{"id":265277,"date":"2023-06-26T10:24:06","date_gmt":"2023-06-26T10:24:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=265277"},"modified":"2023-06-26T10:24:06","modified_gmt":"2023-06-26T10:24:06","slug":"opiniao-por-fora-ca-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-por-fora-ca-dentro\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Por fora, c\u00e1 dentro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-254149\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg 1200w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-300x157.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-768x402.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-600x314.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Do ponto de vista popular, poder-se-\u00e1 dizer por fora (ou sem papel). Do ponto de vista econ\u00f3mico, o mais correcto ser\u00e1 dizer economia n\u00e3o registada (ENR). No final de contas, falamos efectivamente de actividade econ\u00f3mica que acontece paralelamente, livre de toda a tributa\u00e7\u00e3o aplicada pelo estado.<br \/>\nA Faculdade de Economia da Universidade do Porto, tem-se vindo a debru\u00e7ar sobre o tema, tentando dimensionar a ENR no per\u00edodo compreendido entre os anos de 1996 a 2022. No corrente m\u00eas de Junho, foram divulgados os valores do ano de 2022 que s\u00e3o, no m\u00ednimo, impressionantes. Poder\u00e3o n\u00e3o ser surpreendentes, pois a tend\u00eancia tem sido crescente ao longo dos anos e as medidas tomadas no sentido de a controlar tamb\u00e9m pouco vis\u00edveis, mas impressionam pelo seu valor absoluto e pelo que significam quando colocados em percentagem da riqueza que conseguimos gerar a cada ano. Para 2022 este estudo aponta que o valor da ENR tenha atingido um valor record de 34,37% do produto interno bruto (PIB): 82.232 milh\u00f5es de euros. Sim, isso mesmo. Mais de 82 mil milh\u00f5es de \u20ac.<br \/>\nQuando colocado em perspectiva, dizendo que este valor daria para suportar seis or\u00e7amentos da sa\u00fade, ou que daria para pagar 30% da d\u00edvida p\u00fablica, percebemos mais facilmente a sua dimens\u00e3o.<br \/>\nMuito se poder\u00e1 dizer sobre este valor. A discuss\u00e3o das suas causas &#8211; e principalmente das suas solu\u00e7\u00f5es &#8211; \u00e9 assunto suficiente para alimentar a discuss\u00e3o de um f\u00f3rum com v\u00e1rios pain\u00e9is de especialistas por v\u00e1rios dias. Mas vamos por algo que me parece por demais evidente: a carga fiscal aplicada em Portugal. A carga fiscal em 2022 atingiu, tamb\u00e9m ela, um novo m\u00e1ximo hist\u00f3rico: 36,4%. Parece-me, tal como evidenciado pelos autores deste estudo, que estes dois m\u00e1ximos s\u00e3o indissoci\u00e1veis e \u00e9 l\u00f3gico que se relacionem desta forma. Quanto maior for a fatia que o estado pretende para si, mais motivados estar\u00e3o todos os agentes que comp\u00f5em a nossa economia a n\u00e3o declarar as suas transac\u00e7\u00f5es e os seus rendimentos. Se os meios libertos pelos agentes econ\u00f3micos e pelas pessoas em Portugal, no p\u00f3s impostos, n\u00e3o \u00e9 o suficiente para salvaguardar n\u00edveis de gest\u00e3o e de vida suficientemente condignos, a solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 uma de duas: ou procuramos pa\u00edses fiscalmente mais atractivos ou, mantendo-nos em Portugal, procuramos reduzir o volume de rendimentos que est\u00e1 sujeito a impostos. Para o nosso Pa\u00eds, qual a melhor das duas solu\u00e7\u00f5es? A resposta \u00e9 simples: nenhuma delas.<br \/>\nColoquemos este assunto \u00e0 discuss\u00e3o, centrado no tema sobre o qual escrevo &#8211; a economia das empresas. Centremo-nos no papel desempenhado pelas empresas que cumprem com as suas \u201cnormais\u201d obriga\u00e7\u00f5es: Qual a justi\u00e7a de um sistema que permite que mais de um ter\u00e7o da actividade econ\u00f3mica que se desenvolve no Pa\u00eds seja n\u00e3o tributada? Do ponto de vista da concorr\u00eancia o que \u00e9 que pode ser feito? Pagar orgulhosamente todos os impostos (impostos pelo estado, passo a redund\u00e2ncia) e ser comercialmente menos competitivo, enquanto vemos ao lado outros que enriquecem isentos de preocupa\u00e7\u00f5es e que s\u00e3o ainda capazes de nos identificar como \u201cdoidos\u201d? Os dados parecem falar por si: N\u00f3s, os \u201cdoidos\u201d orgulhosamente pagadores de todos os impostos, somos cada vez menos. Urge que se fa\u00e7a alguma coisa, pois SAFT\u00b4s, E-facturas, comunica\u00e7\u00f5es de invent\u00e1rios e afins n\u00e3o parecem resolver o problema.<br \/>\nJ\u00e1 a minha av\u00f3 dizia, quando do trabalho do campo se tratava, que a dividir por todos custava menos. Talvez neste assunto, a minha av\u00f3 pudesse ser uma boa conselheira do nosso Ministro das Finan\u00e7as. Dada a dimens\u00e3o daquilo que \u00e9 identificado como ENR, h\u00e1 que haver a coragem de a combater verdadeiramente e que esses fluxos se convertam em economia real e contributiva. Assim, no final, o bolo seria cerca de 1\/3 maior. O estado poderia comer uma fatia menor de um bolo maior e ficar igualmente satisfeito. N\u00f3s, se n\u00e3o todos, pelo menos a maioria, conservar\u00edamos do bolo o suficiente para nos incentivar a fabricar e vender mais bolos ao inv\u00e9s de come\u00e7ar a achar que a raz\u00e3o est\u00e1 com quem faz, vende e come o proveito do bolo sem que mais ningu\u00e9m o cheire.<br \/>\nAi av\u00f3, av\u00f3.<\/p>\n<p>*Por decis\u00e3o pessoal, o autor do texto n\u00e3o escreve segundo<br \/>\no novo Acordo Ortogr\u00e1fico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christophe Coimbra<br \/>\nGerente da empresa Frisalgados, Lda<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":254149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[594,100],"class_list":["post-265277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-christophe-coimbra","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265277\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}