{"id":268574,"date":"2023-09-06T11:05:03","date_gmt":"2023-09-06T11:05:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=268574"},"modified":"2023-09-06T11:05:03","modified_gmt":"2023-09-06T11:05:03","slug":"opiniao-a-baixa-o-arquivo-e-o-resto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-baixa-o-arquivo-e-o-resto\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A Baixa, o Arquivo e o resto"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-250680\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Coimbra, a Baixa parece estar a recuperar lentamente de um longo per\u00edodo de decad\u00eancia, o qual foi reconhecido por gente de todo o lado que visita a cidade. Mas est\u00e1 ainda muito longe do auge de outros tempos. A recupera\u00e7\u00e3o total da Baixa passa efectivamente por um complexo envolvimento combinado de iniciativas e de agentes que, cada um\/a na sua fun\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ajudar no processo. Elencarei alguns dos mais importantes.<br \/>\nO com\u00e9rcio, que tem de voltar a servir a cidade e n\u00e3o exclusivamente o turismo. Se o com\u00e9rcio servir em exclusivo a procura tur\u00edstica, \u00e9 certo e sabido que se autoelimina muito facilmente. Os pr\u00f3prios turistas n\u00e3o querem visitar \u00e1reas que lhes s\u00e3o exclusivamente dedicadas, sobretudo os que visitam cidades, como \u00e9 o caso. Em vez de visitar uma cidade, percebem que est\u00e3o a visitar um tesourinho deprimente do dito \u201cpatrim\u00f3nio\u201d, um parque tem\u00e1tico que \u00e9 encenado para eles. E essa oferta desgasta-se num \u00e1pice. Se isso acontecer, em breve teremos a decad\u00eancia a regressar.<br \/>\nA nova rede axial de mobilidade colectiva, o Metrobus, ao localizar na Baixa o seu hub central, ou seja, o interface entre as duas linhas, linha Serpins-Coimbra B e linha do Hospital, d\u00e1 certamente um contributo forte ao prop\u00f3sito da recupera\u00e7\u00e3o. Seria tamb\u00e9m muito necess\u00e1rio que alguns dos pontos de intermodalidade de rebatimento com as futuras linhas dos SMTUC, que ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, fossem tamb\u00e9m localizados na Baixa.<br \/>\nMas os antigos servi\u00e7os p\u00fablicos, Correios, Arquivos de Identifica\u00e7\u00e3o, Governo Civil, etc. tamb\u00e9m contribu\u00edam de sobremaneira para a vida intensa que a Baixa tinha outrora. Os Correios centrais, com a feliz iniciativa da escola experimental Tumo, levada a cabo por um conjunto de empresas em parceria com a C\u00e2mara Municipal, j\u00e1 foi uma boa reden\u00e7\u00e3o para muitos anos de abandono.<br \/>\nAqui h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, quando o executivo municipal liderado pelo Dr. Carlos Encarna\u00e7\u00e3o manifestou a inten\u00e7\u00e3o de deslocalizar o Arquivo Municipal para Eiras, escrevi uma carta \u00e0 Vereadora respons\u00e1vel, a Senhora Doutora Maria Jos\u00e9 Azevedo Santos, tentando sensibiliz\u00e1-la para a responsabilidade que a C\u00e2mara Municipal tem neste processo de recupera\u00e7\u00e3o da Baixa. Essa responsabilidade n\u00e3o permite que os seus servi\u00e7os mais centrais abandonem esse espa\u00e7o. Houve compreens\u00e3o imediata da parte da Senhora Vereadora, a quem para sempre fico grato, e o projecto foi abandonado.<br \/>\nAgora, uma not\u00edcia recente anuncia novamente essa possibilidade do Arquivo ser deslocado para a zona de Eiras. Nada tenho contra Eiras, entenda-se, assim como nada tenho contra o bairro onde vivo, at\u00e9 gosto muito dele. S\u00f3 n\u00e3o acho que o Arquivo Municipal deva deslocar-se para fora da Baixa, nem para Eiras, nem para o meu bairro, nem para qualquer outro local.<br \/>\nO Arquivo \u00e9 utilizado por muita gente, investigadores, estudiosos da cidade, cidad\u00e3os comuns \u00e0 procura de mem\u00f3rias arquivadas. O seu lugar \u00e9 no centro da cidade. \u00c9 num ponto fulcral das acessibilidades urbanas como o que ocupa neste momento.<br \/>\nAcresce que o local onde se implanta \u00e9 dos poucos no centro consolidado que tem capacidade de crescimento. Essa amplia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como \u00e9 desej\u00e1vel, porque ajuda a clarificar, do ponto de vista urbano, uma \u00e1rea inacess\u00edvel e meia abandonada. Para al\u00e9m do mais, a sua amplia\u00e7\u00e3o poderia ajudar a compatibilizar a escala do edif\u00edcio com os que lhe s\u00e3o cont\u00edguos: o antigo Centro de Sa\u00fade da Av. S\u00e1 da Bandeira, agora em obras de reabilita\u00e7\u00e3o, o Mercado e at\u00e9 mesmo a antiga Manuten\u00e7\u00e3o Militar, que o executivo actual pretende, e bem, transformar em escola art\u00edstica.<br \/>\nA Universidade j\u00e1 contribuiu para adensar a Baixa com servi\u00e7os, ao localizar o Centro de Documenta\u00e7\u00e3o 25 de Abril e o Centro de Estudos Sociais no Col\u00e9gio da Gra\u00e7a, na Sofia. Sa\u00fada-se a inten\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a de localizar a nova sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria entre a Baixa e a Rua de Aveiro, s\u00f3 \u00e9 incompreens\u00edvel que o mesmo minist\u00e9rio n\u00e3o ponha m\u00e3os \u00e0 obra do novo Pal\u00e1cio de Justi\u00e7a ao fundo da Rua da Sofia.<br \/>\nAssim, perante o cen\u00e1rio globalmente positivo de renova\u00e7\u00e3o daquela zona, \u00e9 muito preocupante que o Arquivo Municipal saia do local onde se veio a implantar nos \u00faltimos anos. O que deve ser feito \u00e9 redignificar e ampliar o actual edif\u00edcio.<br \/>\nLentamente, muito lentamente, e por interven\u00e7\u00e3o de diversas entidades, a Baixa come\u00e7a a ver algumas das suas fun\u00e7\u00f5es vitais a ser retomadas. N\u00e3o faz sentido que seja a pr\u00f3pria esfera decis\u00f3ria municipal a amputar-lhe esta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha<br \/>\nUniversidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":250680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1286,2142,100,1439],"class_list":["post-268574","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-arquivo","tag-baixa","tag-opiniao","tag-recuperacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268574\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}