{"id":266320,"date":"2023-07-12T10:38:10","date_gmt":"2023-07-12T10:38:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=266320"},"modified":"2023-07-12T10:38:10","modified_gmt":"2023-07-12T10:38:10","slug":"opiniao-centros-de-responsabilidade-integrados-a-salvacao-do-sns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-centros-de-responsabilidade-integrados-a-salvacao-do-sns\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Centros de Responsabilidade Integrados \u2013A salva\u00e7\u00e3o do SNS?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-251136\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>O conceito de Centro de Responsabilidade Integrado (CRI), como forma de gest\u00e3o interm\u00e9dia, j\u00e1 com tr\u00eas d\u00e9cadas, foi agora \u2018reavivado\u2019 pela nova equipa ministerial como uma esp\u00e9cie de solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica para o problema da inefici\u00eancia dos hospitais do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS). Efetivamente, j\u00e1 aqui discuti muitas vezes a import\u00e2ncia da gest\u00e3o interm\u00e9dia, a n\u00edvel dos servi\u00e7os hospitalares, que \u00e9 onde se geram os principais fatores de despesa, um dos principais problemas do SNS, que tem levado a uma escalada galopante do or\u00e7amento, que um dia ter\u00e1 de ter um fim. H\u00e1 quatro semanas atr\u00e1s, o meu colega Dr Luis Teixeira trouxe o assunto a esta p\u00e1gina de Opini\u00e3o, que mensalmente dividimos. Estou genericamente de acordo com o que ele escreveu, mas vou aproveitar para trazer aqui alguma informa\u00e7\u00e3o, que a maior parte dos que agora apregoam os CRIs parece desconhecer.<br \/>\n\u00c9 evidente que podemos fazer muito melhor com aquilo que temos, e foi neste sentido que, em 1988, a Dra. Leonor Beleza criou os Centros de Responsabilidade como forma inovadora de gest\u00e3o interm\u00e9dia. O modelo inicial n\u00e3o teve sucesso e a Dra. Maria de Bel\u00e9m Roseira decidiu, em 1999, \u2018ressuscit\u00e1-los\u2019 num novo formato \u2013 CRI, para tal nada melhor que iniciando pelos servi\u00e7os de cirurgia cardiotor\u00e1cica, em que a maior parte dos m\u00e9dicos estava em exclusividade. Todos concordaram, mas apenas eu avancei com um projeto, que veio a ser aprovado em dezembro de 1998, muito antes de o novo decreto-lei entrar em vigor. Foi assim criado o CRI de Cirurgia Cardiotor\u00e1cica dos HUC, que eu liderei at\u00e9 2018.<br \/>\nEste foi o primeiro, e por muitos anos \u00fanico, \u2019verdadeiro\u2019 CRI. O Decreto Lei n\u00ba 374\/99, que criou os CRIs, estabelecia que \u201cos servi\u00e7os candidatos t\u00eam de oferecer garantias pr\u00e9vias de responsabilidade, produtividade e qualidade\u201d. Para esse efeito, o nosso servi\u00e7o tinha antes sido avaliado e respondia a todas estas condi\u00e7\u00f5es. Neste contexto, \u00e0 autonomia concedida ao CRI correspondia um acr\u00e9scimo de responsabilidade, que implicava uma adequada autorregula\u00e7\u00e3o. Uma das particularidades dos CRIs era a possibilidade de distribuir pr\u00e9mios de desempenho, de acordo com a quantidade e qualidade da produ\u00e7\u00e3o individual, deste modo estimulada. Foi assim at\u00e9 2011, quando da chegada da Troika \u2018suspendeu\u2019 os pr\u00e9mios de desempenho. Esta medida destinava-se certamente a cessar os pr\u00e9mios de milh\u00f5es atribu\u00eddos a alguns dos mais algos cargos de empresas estatais, como a CGD, a CP e outras, mas abrangeu-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s. Curiosamente, e n\u00e3o sabemos porqu\u00ea, n\u00e3o foi aplicada \u00e0s Unidades de Sa\u00fade Familiares (USF-B), outro modelo de gest\u00e3o interm\u00e9dia.<br \/>\nEvidentemente, os pr\u00e9mios de desempenho, que agora voltam a ser apregoados, tiveram um papel importante na afirma\u00e7\u00e3o do nosso servi\u00e7o e do seu projeto. Assim como a exclusividade de todos os m\u00e9dicos, em minha opini\u00e3o essencial. V\u00e1rias entidades externas atestaram o valor desta experi\u00eancia. Entre elas, a APEGsa\u00fade &#8211; Ag\u00eancia Portuguesa de Engenharia em Sa\u00fade atribuiu-me o t\u00edtulo de \u2018M\u00e9dico Gestor Top Excel\u00eancia\u2019, assim justificado: \u201cressalta o sistema de incentivos implementado \u2026verdadeiramente inovador e pioneiro em Portugal, e que recolhe os ensinamentos do que melhor se faz internacionalmente, tanto em gest\u00e3o p\u00fablica como em gest\u00e3o privada\u201d. Tamb\u00e9m a AIP \u2013Associa\u00e7\u00e3o Industrial Portuguesa distinguiu o Servi\u00e7o como um de 18 case-studies de empresas nacionais no livro \u201cProdutividade em Portugal &#8211; medir para gerir e melhorar\u201d. Entretanto, o Dr Adalberto Campos Fernandes preconizava a \u201dmanuelantuniza\u00e7\u00e3o\u201d dos servi\u00e7os, termo que repetiu muitas vezes durante a sua passagem no minist\u00e9rio.<br \/>\nMas nem tudo foi um mar de rosas. Tivemos que inventar muito! No discurso final de um simp\u00f3sio sobre gest\u00e3o que marcou o 25\u00aa anivers\u00e1rio do Servi\u00e7o, na presen\u00e7a da Dra. Maria de Bel\u00e9m, afirmei que o problema \u00e9 que \u201cparece doer muito passar responsabilidades\u201d. Porque um dos erros dos dois decretos-lei dos centros de responsabilidade, e agora j\u00e1 h\u00e1 um terceiro, foi n\u00e3o lhes atribu\u00edrem compet\u00eancias pr\u00f3prias; deixaram-no ao arb\u00edtrio dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o dos hospitais, que nem sempre est\u00e3o em conson\u00e2ncia com o conceito. Da\u00ed que eu tenha ent\u00e3o dito \u201cpenso que fomos t\u00e3o longe quanto nos deixaram, mas poder\u00edamos ter ido mais longe se nos tivessem deixado!\u201d<br \/>\nAvancemos, pois, com uma \u2018generaliza\u00e7\u00e3o\u2019 dos CRIs, mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos dos erros do passado e lembremo-nos das experi\u00eancias de sucesso que j\u00e1 tivemos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Antunes<br \/>\nCoordenador &#8211; Cirurgia Cardiotor\u00e1cica \u2013 Hospital CUF Coimbra<br \/>\nProfessor Catedr\u00e1tico Jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":251136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[5220,433],"class_list":["post-266320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-centros-de-responsabilidade-integrados","tag-sns"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266320\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}