{"id":265052,"date":"2023-06-22T10:47:17","date_gmt":"2023-06-22T10:47:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=265052"},"modified":"2023-06-22T10:47:17","modified_gmt":"2023-06-22T10:47:17","slug":"opiniao-uma-solucao-a-procura-de-um-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-uma-solucao-a-procura-de-um-problema\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Uma solu\u00e7\u00e3o \u00e0 procura de um problema"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Victor-Francisco-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-249819\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Victor-Francisco-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 duas frases c\u00e9lebres que ilustram bem a forma como, ao longo do tempo, a inova\u00e7\u00e3o tem sido incentivada mais vezes pelo desenvolvimento tecnol\u00f3gico do que pelas necessidades do mercado. Uma, datada j\u00e1 do in\u00edcio do s\u00e9c. XX, quando Henry Ford, o inventor da produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie do Ford T, modelo da marca que revolucionou a ind\u00fastria automobil\u00edstica, afirmava: \u201cSe eu perguntasse aos meus clientes o que eles queriam, eles teriam dito: um cavalo mais r\u00e1pido\u201d. A outra, de Steve Jobs, o homem forte da Apple, que um dia ter\u00e1 dito \u201cas pessoas n\u00e3o sabem o que querem antes de lhes mostrarmos\u201d, ele que n\u00e3o confiava em estudos de mercado para definir o que os produtos da Apple deviam ser.<br \/>\nLer as coisas antes de elas terem sido escritas \u00e9, no fundo, a miss\u00e3o destes vision\u00e1rios. Porque lan\u00e7ar tecnologias que n\u00e3o se imagina se o mercado quer, ou se se guiam pelas verdadeiras necessidades das pessoas \u00e9, naturalmente, um risco. Mais f\u00e1cil e \u00f3bvio \u00e9 apostar em algo cujo mercado seja, \u00e0 partida, um neg\u00f3cio com vento pelas costas.<br \/>\nV\u00e1rias tecnologias foram consideradas \u00e0 frente do seu tempo por terem sido pensadas, desenvolvidas ou introduzidas antes de o mercado ou a sociedade estarem preparadas para a sua ado\u00e7\u00e3o generalizada. J\u00e1 no s\u00e9culo XV Leonardo da Vinci projetava uma m\u00e1quina de voo semelhante ao que \u00e9 hoje um helic\u00f3ptero, o qual s\u00f3 p\u00f4de ser constru\u00eddo como o conhecemos agora quase 500 anos depois. Tamb\u00e9m os ve\u00edculos el\u00e9tricos tiveram a mesma dificuldade, com tentativas de comercializa\u00e7\u00e3o que datam j\u00e1 do in\u00edcio do s\u00e9culo XX quando a tecnologia era ainda muito limitada.<br \/>\nExemplos de flops da tecnologia s\u00e3o muitos. Podemos considerar aqui as primeiras tentativas da realidade virtual na d\u00e9cada de 1990 que eram caras e tinham capacidades gr\u00e1ficas muito limitadas, o que fez com que n\u00e3o conseguisse grande popularidade nessa altura. Recentemente, o Metaverso da Meta, lan\u00e7ado em 2022, uma extens\u00e3o do mundo f\u00edsico usando realidade virtual e aumentada e cujo interesse tem vindo a decair, com queixas de complexidade e de problemas t\u00e9cnicos. Ou dispositivos como os Google Glass, j\u00e1 descontinuados, um pequeno ecr\u00e3 que se fixava acima do olho direito do utilizador e que resultou num reduzido interesse do p\u00fablico.<br \/>\nQuando vemos por exemplo o lan\u00e7amento de novas tecnologias de realidade virtual e aumentada como o Apple Vision Pro (ver destaque), anunciado como o maior lan\u00e7amento da hist\u00f3ria da Apple, questionamo-nos se ser\u00e1 uma tecnologia que o mercado quer. N\u00e3o se questiona a tecnologia em sim ou a sua qualidade, mas antes a sua utilidade. N\u00e3o deveria a inova\u00e7\u00e3o ser menos incentivada pela tecnologia e mais pelas verdadeiras necessidades das pessoas?<br \/>\nConseguindo uma ado\u00e7\u00e3o generalizada, naturalmente ningu\u00e9m questiona a necessidade destas tecnologias. Um bom exemplo foi um telefone sem teclas, apresentado em 2007 por Steve Jobs. Uma inova\u00e7\u00e3o totalmente disruptiva \u00e0 \u00e9poca porque tinha como grande novidade descartar as teclas f\u00edsicas e criar um ecr\u00e3 t\u00e1til, no qual se usava como dispositivo apontador, ao inv\u00e9s de uma caneta, algo totalmente \u201cinovador\u201d e que usamos h\u00e1 milhares de anos: os nossos dedos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Francisco<br \/>\nGestor de Projetos<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":249819,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1259,4365,4391],"class_list":["post-265052","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-inovacao","tag-problemas","tag-solucao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}