{"id":264684,"date":"2023-06-16T10:02:06","date_gmt":"2023-06-16T10:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=264684"},"modified":"2023-06-16T10:02:06","modified_gmt":"2023-06-16T10:02:06","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-contracorrente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-contracorrente\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 Mesa  com Portugal  \u2013 Contracorrente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-253299 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/OLGA-CAVALEIRO-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o da Dieta Mediterr\u00e2nica como Patrim\u00f3nio da Humanidade ter\u00e1 tido um resultado muito positivo para todos. Chamou a aten\u00e7\u00e3o para a riqueza nutricional, agr\u00edcola, cultural e social de alguns produtos, para al\u00e9m de que refor\u00e7ou o car\u00e1ter familiar e comunit\u00e1rio da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, julgo que \u00e9 tempo de interrogarmos o modo intensivo, quase claustrof\u00f3bico e sufocante, com que esse discurso entrou na vida das pessoas e das comunidades. Sou uma admiradora e defensora da cultura gastron\u00f3mica que herd\u00e1mos do Mediterr\u00e2neo, mas n\u00e3o suporto ver o aproveitamento que se faz dos seus ideais. Da atividade agr\u00edcola \u00e0 farmac\u00eautica, qualquer coisa que se queira vender recorre \u00e0 Dieta Mediterr\u00e2nica. \u00c9, esta, justifica\u00e7\u00e3o para toda a a\u00e7\u00e3o de venda, mensagem publicit\u00e1ria que cai sempre bem.<\/p>\n<p>Mas se devemos estar muito atentos para o uso indevido do conceito por parte de grandes estruturas empresariais e corporativas, podemos fazer mais. Podemos interrogar o nosso comportamento alimentar e repens\u00e1-lo \u00e0 luz da realidade de hoje, do que sabemos e do que temos. O caso do azeite, \u00e9 um tema que me impressiona em particular. Proclamamos os benef\u00edcios do azeite, incutimos o seu consumo na ideia de uma vida mais saud\u00e1vel e mais saborosa, contudo, n\u00e3o pensamos nas consequ\u00eancias que tal pode acarretar, como por exemplo, as quantidade de azeite que teremos de produzir para cumprir todas as necessidades. A velocidade a que os olivais intensivos v\u00e3o proliferando pelo Alentejo e pelo Ribatejo deixa-me angustiada, pois sei que, muito em breve, teremos os solos gastos, \u00e1ridos, desidratados de tamanho esfor\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sempre que viajo e olho para esses olivais, repenso a minha forma de usar o azeite na cozinha. Repenso as ideias feitas de que parecemos gostar tanto. At\u00e9 porque, no que respeita \u00e0 sua cultura alimentar, Portugal recebeu influ\u00eancias de outras geografias e o seu patrim\u00f3nio inclui v\u00e1rias abordagens. A riqueza da nossa gastronomia est\u00e1 nisso mesmo, no muito que recebeu, no muito que deu, no modo como soube utilizar todos os recursos ao seu alcance e fazer da cozinha um lugar, sempre, pleno de sabor. Tema controverso e contracorrente, sim eu sei. Mas necess\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classifica\u00e7\u00e3o da Dieta Mediterr\u00e2nica como Patrim\u00f3nio da Humanidade ter\u00e1 tido um resultado muito positivo para todos. Chamou a aten\u00e7\u00e3o para a riqueza nutricional, agr\u00edcola, cultural e social de alguns produtos, para al\u00e9m de que refor\u00e7ou o car\u00e1ter familiar e comunit\u00e1rio da alimenta\u00e7\u00e3o. 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