{"id":266852,"date":"2023-07-24T10:04:46","date_gmt":"2023-07-24T10:04:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=266852"},"modified":"2023-07-24T10:04:46","modified_gmt":"2023-07-24T10:04:46","slug":"opiniao-ajudar-quem-mais-precisa-ou-talvez-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-ajudar-quem-mais-precisa-ou-talvez-nao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Ajudar quem mais precisa, ou talvez n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-254149\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1.jpg 1200w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-300x157.jpg 300w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-768x402.jpg 768w, https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Christophe-Coimbra-opi-1-600x314.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Junho do ano passado, escrevi para este jornal um artigo ao qual atribu\u00ed o t\u00edtulo: \u201cJuros. Juro que n\u00e3o era isto que necessit\u00e1vamos agora\u201d. Nesse mesmo artigo, abordei aquela que era a perspectiva para n\u00f3s, Portugueses, enquanto cr\u00f3nicos devedores, das noticiadas subidas dos juros por parte do Banco Central Europeu (BCE) para controlar a infla\u00e7\u00e3o. Passado mais de um ano, assistimos \u00e0 passagem das taxas directoras (Euribor a 3, 6 e 12 meses) para valores record desde 2008. E o que \u00e9 que podemos dizer? Dizemos que o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 brilhante, mas que possivelmente ficar\u00e1 pior. A Sra. Christine Lagarde, directora do BCE, disse recentemente num f\u00f3rum desta mesma entidade, curiosamente no nosso Pa\u00eds, que n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para uma pausa nas subidas das taxas de juro, fazendo antever que da reuni\u00e3o deste mesmo organismo no pr\u00f3ximo dia 27 poder\u00e1 sair um novo aumento dos juros.<br \/>\nA actividade empresarial, que teve na contrac\u00e7\u00e3o de d\u00edvida junto da banca a sua principal solu\u00e7\u00e3o para ultrapassar a pandemia, hoje devolve esse dinheiro acrescido de um juro em valores castigadores. As fam\u00edlias, essas, que na procura de casa se tiverem que debater com um mercado imobili\u00e1rio em valores anormalmente elevados, precisam agora de ter a capacidade de somar uma fatia cada vez maior para entregar aos bancos. A presta\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o em Portugal aumentou 51,1% no espa\u00e7o de dois anos. \u00c9 um cen\u00e1rio pouco animador.<br \/>\nComo diz o ditado, nunca \u00e9 mau para todos. Ao longo dos \u00faltimos meses fomos tendo conhecimento dos resultados das entidades banc\u00e1rias: a apresenta\u00e7\u00e3o de contas de 2022 e tamb\u00e9m das contas do 1\u00ba trimestre de 2023. Os resultados s\u00e3o o expect\u00e1vel: juros elevados significam para a banca resultados avultados. Os cinco maiores bancos a operar em Portugal obtiveram em 2022 lucros agregados de mais de 2,5 mil milh\u00f5es de euros. Feliz de quem, a coberto dos bancos centrais, pode legitimar uma cobran\u00e7a generosa de juros sobre o que lhe \u00e9 devido e que simultaneamente n\u00e3o est\u00e1 obrigado a qualquer generosidade no sentido contr\u00e1rio. Digo no sentido contr\u00e1rio porque n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de pagarem mal ou simplesmente n\u00e3o pagarem os dep\u00f3sitos a prazo. \u00c9 tamb\u00e9m todo um pre\u00e7\u00e1rio com cada vez mais servi\u00e7os a cobrar e com valores cada vez mais elevados. O verdadeiro para\u00edso, para quem cobra, de taxas e taxinhas.<br \/>\nConsiderando essencial que qualquer empresa (ou cidad\u00e3o), que opere de forma leg\u00edtima, tenha que recorrer aos servi\u00e7os de uma ou mais entidades banc\u00e1rias, a certeza que temos \u00e9 que vamos pagar. N\u00e3o deixo de achar leg\u00edtimo que esta presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os seja paga. Parece-me pouco leg\u00edtimo \u00e9 que \u00e0 medida que os servi\u00e7os prestados por estas entidades se \u201cencolhem\u201d para o m\u00ednimo poss\u00edvel, os valores cobrados aumentem cada vez mais. Retrato, por exemplo, a taxa\u00e7\u00e3o quase incompreens\u00edvel a que est\u00e1 sujeito um dep\u00f3sito a balc\u00e3o e mais ainda se o mesmo for feito com moeda met\u00e1lica. O banco coloca a moeda f\u00edsica em circula\u00e7\u00e3o, a actividade da minha empresa tem obrigatoriamente que a aceitar como meio de pagamento por parte dos seus clientes e para o colocar novamente ao dispor do banco h\u00e1 uma taxa a pagar. Se quiser usar essa mesma moeda para pagar um financiamento a esse mesmo banco, n\u00e3o posso. A sua cobran\u00e7a \u00e9 exclusivamente realizada por d\u00e9bito em conta\u2026 ou melhor, posso, mas primeiro tenho que a depositar e pagar a dita taxa. Tudo isto para uma entidade que j\u00e1 paga a c\u00e9lebre gest\u00e3o\/manuten\u00e7\u00e3o de conta. E a este exemplo tantos outros se podem somar. Pagar, pagar e pagar.<br \/>\nSe de uma quest\u00e3o solid\u00e1ria se tratasse, era altura do sistema banc\u00e1rio se recordar do qu\u00e3o necess\u00e1rio foi a injec\u00e7\u00e3o de capital promovida nele mesmo atrav\u00e9s do dinheiro de todos os contribuintes. Mas n\u00e3o, aqui n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de solidariedade, \u00e9 uma quest\u00e3o de quem mais pode e quer: pode, porque est\u00e1 legitimado por quem nos governa e por quem os fiscaliza; e quer, porque afinal a classe m\u00e9dia\/alta portuguesa ainda janta fora \u00e0 sexta-feira e isso n\u00e3o \u00e9 para portugueses.<br \/>\nMas v\u00e1, s\u00ea solid\u00e1rio com a banca. Eles agradecem. Vais ver que ter\u00e3o sempre uma taxa nova a aplicar como forma de te agradecer os lucros que lhes proporcionas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christophe Coimbra<br \/>\nGerente da empresa Frisalgados, Lda<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":254149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[5473,3729,531,5474],"class_list":["post-266852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-ajudar-quem-mais-precisa","tag-portugueses","tag-solidariedade","tag-subida-dos-juros"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266852\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}