{"id":265478,"date":"2023-06-29T11:33:34","date_gmt":"2023-06-29T11:33:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=265478"},"modified":"2023-06-29T11:33:34","modified_gmt":"2023-06-29T11:33:34","slug":"opiniao-o-observatorio-de-lowell-onde-se-descobriu-plutao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-observatorio-de-lowell-onde-se-descobriu-plutao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O Observat\u00f3rio de Lowell onde se descobriu Plut\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-250339 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/NUNO-PEIXINHO-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesta semana que passou, estive na confer\u00eancia cient\u00edfica internacional trienal \u201cAsteroids, Comets, Meteors\u201d, cujo nome dispensa tradu\u00e7\u00f5es, em Flagstaff, no estado do Arizona, E.U.A., lugar muito especial para quem, como eu, trabalha em objetos trans-Neptunianos, tamb\u00e9m chamados objetos da cintura de Kuiper.<\/p>\n<p>\u00c9 em Flagstaff que se encontra o hist\u00f3rico Observat\u00f3rio de Lowell. Entre muitas grandes descobertas nele feitas, a descoberta de Plut\u00e3o em 1930 \u00e9, sem d\u00favida, a mais mencionada. E ao falar de Plut\u00e3o, n\u00e3o podemos escapar \u00e0 perda do estatuto de planeta, em 2006. N\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m surpreendente que em Lowell se continue a dizer que Plut\u00e3o \u00e9 um planeta e que a esperan\u00e7a de vida de quem diga o contr\u00e1rio caia drasticamente.<\/p>\n<p>Curiosamente, aquando do anuncio da sua descoberta, chegou at\u00e9 a ser classificado de cometa. Pura e simplesmente, n\u00e3o sab\u00edamos exatamente o que dizer. N\u00e3o havia uma defini\u00e7\u00e3o de planeta at\u00e9 ent\u00e3o. O pr\u00f3prio Ceres, ainda hoje o maior asteroide conhecido entre Marte e J\u00fapiter, chegou a ser por muitos considerado um planeta. Afinal qual \u00e9 crit\u00e9rio? \u00c9 s\u00f3 o tamanho? Qual? Deve ser planeta se tiver mais de 3000 km de di\u00e2metro? E se tiver menos um cent\u00edmetro, j\u00e1 n\u00e3o deve ser? E porque n\u00e3o 2000 km? N\u00e3o h\u00e1 nenhuma diferen\u00e7a radical entre as propriedades de um objeto do sistema solar e um ligeiro aumento do seu tamanho. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 como distinguir uma bicicleta de um triciclo, \u00e9 mais como distinguir entre um cami\u00e3o e uma camioneta. Suponhamos que Plut\u00e3o era considerado um planeta, tinha um s\u00fabito per\u00edodo de atividade criovulc\u00e2nica \u2014 um vulcanismo de gelos a sublimar que de facto existe no sistema solar \u2014 e nessa atividade encolhia um quil\u00f3metro: deixaria de ser um planeta? Em suma, foi necess\u00e1rio encontrar um crit\u00e9rio melhor do que o simples tamanho e optou-se por considerar que um grande corpo que orbite \u00e0 volta do Sol, mesmo que consiga ficar bem arredondado devido \u00e0 sua pr\u00f3pria gravidade, se n\u00e3o conseguir \u201cdominar\u201d a sua regi\u00e3o, no sentido em que ela n\u00e3o pode estar cheia de outros objectos de dimens\u00f5es apreci\u00e1veis, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um planeta: \u00e9 apenas um objeto de uma cintura de outros objetos, nenhum deles sendo um planeta.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, a pol\u00e9mica que ainda perdura em muitos meios, trouxe uma visibilidade a Plut\u00e3o que ele nunca teve nem nunca teria. Plut\u00e3o \u00e9 mais conhecido que nunca. Pode n\u00e3o ser um planeta, mas ainda \u00e9 o maior objeto da cintura de Kuiper que se conhece. E a hist\u00f3ria da sua descoberta \u00e9 digna de um romance. Clyde Tombaugh, o agricultor pobre que sonhou e conseguiu ser astr\u00f3nomo, que foi contratado para encontrar o na altura alcunhado planeta-X, projeto muito querido de Persival Lowell, astr\u00f3nomo e fundador do observat\u00f3rio, encontrou algo novo. N\u00e3o foi o planeta-X, pois afinal os c\u00e1lculos que faziam supor que este existia estavam errados. Foi Plut\u00e3o, aquilo que parecia ser o \u00faltimo planeta do sistema solar e que depois de 1992, com a descoberta do 15760 Albion, e pouco depois do ( 181708 ) 1993FW3, se revelou ser, afinal, o primeiro objeto da cintura de Kuiper, o maior reservat\u00f3rio de gelo de \u00e1gua que se conseguimos observar no nosso sistema solar.<\/p>\n<p>Percorrer o mesmo caminho que Tombaugh percorria, diariamente, desde o seu alojamento at\u00e9 ao telesc\u00f3pio e v\u00ea-lo bem preservado, mantendo ainda a famosa luva de boxe que ele amarrou a um tubo que insistia em acertar-lhe na cabe\u00e7a, \u00e9 algo que n\u00e3o esquecerei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana que passou, estive na confer\u00eancia cient\u00edfica internacional trienal \u201cAsteroids, Comets, Meteors\u201d, cujo nome dispensa tradu\u00e7\u00f5es, em Flagstaff, no estado do Arizona, E.U.A., lugar muito especial para quem, como eu, trabalha em objetos trans-Neptunianos, tamb\u00e9m chamados objetos da cintura de Kuiper. \u00c9 em Flagstaff que se encontra o hist\u00f3rico Observat\u00f3rio de Lowell. 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