u00e0 &#8220;falta de uma aposta nos cuidados prim\u00e1rios, desde logo, na grelha salarial\u201d, assim como \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o da carreira, \u00e0 desadequa\u00e7\u00e3o do sistema de avalia\u00e7\u00e3o, que deveria ter uma progress\u00e3o baseada no m\u00e9rito, e a um modelo de \u201ccontrata\u00e7\u00e3o muito r\u00edgido baseado nas 40 horas, que n\u00e3o permite flexibilidade aos m\u00e9dicos que existe, por exemplo, no setor privado\u201d, referiu.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Esta falta de atratividade do SNS \u00e9 tamb\u00e9m sentida pelos novos m\u00e9dicos, garantiu \u00e0 Lusa a presidente da Comiss\u00e3o Nacional de M\u00e9dicos Internos do Sindicato Independente dos M\u00e9dicos (SIM), para quem isso deve-se \u00e0s prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mas sobretudo aos vencimentos praticados no setor p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cEm 2022, o valor pago a um rec\u00e9m-especialista era 16,03 euros por hora brutos\u201d, adiantou M\u00f3nica Paes Mamede, ao considerar este vencimento \u201cbaixo\u201d, tendo em conta todas as responsabilidades cl\u00ednicas que tem um especialista, assim como a exig\u00eancia da profiss\u00e3o a v\u00e1rios n\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Os rec\u00e9m-especialistas t\u00eam a responsabilidade de todas as decis\u00f5es cl\u00ednicas que s\u00e3o tomadas sobre os seus doentes, trabalham em turnos de 24 horas e com hor\u00e1rios rotativos ao fim de semana e feriados, sublinhou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO setor social e privado est\u00e3o no mesmo pa\u00eds do que o setor p\u00fablico e t\u00eam um pagamento, por norma, bastante mais elevado e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m s\u00e3o mais atrativas\u201d, referiu M\u00f3nica Paes Mamede.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Se n\u00e3o se verificar um aumento dos vencimentos, \u201ccorre-se o risco de ter um SNS cada vez mais fraco\u201d, alertou ainda a presidente da Comiss\u00e3o Nacional de M\u00e9dicos Internos do SIM, ao assegurar que j\u00e1 nota \u201cuma grande diferen\u00e7a\u201d desde h\u00e1 seis anos, quando come\u00e7ou a trabalhar no setor p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o portal da transpar\u00eancia do SNS, em abril de 2022 um total de 1.299.016 milh\u00f5es utentes n\u00e3o tinham m\u00e9dico de fam\u00edlia atribu\u00eddo, n\u00famero que aumentou para 1.678.226 um ano 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